quinta-feira, 29 de março de 2012

Praticante do candomblé, aluno de SP sofre bullying após aula com leitura da Bíblia


Suellen Smosinski-Do UOL, em São Paulo


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Um estudante de 15 anos teria sido alvo de bullying em uma escola estadual de São Bernardo do Campo por causa de sua religião – o candomblé. As provocações começaram após o jovem se recusar a participar de orações e da leitura da Bíblia durante as aulas de história, ministradas por uma professora evangélica. O aluno cursa o 2º ano do ensino médio na escola Antonio Caputo, no Riacho Grande.
Segundo o pai do aluno, Sebastião da Silveira, 63, faz dois anos que o filho comenta que a professora utilizava os primeiros vinte minutos da aula para falar sobre a sua religião. “O menino reclamava e eu dizia para ele deixar isso de lado, para não criar caso. Ela lia a Bíblia e pedia para os alunos abaixarem a cabeça, mas isso ele não fazia, porque não faz parte da crença dele”, disse.
Em outro episódio, fizeram cartazes com a foto de um homem e uma mulher vestindo roupas características do candomblé e escreveram que aqueles eram os pais do estudante. A pedido da família, o menino foi trocado de sala, mas não quer mais ir para a escola e apresenta problemas de fala, como gagueira, e ansiedade.Silveira acredita que a atitude da professora incentivou os alunos a iniciarem uma “perseguição religiosa” contra seu filho. “No fim de fevereiro, comecei a achar meu filho meio travado, quieto. Um dia ele me ligou pedindo para eu ir buscá-lo na escola, quando cheguei lá tinham feito uma bola de papel cheia de excremento pulmonar e tacaram nas costas dele. Cheguei na escola e ele estava todo sujo”, contou.
O pai disse que foi até a unidade de ensino para conversar com a professora de história sobre as orações antes da aula: “Ela se mostrou intransigente e falou que era parte da didática dela. Eu disse que se Estado é laico, alunos de todas as religiões frequentam as aulas e devem ser respeitados, mas ela afirmou que não ia parar”. Silveira já fez um boletim de ocorrência e pretende procurar o Ministério Público hoje (29) para pedir garantias na segurança do filho.
Segundo a presidente da Associação Federativa da Cultura e Cultos Afro, Maria Emília Campi, o bullying não foi só com o aluno, foi com a família toda. “A partir do momento que você tem professores que assumem uma posição religiosa dentro da sala de aula, exigindo uma atitude de submissão, a gente percebe que fica muito mais difícil combater o preconceito, porque a escola está incentivando o bullying”, afirmou.

Secretaria investiga o caso

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo afirmou, em nota, que “a Diretoria Regional de Ensino de São Bernardo do Campo instaurou uma apuração preliminar para verificar se procede a alegação do aluno”. Segundo a secretaria, uma equipe de supervisores foi até a unidade na terça-feira (27), para averiguar as primeiras informações.
De acordo com a nota, o proselitismo religioso nas unidades estaduais é vetado, em conformidade com a Lei de Diretrizes e Bases.
A reportagem do UOL entrou em contato com a diretora da escola. Ela não quis se pronunciar, mas disse que todas as informações sobre o caso seriam repassadas pela Secretaria de Educação.

