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terça-feira, 16 de setembro de 2014

“Luta contra racismo é necessariamente luta de classe”, diz Edson

publicado: geledes.org.br


O militante do movimento negro e também historiador se refere ao tema da Conferência “Democracia e Desenvolvimento sem racismo: Por um Brasil Afirmativo”. Apesar dos 10 anos de avanços após a criação da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir), que promove a Conferência, o movimento negro aponta para uma guinada no debate sobre conceitos e temas caros à população negra como economia e democracia, mas que ainda não têm recebido a devida atenção do movimento.

“É um tema muito caro para nós da Unegro. Porque obriga o movimento negro, a partir de seu olhar, pensar na nação. Você não discute desenvolvimento e democracia pensando somente em uma parcela da sociedade. Portanto, obriga o movimento a avançar na pauta que é exclusivamente racial e pensar como maioria populacional já que somos 50,6% da nação e pouco temos contribuído para a estratégia nacional”, explicou.

Democracia sob a ótica do movimento negro
Discutir a questão racial de uma forma mais abrangente é um dos objetivos da Unegro durante a Conferência.”Nos acreditamos que o movimento negro sairá com um nível maior de entendimento, de como estruturar sua luta daqui para frente. Não vamos ficar presos ao campo da política publica e ao campo da denúncia. Vamos pensar um pouco o Brasil. Porém, com uma limitação obviamente porque o movimento social negro nunca fez essa reflexão. Se tem é algo individual, isolado. O movimento negro tem uma dificuldade crônica, por exemplo, de discutir um tema como Economia e de considerar esse debate importante para a questão. O movimento também subestima a discussão da democracia também, entende democracia de uma maneira muito limitada”, pondera Edson França que acredita que o racismo não será combatido somente com políticas públicas. “Nos temos que construir uma nação diferente, mais inclusiva, são outras dimensões de luta, de reivindicação de construção”, completa.

O principal gargalho do movimento negro é a representatividade nos espaços de representação: “Temos direito ao voto e tudo aquilo que a democracia formal oferece à população negra. Mas, precisamos avançar na representação de negros e negras nos espaços de poder. Vamos chamar a atenção, para um maior envolvimento do movimento com a reforma política, por exemplo”.

A sub-representação da população negra é absolutamente evidente. Apenas 8% dos parlamentares brasileiros são negros. Dos atuais 40 ministérios do Governo Dilma, somente um é liderado por uma mulher negra, que é justamente a Seppir. Das 50 maiores estatais brasileiras, apenas uma delas tem um negro na presidência.

Cotas

Outro ponto que será amplamente debatido na conferência são cotas raciais e sociais. Edson lembra que ainda não é uma luta vencida. “Apesar de haver uma lei federal, não temos em todos os estados, em todos os municípios. Além disso, precisamos dar condições aos estudantes que entram a partir da lei de cotas. Não adianta ter cota e não ter dinheiro para a condução ou para as refeições. Então é preciso consolidar essas políticas”, avalia.

A violência contra a juventude negra também é um tema bastante caro à Conferência. “Estamos com um problema grave que seremos cobrados pelos historiadores no futuro, que é o extermínio da juventude negra. A presidenta Dilma, inclusive, reconheceu esse problema recentemente”, destaca Edson, referindo-se ao assassinato do estudante Douglas Rodrigues, 17 anos, no domingo (27/10) por um policial militar na zona norte de São Paulo.

A questão quilombola também será abordada pelos militantes da Unegro durante a Conferência. “Atualmente, existem 2600 comunidades quilombolas. Dessas, nem uma dezena chegou a ser reconhecida. Tivemos um retrocesso”, lamenta Edson. Segundo o presidente da Unegro, a judicialização dos processos é o maior impeditivo para a regularização dos territórios quilombolas.

Deborah Moreira
Da redação do Vermelho

sábado, 13 de setembro de 2014

Dilma pretende ampliar programa de combate à violência contra negros

Da Agência Brasil Edição: Fernando Fraga
foto:arquivo Edson França
A candidata à reeleição Dilma Rousseff afirmou hoje (13) que pretende ampliar o programa de combate à violência contra jovens negros. Dilma reuniu-se neste sábado (13) com integrantes do Movimento Negro, em Nova Lima (MG).

Durante o encontro, a candidata afirmou que a promessa será cumprida por meio da ampliação do atual Programa Juventude Viva. Segundo Dilma, além da política pública, a construção de valores também fará parte da proposta.

"O Brasil precisa de valores, se não tivermos a cultura de valores criamos a cultura do confronto e da violência. Nesse caso em que a pessoa que falou um imenso preconceito contra o negro teve sua casa queimada, isso também não é correto. Isso é a perda de valores civilizatórios", declarou a candidata.

Além da proteção aos jovens negros, Dilma voltou a defender a criminalizarão da homofobia e garantiu que vai continuar o combate à violência contra as mulheres. "Não se pode matar, praticar violência e dano físico ou agressão por conta da orientação sexual de uma pessoa”, disse.

