terça-feira, 20 de julho de 2010

CARTA DE SÃO PAULO

Por UNEGRO/PE
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Nos seus vinte e dois anos de existência a UNEGRO vem pautando sua atuação no combate o racismo em todas as suas formas de manifestação, particularmente as ações sistêmicas que impedem o usufruto pleno dos direitos de cidadania. A entidade expandiu-se e hoje está organizada em vinte e cinco estados. Consolidou-se como uma das principais alternativas de luta da população negra contra as opressões de raça, gênero e classe, sempre em harmonia aos princípios de sua fundação.
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Uma das faces dessa luta é a superação do Estado Mínimo, parte integrante do processo de mundialização do capital sem as barreiras dos outrora fortes Estados Nacionais. A face mais cruel dessa globalização conforme defendia o geógrafo Milton Santos é a perversidade com que trata as populações pobres, não brancas e de países periféricos em todo o mundo. O neoliberalismo intensifica o racismo, as exclusões, renova disparidades, cria novas desigualdades, esmaga as realidades nacionais.
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Por estes motivos, a UNEGRO sempre foi parte da trincheira de resistência global aos ataques do capitalismo neoliberal nas diversas nações sul-americanas e africanas. No Brasil, sempre organizou a população negra na criação de alternativas a este perverso projeto.
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Assim, iniciamos com a eleição de Lula em 2002, um novo ciclo de mudanças no país que redefiniu o papel do Estado, agora não mais mínimo, para o atendimento às demandas da população represadas por mais de uma década. Começou a ser delineado um projeto de desenvolvimento nacional centrado no crescimento econômico associado à distribuição de renda, na diminuição da pobreza e elevação dos mais pobres às classes consumidoras. Conseguimos também, construir uma Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial, implementar o PROUNI, regularizar e titular dezenas de comunidades remanescentes de quilombos e aprovar instrumentos com o Estatuto da Igualdade Racial que consolida nossas demandas como políticas de Estado.
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Entretanto, esse projeto pode ser ameaçado com a eleição do PSDB/DEM, herdeiros da era FHC, e forças políticas comprometidas com o capital financeiro e defensoras da criminalização da juventude através da redução da maioridade penal e do extermínio físico deste segmento. A experiência do PSDB/DEM no estado de São Paulo demonstra esta linha política. São ferrenhos defensores da terceirização das ações sociais do Estado, transformando-as em instrumentos de repasse de verbas públicas para instituições privadas, aprofundaram a falência da educação pública, reprimiram os movimentos sociais com extrema violência.
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Cientes dos desafios postos no cenário eleitoral estamos convictos de que precisamos avançar ainda mais nas conquistas para a população negra, realizar transformações estruturais necessárias à superação do racismo e das desigualdades sociais, aprofundar os mecanismos de participação democrática da população. Dessa forma, a UNEGRO resguardada sua autonomia como entidade suprapartidária do movimento negro aponta o grande perigo representado pela eleição de um candidato representante do projeto neoliberal capitaneado pela coligação PSDB/DEM e defende a eleição de Dilma como a primeira mulher presidente da República para aprofundar o ciclo de mudanças iniciados nos dois mandatos da era Lula.
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Como herdeiros de Zumbi e Dandara, acreditamos e lutamos por um mundo onde não haja exploradores e explorados, nem senhores e nem escravos. E isto se faz com rebeldia.
REBELE-SE CONTRA O RACISMO!!
4ª PLENÁRIA NACIONAL DA UNEGRO – NELSON MANDELA

SÃO PAULO, 18 DE JULHO DE 2010.
Retirado de http://unegro-pe.blogspot.com

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