VIOLÊNCIA RACIAL & POLICIAL

Policiais matam adolescente de 13 anos em Duque de Caixias

por: portal Geledes - www.geledes.org.br
Igor Cordeiro ManhaesCinco PMs são afastados após morte de adolescente em Duque de Caxias
Testemunhas acusam PMs de matar com 4 tiros adolescente de 13 anos.
Mãe se encontrou nesta quarta-feira com a chefe de Polícia Civil.
O comando do 15º BPM (Duque de Caxias) afastou das ruas um tenente e quatro praças até que seja encerrado o Inquérito Policial-Militar que apura as circunstâncias da morte do estudante Igor Cordeiro Manhães, de 13 anos. A informação foi divulgada pela Polícia Militar na tarde desta quarta-feira (28).
Ele morreu na madrugada de segunda-feira (26) e, segundo testemunhas, o crime foi cometido por PMs. Igor foi atingido por quatro tiros de fuzil.
A Polícia Militar informou que os policiais afastados ficarão limitados ao serviço interno. Ainda de acordo com a PM, todas as armas dos policiais já foram entregues à perícia para análise e exames balísticos.
Encontro com chefia de Polícia Civil
igor familiaNesta quarta-feira, a família de Igor se encontrou com a chefe de Polícia Civil, delegada Martha Rocha. Eles foram pedir rigor e transparência na investigação do crime. Os parentes levaram fotos do local do crime, com marcas de tiros e manchas de sangue, além das cápsulas recolhidas
Para o delegado Cláudio Vieira, da 59ª DP (Duque de Caxias), responsável pela investigação do crime, Igor foi vítima de uma execução.
Os parentes do estudante foram ao encontro com a chefe de Polícia Civil acompanhados da presidente da comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ, Margarida Pressburger, e do presidente da OAB-RJ, Wadih Damous.
A família de Igor divulgou fotos que mostram o menino participando de uma festa de 40 anos de uma tia, momentos antes de morrer. Segundo os parentes, não é verdadeira a afirmação da Polícia Militar de que Igor estaria participando de um baile funk, quando foi atingido pelos tiros.
Família presta depoimento
Antes da reunião com a delegada Martha Rocha, a família prestou depoimento na 59ª DP (Duque de Caxias). A mãe relatou à polícia que deixou a festa acompanhada do filho, por volta de 1h de segunda-feira (26). Em casa, ela disse que tinha esquecido a sandália de trabalho e pediu para que o menino voltasse.
Poucos minutos depois que Igor saiu foram ouvidos muitos tiros. Vizinhos recolheram 18 cápsulas de apenas um tipo de arma - o fuzil 7.62. A mãe do adolescente disse que recebeu a notícia de que ele tinha sido baleado e foi atrás do filho. Perto do local do crime, ela conta que ainda encontrou dois grupos de policiais militares.
"Meu filho levou um tiro no braço, pelas costas, na perna, pelas costas, dois tiros nas costas e mesmo assim ele ainda teve força de andar no máximo acho que 20 metros para pedir ajuda e meus amigos socorreram ele. Disseram que ele estava vivo", lembrou a mãe.
Igor Manhães cursava o 7º ano do Colégio Estadual Irineu Marinho, em Duque de Caxias.
Depoimentos de PMs
Na terça-feira (27), a Polícia Civil ouviu três policiais militares. Segundo a PM, havia uma operação no Complexo da Mangueirinha, em Duque de Caxias. Policiais dos batalhões de Duque de Caxias e de São João de Meritiestavam no local.
Os investigadores querem ouvir os depoimentos de 23 PMs que estavam na operação na madrugada de segunda-feira (26).
Perícia
O caso foi registrado como homicídio duas horas após a morte do menino, mas a perícia só foi realizada 12 horas depois. De acordo com os investigadores, o local não foi preservado pela PM.
Segundo a Polícia Civil, a perícia demorou porque a equipe só poderia entrar na comunidade com o apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), que estava numa operação na Vila Vintém, em Padre Miguel. Já a Polícia Militar não quis se pronunciar sobre a informação de que o local do crime não foi preservado.
Fonte: G1

quarta-feira, 28 de março de 2012

APP: Governo do PR apresenta propostas para Educação.


por: appsindicato.org.br

Na reunião, governo propôs antecipar parcelas da equiparação, chamar novo concurso para este ano e ofertar nova dobra