Dilma também lembrou de outras ações afirmativas, como a Lei das Cotas nas universidades e a norma que reserva 20% das vagas em concursos públicos para candidatos negros. "Me orgulho muito da Lei de Cotas nas universidades, que garante que as universidades que eram eminentemente brancas tenham agora, progressivamente, a cor do Brasil, que é essa miscigenação que nós representamos e essa diversidade racial. Da mesma forma eu me orgulho também da lei que garantiu para o serviço público federal que 20% têm de começar a ser preenchido por população afrodescendente", disse.

Segundo Dilma, a Lei dos Royalties, que destina parte dos ganhos para a educação, também vai trazer benefícios ao movimento negro. "Pois vocês fiquem sabendo que ela é estratégica, sim, porque ela vai mudar esse país nós próximos dez anos, porque foi o movimento social, o movimento dos negros, das mulheres, dos sindicatos, dos jovens, que construíram essa possibilidade fantástica que é transformar petróleo em educação", concluiu.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Folha, cotas e a jogada de marketing

publicado: revista Fórum
por: Dennis de Oliveira


O jornal Folha de S. Paulo lançou uma campanha publicitária semana passada e, entre as várias peças, há uma que destaca o posicionamento do jornal contra as cotas raciais. Posicionamento compartilhado por uma modelo negra. Esta peça publicitária do jornal despertou a revolta de várias lideranças do movimento negro, principalmente nas redes sociais.

Gerar polêmicas é uma velha estratégia da Folha de S. Paulo. Neste caso, há uma bem inteligente montagem que acabou por transferir a polêmica para dentro do movimento negro. E exatamente este o objetivo da estratégia de marketing do jornal. E como foi feito isto?

1o.) Usando a polêmica das cotas raciais. Que o jornal é contra as cotas raciais, até o mundo mineral (como costuma dizer o jornalista Mino Carta) sabe. Isto já foi expresso em editoriais. Por si só, isto é explosivo, pois é um assunto que ainda gera polêmicas imensas. Se há quase um consenso de que existe racismo no Brasil, ainda existem muitas resistências em enfrentar o racismo por meio de políticas públicas específicas. Isto porque há uma apropriação ideológica do sentido de racismo como uma mera manifestação pontual de comportamentos desviantes. Assim, racismo é alguém ofender ou agredir racialmente uma pessoa, mas não uma instituição (como a universidade pública) dificultar o ingresso de negros e negras nas suas fileiras.

2o.) Usando uma mulher negra para ser contra as cotas. Aí entra a grande jogada esperta da Folha: ao colocar isto, ela passa a mensagem de que não é consenso entre os negros e negras a defesa das cotas e que ela, a Folha, está acima de “clivagens raciais” e representa também a opinião de negros e negras que são contra as cotas. Em outras palavras, que a Folha é “mais tolerante racialmente” que o próprio movimento negro que “não admitiria” negros e negras contra as cotas.

E tem sido justamente isto o que ela tem conseguido quando se observa a polêmica radicalizada nas redes sociais, chegando ao nível da ofensa pessoal, com relação a este assunto.

A mesma estratégia o jornal utilizou no tema do massacre do Estado de Israel na Faixa de Gaza. Publicou um artigo de Ricardo Bonalume, que defende a criação de um estado único pluriétnico na região, com judeus e palestinos (o que implicaria no fim do Estado de Israel) e isto gerou polêmicas acirradas entre os leitores, na coluna da ombudsman e, finalmente, foi coroada com um artigo-resposta do cônsul de Israel no domingo.

Imaginem como o jornal foi falado neste tempo todo. É exatamente este o objetivo.

Neste debate todo, sempre se ressalta o tal direito de opinião, liberdade de expressão, etc. É muito positivo que a reivindicação de direitos esteja presente nos debates. Entretanto, penso que em alguns momentos, confunde-se “direito” com “desejo”. Nem todo desejo se configura em um direito legítimo. Você pode desejar que determinada pessoa não expresse sua opinião, mas não tem o direito de silenciá-la. Ou então você pode desejar que todos concordem com você, mas não tem o direito de ofender as pessoas que discordem ou ainda falsear informações para sustentar uma posição. Isto é importante principalmente para quem expressa publicamente posições via órgãos de comunicação ou redes sociais.

No caso da Folha de S. Paulo, o jornal tem todo o direito de expressar suas posições. Não tem o direito, entretanto, de se apresentar falsamente como um jornal plural quando se percebe a prioridade dada a determinadas fontes, a certas pautas, a angular os assuntos por meio de manchetes editorializadas.