A primeira reunião da direção da APP-Sindicato com a equipe da Secretaria de Estado da Educação (Seed) após a grande mobilização do último dia 15, quando mais de sete mil educadores do Paraná saíram às ruas, ocorreu na manhã desta terça-feira (27), em Curitiba. A paralisação, uma das maiores dos últimos anos, pressionou o governo a apresentar propostas relacionadas a aplicação da Lei do Piso Salarial Profissional Nacional (PSPN) no Estado. E foi o que ocorreu no encontro de hoje.
Participaram da reunião, pela APP, a presidenta Marlei Fernandes de Carvalho e os diretores: Luiz Carlos Paixão da Rocha (Imprensa e Divugação), Elizamara Goulart Araújo (Gênero e Igualdade Racial), Edilson Aparecido de Paula (Municipais), Isabel Catarina Zöllner (Política Sindical), Miguel Baez (Finanças), o deputado estadual Professor Lemos e o economista do Dieese Cid Cordeiro. Pela Seed, além do secretário de Educação Flávio Arns, estavam: Jorge Wekerlin (Diretoria Geral), Meroujy Cavet (Superintendência de Desenvolvimento Educacional), Graziele Andriola (GRHS/Seed), Cilos Roberto Vargas (Gabinete) e o assessor político Paulo Schmidt (Vice-Governadoria).
A respeito de um dos pontos centrais da pauta dos educadores, o pagamento do novo valor do Piso definido pelo Ministério da Educação em fevereiro, R$ 1.452,06 (hoje, o Paraná está 18,67% abaixo desta cifra), o governo fez a seguinte proposta: aplicar a data-base em maio (que provavelmente será de 6,5%); emjulho, pagar a segunda parcela da equiparação salarial (5,95%); em outubro, a pagar a terceira parcela da equiparação acordada para 2013, de 5,95%.  Isto totalizaria, ao final, uma reposição de 19,55% para os professores.
A direção da APP cobrou que o pagamento do Piso, conforme determina a lei, deve ser efetuado a partir de janeiro. A equipe da Seed reconheceu o fato. Uma das propostas apresentadas pela APP foi a aplicação, no índice da equiparação que deve ser pago em outubro, de um percentual maior que os 5,95%. Esta diferença serviria tanto para quitar o retroativo, como também diminuiria a provável diferença que o Estado deverá pagar, em 2013, quando sair a correção anual do Piso. O governo se dispôs a avaliar e continuar o debate.
Sobre a hora-atividade, ponto fundamental da Lei do Piso e tema central da Campanha Salarial dos educadores do Paraná deste ano, o governo se comprometeu em formatar proposta de implantação. Ela sairá no conjunto da realização de um novo concurso para todas as disciplinas conforme a APP reivindica (edital previsto para maio) e oferta de uma nova dobra de padrão (ainda este semestre), também reivindicada pelo sindicato e que está sendo formatada em uma comissão especial da qual o sindicato participa.  
Até a sexta-feira (30), a Seed formalizará a proposição. Entre as possibilidades discutidas está o encaminhamento à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), em 60 dias, de um projeto que escalone a implantação dos 33% de hora-atividade da seguinte forma: janeiro de 2013, julho de 2013 e janeiro de 2014. Outra possibilidade é a implantação em duas vezes.
Outro tópico fortemente debatido foi o pagamento do reajuste de 14,13% para os funcionários de escola. A APP defendeu a necessidade de se incorporar um percentual de ganho real aos salários dos funcionários, que vá além da correção da inflação na data-base. Isto significaria a aplicação dos prováveis 6,5% (em maio) e, em seguida, mais 7,16%. O anúncio do reajuste do salário mínimo regional (que também deve ser de 14,13%) que deve sair ainda esta semana é um dos elementos fundamentais nesta luta.
"Nós estamos tratando de recursos da educação. Avançar no salário dos funcionários de escola é valorizar esta parcela da categoria que, no conjunto dos servidores do Paraná, recebe os menores salários. Aplicar este índice de ganho além da inflação é possível e factível, não causará nenhum impacto proibitivo nas contas do Estado", destacou a presidenta da APP, professora Marlei Fernandes de Carvalho.
Acompanhando o argumento o secretário de Imprensa da APP, professor Luiz Carlos Paixão da Rocha, que lembrou que os próprios funcionários da Secretaria da Educação são, entre as secretarias estaduais, os que ganham menos.  "Nos últimos anos, a categoria avançou nos aspectos de ingresso, carreira, formação continuada. Agora, precisamos focar, de maneira urgente, nos salários", destacou Paixão.
O secretário de Educação Flávio Arns também concordou que é preciso avançar no reajuste dos funcionários. A Secretaria de Educação fará um debate interno e, no mês de abril, com a APP, para avançar na proposta.
Concurso e cargo de 40 horas - Junto com o debate sobre a implantação da hora-atividade, veio a discussão sobre a necessidade de contratação de mais professores no Estado. Em vista disso, a Secretaria garantiu a realização, ainda este ano, de um novo concurso para professores, uma das grandes reivindicações da categoria. O edital está sendo preparado e deve ser publicado em maio. A necessidade de um novo concurso vem sendo apontado exaustivamente pela APP.
Também foi anunciada, após muita argumentação do sindicato e pressão da categoria, a oferta de uma nova dobra de padrão para este semestre. Uma comissão formada pelo sindicato e governo deve se reunir na próxima semana para discutir alterações no decreto que criou o cargo de 40 horas. De acordo com a superintendente de Educação Meroujy Cavet, serão disponibilizadas em torno de 20 mil vagas. AS vagas serão baseadas na matriz curricular.
Plano de carreira dos funcionários - Na reunião, a direção da APP apresentou ao secretário de Educação as principais alterações propostas no plano de carreira dos funcionários de escola (clique aqui para ler a matéria completa da última reunião da comissão). Entre elas, a criação de uma nova promoção tanto para os agentes I (cinco classes para ensino superior), como para os agentes II (sete classes para cursos de pós-graduação), concurso de remoção, recesso escolar, abertura de novo período para os funcionários ainda enquadrados no QPPE mudarem para o QFEB.
Também foram debatidos os dois pontos que não obtiveram consenso na comissão: a questão de cerca de 400 funcionários agentes educacionais I que atuam no serviço administrativo e a não consideração do tempo de serviço prestado à Paranaeducação, e pelos PSS, para efeito de quinquênios. Outro tema em debate é a ampliação do valor do auxílio-transporte. A equipe da Seed concordou em reexaminar as questões. O governo também se comprometeu em enviar um projeto de lei com as alterações para a aprovação na Assembleia Legislativa até o mês de maio. Uma nova reunião da comissão sobre os planos de carreira está agendada para amanhã, dia 28.
Pagamento das promoções da turma do PDE 2009 - Durante a reunião com o secretário, a direção da APP voltou a cobrar o pagamento dos avanços devidos aos professores que cursaram o Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE) na turma de 2009. Na reunião realizada entre sindicato e governo no final de fevereiro, a Seed afirmou que estes valores sairiam no salário de março. Isto não ocorreu. O sindicato cobrou que o pagamento seja efetivado na folha de abril. De acordo com o diretor geral da Seed, a Secretaria de Estado da Fazenda negou o pagamento em março. Por conta disso, a Seed deve trabalhar para que esta dívida seja sanada no próximo mês (abril).
Porte das escolas - A direção da APP apresentou uma preocupação encaminhada por alguns diretores sobre se as demandas dos programas (classificados na resolução do porte como periódicos ou permanentes) estão de fato sendo consideradas no cálculo do porte. De acordo com Meroujy Cavet, a base do porte é o número de alunos e que estas demandas são, sim, levadas em conta. Ela informou que os próprios diretores podem fazer o cálculo antes do mesmo ser rodado. A superintendente salientou que a implantação será gradativa e que possíveis erros poderão ser corrigidos, mesmo depois do porte rodado.
Saúde - Questionado pela direção da APP sobre uma possível intervenção junto à Secretaria de Estado de Administração e Previdência (Seap) para agilizar o anúncio de um novo modelo para substituir o atual Sistema de Atendimento à Saúde (SAS) dos servidores, o vice-governador Flávio Arns informou que está agendada, para o próximos dias, uma reunião sobre o tema com o secretário Luiz Eduardo Sebastiani. O secretário reafirmou o compromisso do governo de apresentar uma proposta até junho.
Bolsa-auxílio PDE - A Secretaria informou que está preparando uma nova Resolução da bolsa-auxílio e que esta deverá contemplar os profissionais que hoje não recebem. A APP reiterou que todos têm o direito de receber.
Gratificação de diretores - A proposta de reajuste da gratificação da função de diretores e diretores-auxiliares da Seed está, segundo a superintendente da Educação, sendo concluída e deve ser apresentada em breve a APP.
Concurso de remoção - Atendendo a outra reivindicação da APP, a Seed informou na reunião que no segundo semestre haverá um novo concurso de remoção para os funcionários da educação.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Unegro relança Cartilha Negro Cidadão