E, nós, do movimento negro, é importante entendermos estas estratégias de marketing das empresas de comunicação. Para justamente não fazer o jogo que elas querem que a gente faça.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Unegro completa 26 anos de luta por uma sociedade livre do racismo


A entidade fundada em Salvador, na Bahia, nasceu em pleno processo de redemocratização do país e busca combater o racismo e toda forma de discriminação e opressão social. Edson falou sobre as importantes conquistas da Unegro ao longo destes 26 anos e enfatizou a inclusão da juventude negra no ensino universitário. Ele comparou a presença dos negros nos congressos da UNE há 26 anos e agora, que, devido aos programas sociais, aumentou consideravelmente. “Incluir a população negra é incluir a população na nação”, afirmou. Apesar de jovem, a Unegro já conta com uma série de batalhas vencidas, na guerra diária contra o racismo. A entidade desempenhou papel importante na construção do I Encontro Nacional de Entidades Negras; no Congresso Continental dos Povos Negros das Américas, encontros nacionais de mulheres negras, trabalhadores e sindicalistas anti-racismo da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), entre outras iniciativas. Edson também ressalta a luta de classes um dos pontos centrais do combate ao racismo da Unegro. Para ele, o preconceito está diretamente ligado ao sistema capitalista vigente que é opressor e excludente. Ele ressalta que apesar de estar em sintonia com o movimento negro de um modo geral, a Unegro se destaca justamente por não deixar de lado a questão da luta de classes.


Na ocasião, Edson também falou sobre a conjuntura política brasileira, os avanços sociais conquistados nos últimos 12 anos, de governos Lula e Dilma e a campanha presidencial que já começou. 


terça-feira, 1 de julho de 2014

Pelo respeito a todas as famílias


Publicado em 01/07/2014 | TONI REIS* -Gazeta do Povo

Dados do Censo Demográfico de 2010 (IBGE) retratam a existência da diversidade nos arranjos familiares atuais: 66,2% são famílias “nucleares” (definidas como um casal com ou sem filhos, ou uma mulher ou um homem com filhos); 19% são estendidas (mesmo arranjo anterior, mas inclui convivência com parente ou parentes); 2,5% são compostas (inclui convivência com quem não é parente) e os demais 12,3% são pessoas que moram sozinhas.

No entanto, em outubro de 2013, um deputado federal apresentou na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei (PL) n.º 6.583/13, o “Estatuto da Família”. Nele, o artigo 2.º estabelece que “para os fins desta lei, define-se entidade familiar como o núcleo social formado a partir da união entre um homem e uma mulher, por meio de casamento ou união estável, ou ainda por comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes”.

A proposição vem na contramão da realidade informada pelo Censo e propõe criar, insidiosamente, divisões na sociedade que a própria Constituição Federal buscou eliminar. Em 5 de maio de 2011, o Supremo Tribunal Federal (STF), guardião da Constituição, entendeu, por unanimidade, que o direito fundamental constitucional da igualdade perante a lei predomina sobre a redação do seu artigo 226, § 3.º, segundo o qual, “para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar”, e com base nesse entendimento o STF equiparou a união estável homoafetiva à união estável entre o homem e a mulher.

Mas não seriam apenas as famílias homoafetivas que teriam seus direitos violados pelo PL n.º 6.583/13. Ele também discrimina e relega à condição de cidadãs de segunda classe as pessoas cuja maneira de constituir uma família não se enquadre na definição estreita colocada no seu artigo 2.º.

Em sua justificação, o autor do PL n.º 6.583/13, que também foi relator do projeto de lei da “cura gay” na Comissão de Direitos Humanos e deu parecer favorável ao mesmo, revela ainda mais a sua verdadeira motivação quando afirma que é preciso enfrentar as “questões complexas a que estão submetidas às famílias num contexto contemporâneo”, entre elas a “desconstrução do conceito de família, aspecto que aflige as famílias”.

Enfim, ao que parece, o que permeia as motivações pela apresentação da proposição e seu teor discriminatório são as convicções religiosas pessoais do seu autor e o patente desrespeito pela laicidade do Estado, quando esta, constitucionalmente, deveria prevalecer no ato de propor leis.

Na justificação do PL, o deputado afirma que o apresentou porque “não há políticas públicas efetivas voltadas especialmente à valorização da família”. Mas, na verdade, o deputado não tem em mente a valorização de todas as formas de família comprovadamente existentes, e sim a imposição de um só tipo de família, em detrimento das demais, não menos válidas. Se de fato há necessidade de um estatuto dessa natureza, seria mais apropriado e condizente com a realidade se tivesse o título de Estatuto das Famílias, em consonância com o conceito que a Lei Maria da Penha ofereceu já em 2006: “família, compreendida como a comunidade formada por indivíduos que são ou se consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa” (art. 5.º , inciso II).

Pelo respeito a todas as famílias.