A União de Negros pela Igualdade (Unegro) está relançando a Cartilha Negro Cidadão, elaborada pela entidade e pelo cartunista Maurício Pestana, com a colaboração da deputada estadual Leci Brandão (PCdoB), em parceria com entidades da sociedade civil. Na noite de quarta-feira (21), por conta do Dia Internacional de Combate ao Racismo, o relançamento foi na Faculdade Zumbi dos Palmares, em São Paulo (SP). Outros lançamentos estão programados.





A primeira edição do material foi elaborado em 1995 com o objetivo de incentivar a população afrobrasileira a discutir e refletir a luta pela cidadania e estimular a construção coletiva de uma perspectiva cidadã. centros culturais e movimentos negros realizam uma série de atividades como saraus, discussões e shows para marcar o tema.

Com muito ilustração, a publicação lança mão do humor para apresentar conceitos de cidadania. O que é ser cidadão? Quando surgiu a ideia de cidadania? Como fazer com que as leis sejam aplicadas? A cartilha também traz uma lista de órgãos e instituições que tratam da questão no país.

Ela também será lançada no CEU Caminho do Mar, em Heliópolis e nas cidades de Guarulhos, Rio Claro, Salto, Osasco, Pindamonhangaba, Jundiaí e Diadema - todas no estado de São Paulo.

Outras atividades

Movimentos negros prepararam uma programação especial para esta semana. Abaixo, a programação do CEU Caminho do Mar (Rua Engenheiro Armando de Arruda Pereira, 5.241), em parceria com a Secretaria Municipal de Educação e Secretaria Municipal de Participação.

Programação:

21 de março – quarta-feira, às 20h

Show em comemoração ao Dia Internacional de Luta contra Discriminação Racial

- Zezé Motta declama poesias
- Verônica Feriani, Grazzi Brasil e Graça Braga interpretam lindas canções que abordam o Universo Feminino e temas raciais

28 de março – quarta-feira, às 19h30

- Lançamento da Cartilha Negro Cidadão
- Apresentação Cultural Hip Hop “Aliens Break”
- Exibição do curta-metragem “Maria que não vai com as outras”
- lançamento oficial da Cartilha
- Apresentação Cultural “Maracatu Ilê Alafia – ACM Leide das Neves”

31 de março – sábado, das 14h às 19h

Cultura para a Juventude Negra

Com atividades culturais e sócio-educativas para os moradores da região sul da cidade de São Paulo, o Cultura para a Juventude Negra visa ampliar os espaços dedicados à reflexão sobre a inserção dos afrodescendentes e da juventude em diversas áreas: cultura, educação, esportes, entre outros temas. Sua proposta pedagógica foi elaborada de modo a articular as ações com as demandas da comunidade na qual a instituição está inserida. E assim, espera reconhecer e valorizar a importância da diversidade étnico-cultural afro-brasileira no país, por meio da formação técnico-cultural da juventude, que produz e consome cultura nas periferias desta cidade.

- Oficinas de Hip Hop, grafite, dança, capoeira, contos africanos, percussão e aula aberta de inglês
- Apresentação do resultado das oficinas e show Salada Periférica

Com agências

Em Curitiba, dois são presos por incitar crimes de ódio contra mulheres, negros, homossexuais, nordestinos e judeus

por: portal Geledes - 
Duas pessoas foram presas nesta quinta-feira, 22, acusadas usarem a internet para espalhar mensagens de apologia de crimes graves e da violência, principalmente contra mulheres, negros, homossexuais, nordestinos e judeus, além da incitação do abuso sexual de menores, segundo a Polícia Federal.
A Operação Intolerância prendeu Emerson Eduardo Rodrigues e Marcelo Valle Silveira Mello, moradores de Curitiba e Brasília, respectivamente. Eles foram presos preventivamente por supostamente serem os responsáveis pelo site silviokoerick.org.
A página foi amplamente denunciada por internautas brasileiros ao Ministério Público. E, com quase 70 mil denúncias registradas na ONG SaferNet, bateu recorde de participação pública no controle da internet nacional.
Agentes da PF também vão aos mandados de busca e apreensão para examinar as casas e locais de trabalho dos suspeitos em busca de provas.
Entre os conteúdos publicados pelos criminosos, havia referências positivas ao atirador Wellington, que em 2011 atacou a tiros uma escola em Realengo, no Rio, matando diversas crianças, bem como à suposta incapacidade da Polícia Federal em os localizar e deter.
 www.geledes.org.br

quarta-feira, 21 de março de 2012

Leci Brandão: Nosso racismo de cada dia


A Organização das Nações Unidas instituiu o 21 de março como o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, em memória do Massacre de Shaperville, em 1960, quando 20 mil jovens negros de Joannesburgo, na África do Sul, protestavam contra a lei do passe, que os obrigava a portar cartões de identificação, especificando os locais por onde eles podiam circular.