*Toni Reis, doutor em Educação, é casado com David Harrad há 25 anos. São pais de três filhos





sexta-feira, 27 de junho de 2014

Prêmio Nacional em Direitos Humanos



inscrições no link abaixo:

http://www.educacaoemdireitoshumanos.sdh.gov.br/

O Ministério da Educação – MEC por meio da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão – MEC/SECADI, em conjunto com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República – SDH/PR, sob a coordenação da Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura – OEI, com o apoio do CONSED e da UNDIME e patrocínio da Fundação SM, instituiu o Prêmio Nacional de Educação em Direitos Humanos por meio da Portaria Interministerial n° 812, de 2 de julho de 2008.

Em sua primeira edição, em 2008, o Prêmio Nacional de Educação em Direitos Humanos objetivou a identificação e valorização de experiências educacionais significativas para a promoção de uma cultura de direitos humanos, envolvendo o conhecimento e a defesa dos direitos fundamentais, atividades de respeito às diversidades e de práticas democráticas no ambiente educacional. Nesta oportunidade, foram 350 experiências inscritas. São Paulo foi o estado com o maior número de trabalhos inscritos (86), seguido por Rio Grande do Sul (40), Rio Janeiro (38) e Minas Gerais (26). Participaram 35 Secretarias Estaduais e Municipais de Educação, 153 Escolas Públicas e 65 Escolas Privadas de Educação Básica, 92 Departamentos ou Faculdades de Instituições de Educação Superior Públicas e Privadas.

Em 2010, na segunda edição do Prêmio Nacional de Educação em Direitos Humanos manteve o mesmo objetivo; foram 220 projetos inscritos em sua segunda edição. A maioria advinda da região Sudeste, que reúne 93 trabalhos. A região Norte do país contou com 7 projetos, e 39 são do Nordeste, 41 do Centro-Oeste e 48 do Sul.

Na terceira edição do Prêmio, em 2012, inscreveram-se mais de 250 trabalhos vindos de todos os estados da federação, apresentados por instituições públicas e privadas de educação básica e superior, além de secretarias estaduais e municipais de educação.

Em 2014 permanecem as mesmas categorias das edições anteriores, sendo que, nesta quarta edição do Prêmio, a menção honrosa será outorgada a experiências especificamente realizadas na área da educação indígena. Entende-se por essa temática todas as atividades de formação de educadores/as para uma atuação em Direitos Humanos vinculada à educação indígena.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Unegro propõe debate sobre a vaga de Joaquim Barbosa


A presença do ministro Joaquim Barbosa no Supremo Tribunal Federal (STF), a mais alta corte do país, em que pese todas as controvérsias que ele criou, é importante para os negros brasileiros e um representante da raça deve ser nomeado para seu lugar. Esta é a posição da União dos Negros pela Igualdade (Unegro) do Distrito Federal, ao anunciar mobilização do movimento negro para influenciar a presidenta Dilma Rousseff pela indicação de outro nome negro para ocupar a vaga de Barbosa.
A Unegro-DF anunciou vai buscar apoio de outras entidades para tentar influenciar na decisão da presidenta.“O ministro Joaquim Barbosa exerceu uma carreira muito controvertida no Supremo e, do ponto de vista do papel de juiz, deixou a desejar. Mas a sua presença ali foi emblemática para nós negros, muito representativa e nós achamos que a presidente Dilma deve seguir o mesmo pensamento do ex-presidente Lula indicar um negro para a vaga do Joaquim Barbosa”, afirmou Santa Alves, presidente da Unegro-DF (foto).

Ela anunciou que a entidade vai deflagrar esta semana um debate entre os representantes do movimento negro e dos movimentos sociais para buscar influenciar na decisão da presidenta.

O presidente da Confederação dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) do Distrito Federal, Aldemir Domício, já anunciou que fará parte da mobilização pela manutenção de um representante negro no STF.

“A CTB vai se engajar nesta campanha. Nós entendemos que a presença de um negro no Supremo foi uma conquista histórica para um segmento social que representa mais da metade da população. E nós queremos manter esta conquista”, afirmou.

Outra entidade que quer debater o tema é a Comissão de Jornalista pela Igualdade Racial (Cojira), entidade ligada ao Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal. Internamente seus membros vêm debatendo o significado de um negro na mais alta corte do país. A entidade também defende a manutenção da conquista.

A decisão caberá a Dilma, que por sua vez deverá consultar o ministro Ricardo Lewandowski, que assumirá a presidência do Supremo após a saída de Barbosa no final deste mês.