Por Leci Brandão*

publicado por: vermelho.org.br


Mesmo sendo uma manifestação pacífica, o exército atirou na multidão e o saldo da violência foram 69 mortos e 186 feridos.

No Brasil, nunca tivemos uma lei do passe explícita, mas, cotidianamente, vivemos as limitações de quem não exerce plenamente sua cidadania. E esses limites podem ser mais perversos, porque não limitam apenas o ir e vir, mas impedem que as pessoas vivam plenamente sua autonomia e liberdade.

Sempre que a polícia persegue um cidadão negro, alegando que este estava em “atitude suspeita”, ou quando seguranças dedicam especial atenção aos cidadãos negros que entram nos supermercados, estamos diante da prova palpável da existência do racismo forjado em nossa herança escravocrata, que faz suas vítimas cotidianamente e que mostra que somos punidos toda vez que tentamos ultrapassar os limites impostos a nós pela sociedade. 

Em São Paulo, a imprensa diariamente mostra casos de violência racial e as estatísticas comprovam que o número de denúncias desse tipo de crime tem aumentado no Estado. Contudo, mais grave do que constatar a permanência do racismo é perceber a banalidade e passividade com que esses casos vêm sendo tratados.

O mais recente aconteceu no último dia 17, em Embu das Artes, quando o ajudante de caminhoneiro Ivan Romano foi agredido por dois jovens. Os agressores estão presos por tentativa de homicídio e a acusação de racismo está sendo investigada. Na semana passada, o músico Raphael Lopes chamou a polícia durante um show de comédia, após ser comparado a um macaco por um humorista. Em dezembro do ano passado, a estagiária Ester Cesário, de 19 anos, afirma ter sofrido discriminação no Colégio Internacional Anhembi Morumbi. Segundo Ester, a diretora da escola teria reclamado de seus cabelos e recomendado que ela os prendesse e alisasse.

Tais casos não são isolados. O racismo em nosso país está impregnado na sociedade, que considera normal o fato de negros receberam salários mais baixos e terem menos anos de estudo e, ao mesmo tempo, faz um estardalhaço toda vez que se propõe políticas afirmativas voltadas para a população negra.

É inegável que o racismo cotidiano permanece, mas é inadmissível que ele não seja contestado, que seja banalizado. Para combatê-lo é fundamental termos o amparo legal e a criminalização de práticas racistas, mas devemos olhar com prioridade para a educação e a cultura como ferramentas.

Na Assembleia Legislativa de São Paulo tramitam mais de 40 Projetos de Lei para a promoção da Igualdade Racial. Boa parte deles é relacionada à educação e à cultura. É importante que a sociedade se mobilize e sensibilize os demais deputados para a discussão e aprovação desses projetos que apontam caminhos para combater o racismo e suas consequências desastrosas, que impedem qualquer tentativa de construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

* cantora, compositora e deputada estadual pelo PCdoB

terça-feira, 20 de março de 2012

Racismo: Homem é brutalmente espancado no centro de Embu das Artes

por: Portal Geledés

racismo-embu-das-artespor Karen Santiago
Um homem enquanto passeava com sua namorada, na noite do último sábado, dia 17, foi brutalmente espancado na praça central (turística) de Embu das Artes. Dois rapazes de classe média, acusados de agredir o jovem, foram presos logo após espancarem a vítima. O motivo tudo indica que é racismo.
As imagens do jovem sendo espancado foram gravadas pelo circuito de câmeras de videomonitoramento da cidade de Embu das Artes. A vítima de 43 anos, teria sido abordada pelos dois rapazes com chutes e socos.
As imagens mostram a vítima tentando fugir, por aproximadamente 100 metros, mas é alcançada e jogada ao chão pelos dois agressores. A partir deste momento o espancamento é maior e após diversos chutes no rosto, no peito e na cabeça, a vítima desmaia, mesmo assim continua apanhando em quase 5 minutos de violência.
Os jovens, após as agressões, saíram do local, como se nada tivesse acontecido, segundo consta nas imagens de videomonitoramento. A namorada do homem acionou a polícia militar que conseguiu prender os acusados, um pouco depois do local do crime.
Na Delegacia, o homem contou em entrevista ao Brasil Urgente da TV Bandeirante, que a todo o momento, durante a agressão, os agressores o chamaram de folgado, vagabundo, maloqueiro e preto amaldiçoado.
Os dois jovens resistiram à prisão e agrediram também policiais e guardas municipais porque não queriam ser algemados. Os dois foram presos em flagrante por tentativa de homicídio e se condenados podem pegar de seis a vinte anos de cadeia. A ocorrência foi registrada no Distrito Policial de Embu das Artes.
Fonte: Jornal Net