Da Redação em Brasília
Fonte: Brasil Notícia

sábado, 21 de junho de 2014

Sociedade capitalista, racismo e sexismo: a importância da autocrítica feminista

por: Marjorie Chaves
publicado: blogueirasnegras.org

À medida que mais e mais mulheres adquiriram prestígio, fama ou dinheiro a partir de textos feministas ou de ganhos com o movimento feminista por igualdade no mercado de trabalho, o oportunismo individual prejudicou os apelos à luta coletiva.bell hooks
Não há capitalismo sem racismo.
Malcolm X

Não há luta antirracista e antissexista fora da luta de classes. Pesquisas que sintetizam informações estatísticas desagregadas em gênero e raça como o Anuário das Mulheres Brasileiras (2011) evidenciam a situação de indigência e pobreza vivida por mulheres negras e a sua concentração em postos de trabalhado vulneráveis como o trabalho doméstico e o de cuidados em regiões metropolitanas e Distrito Federal. Os recentes estudos sobre relações de gênero no mundo do trabalho pouco têm avançado em considerar a questão racial como um dos principais elementos na distribuição de lugares e papéis sociais que constituem as desigualdades na sociedade capitalista.

Esse silenciamento pode ser explicado pela maneira como vem se consolidando os estudos feministas e de gênero nas universidades brasileiras com produções teóricas cada vez mais sofisticadas e distanciadas da realidade de mulheres pobres e racializadas que compõem parte significativa da força de trabalho. Para bell hooks (1984),“tem sido mais fácil para as mulheres brancas que não vivenciam opressão de raça ou classe se concentrarem exclusivamente no gênero”.

Nas décadas de 1970 e 1980 feministas negras como Angela Davis, bell hooks e Lélia Gonzalez já apontavam que a luta antirracista é indissolúvel da luta de classes. A recusa de feministas em reconhecer outras experiências de mulheres (que não as brancas, universitárias e de classe média) suprimiu a conexão entre raça e classe, escamoteando a situação de privilégio de um seleto grupo de mulheres forjado pelo discurso da “opressão comum”.

Nancy Fraser (2009) lembra o quanto o feminismo prosperou no momento da ascensão do neoliberalismo em que as reivindicações por justiça foram substituídas em função do reconhecimento da identidade e da diferença, reprimindo a memória de um igualitarismo social. A promessa emancipatória do feminismo, aos poucos deu lugar aos interesses individuais de mulheres privilegiadas que almejavam a igualdade com os homens de sua classe. As lutas feministas foram facilmente cooptadas pelo pensamento burguês a medida que mulheres brancas foram beneficiadas pelo movimento.

O capitalismo não cria desigualdades raciais e de gênero, ele as apropria. O racismo e o sexismo operam de modo a criar disputas dentro da própria classe trabalhadora gerando privilégios na competição por ocupações do mercado de trabalho. A divisão sexual do trabalho (HIRATA; KERGOAT, 2007) em que há, supostamente, trabalhos de mulheres e trabalhos de homens, sendo os desses últimos mais valorizados, não funciona da mesma maneira para todas as mulheres. A experiência de mulheres negras na diáspora é a experiência do trabalho, sempre estivemos nas ruas oferecendo todo tipo de serviço.

Cada vez que mais e mais mulheres passaram a ocupar o mercado de trabalho, foi preciso que outras assegurassem seu trabalho doméstico criando uma subdivisão de classe no interior da divisão sexual do trabalho (ÁVILA, 2010). A delegação de tarefas, além de não proporcionar a divisão igualitária do trabalho reprodutivo entre homens e mulheres, perpetua as desigualdades entre mulheres, assim como as desigualdades raciais, já que são as mulheres negras que historicamente ocupam o lugar do trabalho doméstico remunerado.

Se a autocrítica faz parte da ação e da elaboração teórica dos feminismos como alguém pode considerar a si mesmo como feminista sendo liberal e racista? Muitas organizações contemporâneas de mulheres negras sequer utilizam o termo “feminismo” para designar sua prática política. No entanto, o que costumamos nomear de prática feminista negra ou pensamento negro feminista é o conhecimento gerado a partir da própria experiência em resposta às opressões que interseccionam gênero, raça, classe e sexualidade (COLLINS, 2012), afirmando um posicionamento crítico ao feminismo hegemônico que pouco tem nos representado. É necessário refletir sobre qual emancipação queremos, pois as lutas antissexistas e antirracistas por si só não abalam as estruturas do capitalismo que, por seu oportunismo sistemático, apropria-se das desigualdades raciais e de gênero para acirrar a exploração econômica e fragmentar todas as formas de resistência.

Referências:

ÁVILA, Maria Betânia. Divisões e tensões em torno do tempo do trabalho doméstico no cotidiano. Revista do Observatório Brasil da Igualdade de Gênero. Edição especial – Tema: Trabalho e Gênero. Brasília: Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, 2010. p.67-76.

COLLINS, Patricia Hill. Rasgos distintivos del pensamiento feminista negro. In: JABARDO, Mercedes (Ed.). Feminismos negros: uma antología. España: Traficantes de Sueños, 2012. p. 99 a 134.

DIEESE. Anuário das mulheres brasileiras. São Paulo: DIEESE, 2011.

FRASER, Nancy. O feminismo, o capitalismo e a astúcia da história. Mediações. Londrina, v. 14, n. 2, p. 11-22, jul./dez. 2009.

HIRATA, Helena; KERGOAT, Danièle. Novas configurações da divisão sexual do trabalho. São Paulo, Cadernos de pesquisa, v. 37, n. 132, set.-dez. 2007, p. 595-609.

HOOKS, bell. Feminist Theory: from margin to center. Boston and Brooklyn: South End Press Classics, 1984.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Síndrome de Cirilo e a solidão da mulher negra

Mabia Barros*
publicado: blogueirasnegras.org

O post é na esteira do Dia dos Namorados e é um pensamento em construção. E como todo pensamento em construção, tem um quê de autobiográfico. Contudo, mais que isso, esta é uma observação que tenho feito e que, espero, consiga sanar minhas curiosidades acerca do tema muito em breve, num mestrado. Antes de tudo, explico o meu lugar de fala: cis, negra, heterossexual. Primeiro, vamos à Síndrome de Cirilo. Antes me referia a ela como um complexo, mas acredito que síndrome seja a nomenclatura mais adequada. Coloquei o link do post ótimo da Daniela Gomes, mas explico um pouco: Cirilo é o garotinho negro da novela infantil Carrossel, que passa toda a trama sendo humilhado e desdenhado pela menininha rica e loira, pela qual ele se interessa. Cirilo, apesar de humilhado e rejeitado, visivelmente não pertencente àquele grupo, se esforça para estar “à altura de sua amada” e sofre com a rejeição, mas não a compreende como racismo, apenas absorve a imposição de inferioridade e se ressente por não ser igual ao seu rival.

Maria Joaquina e Cirilo em cena da novela Carrossel, exibida pelo SBT

Nesta relação Cirilo-Maria Joaquina há toda uma historicidade das relações “amorosas” entre homens negros e mulheres brancas, especialmente depois da abolição da escravatura. Estar com uma mulher branca é mudar de status, é evoluir, é ser aceito na roda dos “bem nascidos”. Larissa Santiago falou sobre isso em Relações inter raciais – isso não é sobre amor. É preciso entender que os nossos gostos, que tanto dizemos que “não se discute”, são construídos socialmente. São influenciados desde cedo pelo que aprendemos e vemos em casa, no cinema, na TV, nos quadrinhos, nas propagandas… E, convenhamos, vivemos num país cujo padrão de beleza hegemônico é eurocêntrico. O que beleza tem a ver com isso?! Numa era em que tudo é imagem, tem tudo a ver. Por mais que a pessoa diga que não escolhe x parceirx romântico baseado em aparência, no fundo, existe sim alguns critérios que x “pretendente” precisa ter. E os aspectos raciais estão intrínsecos nesse jogo. Ter o nariz de batata, a pele negra, o cabelo crespo… Claro que, aquelas consideradas “até que bonitas para uma negra” não sofrem tanto com o problema, por estarem dentro do estereótipo da mulher negra que é sexualizada e transformada em objeto de desejo. Sorte (?) da delas.

Mas é esta preferência (ou principalmente ela) pela mulher branca que leva à solidão da mulher negra. Ser preterida pelos brancos, ok. Mas os negros também preferem as branquinhas. São mais bonitas, né? Dá para fazer cafuné, brincar com os cabelos, os filhos não vão “sofrer” com o cabelo “duro”, ele vai poder “clarear a família”. Há até quem ache que o mestiço tem vantagens no Brasil. Como se diz na Bahia: Aonde?! Outra coisa que ouço bastante, infelizmente até de mim mesma, é que há poucos negros com que se relacionar nas classes média/média-alta. Eu acredito piamente que moro no bairro errado. rs Mas não deixo que isso impeça que eu conheça pessoas de outros lugares. Onde eu moro e no meio onde trabalho são mesmo raros os negros. Estamos começando agora. Mas, os poucos que vejo, usualmente namoram com uma menina branca. Não se reconhecem como negros ou acham que “esse negócio de raça é bobagem, somos todos humanos”. Também tem os que me chamam de paranoica, mas estes eu converso com calma, até me entenderem…

No frigir dos ovos, temos, por um lado, meninos que sofrem desde crianças para se adequar a um padrão irreal e meninas que, igualmente, se mutilam para tentar alcançar o padrão inalcançável e as que são rejeitadas. Tem que ver isso aí, produção!