domingo, 18 de março de 2012

Novo Pinheirinho é a única esperança de moradia para cadeirante de Embu (SP)




por: Larissa Leiros Baroni 

"Essa é a minha única esperança". É o que diz o aposentado Nelson Siqueira Filho, 51, que há 25 anos vive em cima de uma cadeira de rodas, ao explicar sua adesão ao acampamento conhecido como "Novo Pinheiro" em Embu das Artes, região metropolitana de São Paulo, que já abriga mais de 2.000 famílias. 
Ele vive com os dois filhos --um de 4 anos e o outro de 14-- e a mulher em um quartinho de um único cômodo que aluga por R$ 250 mensais. O salário da aposentadoria, no valor de R$ 420, já desconta o empréstimo realizado há 12 meses para a compra de sua cadeira de rodas, o resto, segundo ele, "não dá para nada". "Gasto quase tudo com remédios para osteomielite. Muita vezes tenho que recorrer à ajuda pastoral para conseguir comer", explica.
Siqueira vê na ocupação uma chance de melhor sua situação. "Quando vi as pessoas entrando no terreno, a esperança que parecia ter morrido, renasceu", diz o aposentado.
Mesmo suando, por conta do calor da barraca, e com dificuldades para se locomover, ele afirma: "Isso não é nada perto do que passo preso dentro do cubículo em que morro, onde mal consigo me movimentar." 

REALIDADE BRASILEIRA

  • 9.000

    é o número de famílias que sofrem com
    a falta de moradia digna em Embu das Artes, segundo estimativa do MTST
  • 33 milhões

    de brasileiros não possuem moradia,
    de acordo com o Programa das ONU para Assentamentos Humanos
    "Não vou mais sair daqui, porque aqui será nosso lar de verdade", conta ele, ao se referir ao projeto da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo), que prevê a construção de 1.200 moradias no terreno conhecido como "Roque Valente", mas que foi barrado por ambientalistas.
    Quem quer participar da ocupação, segundo a coordenadora estadual do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto), Vanessa de Souza, só precisa encontrar um espaço no terreno e respeitar algumas regras básicas de convivências. "A primeira delas é não vender nada dentro da ocupação, tampouco comerciar lotes", explica. Também é proibido desmatar. "As demais regras são decididas em comum acordo com os ocupantes para a criação de um regimento interno."
    Para aqueles que já têm um imóvel, Vanessa alerta: "É uma perda de tempo". E embora reconheça não ter como se prevenir dos oportunistas, a duração deles na ocupação, segundo ela, é passageira. "Eles sempre acabam desistindo ao ver as dificuldades."

sábado, 17 de março de 2012

Mais gente preta atormentando Alckmin-Novo Pinheirinho- O Inimigo Continua o Mesmo

Sem-teto enfrentam desconforto das ocupações pelo sonho de conquistar a casa própria

Larissa Leiros Baroni  - Do UOL, em São Paulo


O local não tem energia elétrica, banheiro, cozinha ou o mínimo de conforto, mas, duas semanas depois da ocupação, virou lar para mais de 2.000 famílias. Os novos moradores do chamado "Novo Pinheiro", em Embu das Artes, na região metropolitana de São Paulo, improvisam barracas apenas com bambus e lonas. Uns contam apenas com o básico: um lençol. Outras, mais sofisticadas, têm armários, sofás e camas. Todos, porém, têm um desejo em comum, que é abandonar um aluguel muito alto ou não precisar mais morar de favor na casa da sogra, dos pais, de algum amigo ou parente. 

REALIDADE BRASILEIRA

  • 9.000

    é o número de famílias que sofrem com
    a falta de moradia digna em Embu das Artes, segundo estimativa do MTST
  • 33 milhões

    de brasileiros não possuem moradia,
    de acordo com o Programa das ONU para Assentamentos Humanos
    Eles tentam conseguir auxílio do governo para comprar a casa própria ou, em último caso, para ganhar o bolsa-aluguel até que o objetivo seja alcançado. E, pelo sonho, tentam resistir o quanto podem ao cenário adverso. 
    As ocupações, segundo Vanessa de Souza, coordenadora estadual do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto), duram em média um ano. "Algumas terminam em menos de três meses, mas outras se estendem até três anos", diz ela. "Não sabemos ao certos quantos deles desistem, mas as desistências são inferiores a 10%."
    Com quatro crianças para criar e grávida de quatro meses, Maria Lucineide dos Santos, 23, se arrepende de ter desistido de sua última ocupação, e agora volta ao movimento com a promessa de resistir até que o sonho de sua casa própria seja realizado.

    Legado para os filhos 

    Diferentemente de Maria Lucineide, a diarista Ivanilde Oliveira de Jesus, 42, preferiu deixar os seis filhos de fora deste protesto. "Eu que tenho que sofrer por eles", diz ela, que não vê a hora conseguir a casa própria para não mais precisar morar de favor com a sogra. "Tenho 42 anos e quero deixar algo para os meus filhos", conta.

     Enquanto Ivanilde passa fome e aguarda o marido voltar do trabalho com um prato de comida no final da tarde, os filhos são cuidados pela mais velha de 17 anos, "com todo o conforto da cama deles e sem atrapalhar a rotina escolar."
    Para tentar tapear a fome, ela conta que recorre à água, e na hora do banheiro, apela para uma garrafa pet cortada ao meio. Os desafios ela enfrenta na tentativa de garantir aos seus filhos o que a mãe dela não dar a ela. "Nunca estudei, porque aos 15 anos tinha que ir ao farol vender balas para trazer dinheiro para casa. Quero que meus filhos tenham um futuro diferente, por isso que priorizo sempre os estudos deles."
    Nem ela nem o marido têm renda fixa, mas recebem R$ 110 do programa Bolsa Escola. "Já tive que bater nas casas alheias para pedir comida e, pelo meus filhos, faço isso quantas vezes forem necessárias", diz.

    Novo Pinheirinho

    O terreno ocupado em Embu das Artes por cerca de 2.200 famílias desde o último dia 2 de março é de propriedade da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano), que adquiriu o local em 1998 para construir um conjunto habitacional para a população de baixa renda. O projeto previa a manutenção da vegetação local, com a criação de um Parque Ecológico, a construção de 1.200 unidades habitacionais na área desmatada, bem como de um centro esportivo, um centro educacional e outro centro de cultura ambiental, destinados à comunidade.
    Mas, a proposta nunca saiu do papel. Em 2006, um grupo de ambientalistas contrários à proposta das moradias populares conseguiu uma liminar do Ministério Público proibindo construções no local.
    Em nota, a CDHU afirma que o projeto respeita estritamente a legislação ambiental vigente e que pediu à Justiça, no último dia 5 de março, uma nova perícia ambiental na área. A medida visa a revogar a liminar que impede os atos preparatórios para construção do empreendimento.
    O MTST –que organiza a ocupação– defende a construção das unidades habitacionais na área desmatada e a preservação da área classificadas como APP (Área de Proteção Permanente), explica Vanessa de Souza, coordenadora do movimento. 
    Mas, enquanto o impasse judicial não se resolve, a CDHU diz que já vem atendendo às reivindicações do MTST com dois projetos em Taboão da Serra (SP), em parceria com o Programa Minha Casa Minha Vida Entidades, e com a oferta de auxílio-moradia para as famílias indicadas pelo movimento até o atendimento habitacional definitivo.
    No dia 6 de março, a comunidade do acampamento Novo Pinheirinho do Embu recebeu uma ordem de despejo emitido por um grupo de ambientalistas autonomeado "pró-parque", sob a liderança da advogada Maria Isabel Hodnik. O MTST, no entanto, disse que tomará as medidas cabíveis para contornar a situação.