JUSTIÇA SELETIVA CONDENA MAIS NEGROS E POBRES

por. Mônica Francisco*
publicado:www.Brasil247.com
Mônica Francisco, em artigo publicado no Jornal do Brasil, fala sobre a impunidade brasileira e o tratamento severo aos pequenos delitos praticados por negros e pobres, enquanto grandes atos de corrupção, conhecidos como crimes do colarinho branco, são tratados com menor rigor e recebem maior tolerância social: “Gritamos por redução da maioridade penal mas votamos naqueles que matam por roubar dinheiro da educação, saúde, dinheiro nosso e do nosso trabalho, nosso sangue”

O tratamento diferenciado aos diversos autores de crimes, oferecendo rigorosidade e penas severas a infrações leves, entretanto, praticada por uma população, em geral, negra e vinda de territórios populares, enquanto outros, empresários, articulados ou ligados a atores de posse de respeito e zelo social de outros indivíduos pertencentes a diversos níveis de poder, são absolvidos ou tratados com respeito e privilégio pela justiça brasileira, é tema de artigo publicado no Jornal do Brasil escrito por Mônica Francisco, representante da Rede de Instituições do Borel, Coordenadora do Grupo Arteiras e aluna da Licenciatura em Ciências Sociais pela UERJ: “Somos implacáveis quando vemos um jovem negro cometer delitos. (...) Mas quando assistimos à sanha criminosa de empreiteiras e políticos, expostos pela própria polícia, mídia e justiça, nos limitamos a dizer que não vai dar em nada, que tudo acaba em pizza, e o tudo acaba em pizza vira mantra para não nos darmos conta de que somos cada vez mais aborrecidos, mas condescendentes com os poderosos e extremamente severos com os mais fracos”.

Monica traz ainda, enquanto exemplo da disparidade jurídica no Brasil, o cenário atual nas carceragens brasileiras e a passividade social com que esse tema é tratado, assim como os crimes de colarinho branco: “Os números da população carcerária nos deveriam causar constrangimento, sim porque eles não são o resultado de eficácia na aplicação da justiça e sim nosso atestado de falência no que diz respeito a ela” e completa: “Os crimes, sim crimes praticados por doleiros, empreiteiros, empresários, os famosos crimes do colarinho branco, nos afrontam cotidianamente e convivemos com eles com a mesma passividade com a qual convivemos com os números alarmantes de negros ou não brancos jovens que são mortos de forma extremamente violenta anualmente neste país”.

Leia a seguir o artigo completo.
Por *Mônica Francisco para o Jornal do Brasil

As empreiteiras, a Justiça e a impunidade

Ao ouvir o senso comum nas ruas e nas vielas das favelas, bares, "tendinhas", esquinas ou outra roda de conversa qualquer onde o assunto seja a tão propalada e desejada justiça, vem logo a célebre frase: "Cadeia é para pobre, preto e favelado."

Em seguida um sem número de exemplos vêm como enxurrada: corruptos que recebem tratamento privilegiado desde a suspeita até o momento que culmina com o breve ato da prisão. Algemas, exposição vexatória, algum "carimbo" especial deixado por alguma utilização de força "desproporcional" não cabem nesta "agenda".

Sabe-se exatamente qual será o futuro do pretenso ato de fazer justiça e dar uma satisfação à sociedade. Tudo isso acaba com um arquivamento aqui, uma pessoa que era ligada a tal político ou empreiteiro, empresário ou afins e que fazia tudo sem conhecimento da vítima injustiçada e caluniada. Tudo ficará esclarecido e nada terão contra o dito cidadão de bem que confiou, pobre coitado, em algum assessor, conselheiro ou vice-presidente que não devia. Filme trash, repetido com direito a infindáveis releituras.

À classe dominante, dita culta, letrada e de fina cepa, ainda que conquistada de maneira duvidosa, não cabem muitos destes exemplos. Donos de empreiteiras enchem os jornais e noticiários diariamente.

Os números da população carcerária nos deveriam causar constrangimento, sim porque eles não são o resultado de eficácia na aplicação da justiça e sim nosso atestado de falência no que diz respeito a ela. Já escrevi aqui e torno a repetir que a prisão brasileira é monocromática majoritariamente, ou quando não, com algumas nuances sempre para cima, sempre em um tom a "mais".

Somos a quarta maior população carcerária do mundo, perdendo somente para Estados Unidos, China e Rússia. Segundo o Conselho Nacional de Justiça, temos mais de quinhentas mil pessoas presas no Brasil.

Os crimes, sim crimes praticados por doleiros, empreiteiros, empresários, os famosos crimes do colarinho branco, nos afrontam cotidianamente e convivemos com eles com a mesma passividade com a qual convivemos com os números alarmantes de negros ou não brancos jovens que são mortos de forma extremamente violenta anualmente neste país.

Somos implacáveis quando vemos um jovem negro cometer delitos, não me refiro aqui a crimes mais graves, falo de pequenos delitos.A sanha por justiça se manifesta de forma primitiva e vamos às raias da loucura para vingarmos o crime pela sensação de impunidade, mas quando assistimos à sanha criminosa de empreiteiras e políticos, expostos pela própria polícia, mídia e justiça, nos limitamos a dizer que não vai dar em nada, que tudo acaba em pizza, e o tudo acaba em pizza vira mantra para não nos darmos conta de que somos cada vez mais aborrecidos, mas condescendentes com os poderosos e extremamente severos com os mais fracos.

Gritamos por redução da maioridade penal mas votamos naqueles que matam por roubar dinheiro da educação, saúde, dinheiro nosso e do nosso trabalho, nosso sangue. Parafraseando o naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire (1779-1853) que cunhou a frase "ou o Brasil acaba com as saúvas ou as saúvas acabam com o Brasil", por conta de uma praga das danadinhas que ameaçava as grandes plantações, ou acabamos com a corrupção endêmica ou ela acabará conosco como nação.

As favelas e áreas periféricas do Rio de Janeiro conhece bem todos os impactos causados pelas grandes empreiteiras e muitas delas envolvidas em escândalos públicos. Escrevo esse artigo com a notícia de que a soltura dos envolvidos na Operação Lava-Jato não acontecerá como anunciado nesta segunda-feira, 19 de maio.

Que nossos magistrados com mão tão pesada para punir os menos afortunados, tenham serenidade e bom senso, e mais do que isso, humanidade para entender onde de fato está o mal do Brasil, quem de fato é a personificação do mal neste país e onde ele se manifesta de forma tão ou mais cruel do que nos becos e vielas da favela ou das grandes periferias deste país.

Me parece que o mal veste terno e tem classe, ah, e tem dinheiro para comprar o que eles entendem ser sua própria justiça. Que nossos magistrados possam mostrar-lhes que justiça e honra não se vendem. De verdade, torço pra isso.

Não podemos mais continuar compactuando de forma passiva e quase que hipnótica com estas práticas que nos afrontam diariamente. Rios de dinheiro para empreiteiras e hospitais completamente sucateados, escolas em situação vergonhosa e sem falar no déficit de moradias para as camadas mais baixas da população. Queremos ver a cadeia menos monocromática e tão diversa como o país, precisamos da cura, ou a corrupção nos consumirá como uma peste.

"A nossa luta é todo dia e toda hora. Favela é cidade. Não à GENTRIFICAÇÃO ao RACISMO, ao RACISMO INSTITUCIONAL, ao VOTO OBRIGATÓRIO e à REMOÇÃO!"

*Representante da Rede de Instituições do Borel, Coordenadora do Grupo Arteiras e Consultora na ONG ASPLANDE.

Um herói a ser seguido - Steve Biko

Stephen Bantu Biko (18 de dezembro de 1946 - 12 de setembro de 1977) era um ativista anti-apartheid da África do Sul na década de 1960 e 1970.
    Líder estudantil, fundou o Movimento da Conciência Negra (Black Consciousness Movement), que capacitava e mobilizava grande parte da população negra urbana. Desde sua morte sob custódia da polícia, ele foi chamado de mártir de um movimento anti-apartheid. Enquanto vivia, seus escritos e ativismo tentou capacitar as pessoas negras, e era famoso por seu slogan "black is beautiful", que o próprio descreveu como: "você está bem como você é, comece a olhar para si mesmo como um ser humano".

    Mesmo que Biko nunca tenha sido um membro do Congresso Nacional Africano (ANC), foi incluído no panteão dos heróis de luta, indo tão londe como a utilização de sua imafem para cartazes de camapanha nas primeiras eleições não-raciais da África do Sul em 1994. Nelson Mandela disse a respeito de Biko: "Eles tiveram que matá-lo para prolongar a vida do apartheid".

    Mesmo que Biko nunca foi membro do Congresso Nacional Africano (ANC), ANC incluiu-o no panteão dos heróis de luta, indo tão longe como a utilização de sua imagem para cartazes de campanha nas primeiras eleições não-raciais da África do Sul em 1994. Nelson Mandela disse de Biko: "Eles tiveram que matá-lo para prolongar a vida do apartheid."

    Stephen Bantu Biko é filho de Mzingayi Mathew e Alice 'Mamcete' Biko, nascido em Ginsberg Township, na atual província do Cabo Oriental da África do Sul. Seu pai era funcionário do governo, enquanto sua mãe fez o trabalho doméstico em casas de brancos. O terceiro de quatro filhos, Biko cresceu com sua irmã mais velha, Bukelwa; seu irmão mais velho, Khaya; e sua irmã mais nova, Bobandile. Em 1950, com 4 anos, Biko sofreu a perda de seu pai, que estava estudando direito.

    Steve era um Xjosa. Além de Xhosa, ele falava fluênte inglês e africâner. Quando criança, ele estudou na Brownlee Primary School e Charles Morgan Higher Primary School. Foi enviado para Lovedale High School em 1964, um internato de prestígio em Alice Eastern Cape, onde seu irmão mais velho, Khaya, anteriormente havia estudado. Durante a era do apartheid, sem liberdade de associação protetora para Sul-africanos não-brancos, Biko foi expulso de Lovedale por suas opiniões políticas,e seu irmão foi preso por sua suposta associação com Poqo (agora conhecido como Azaniam People's Liberation Army). Depois de ser expulso, se formou mais tarde na St. Francis College, uma instituição católica romana em Miriannhill, Natal.

    Ele estudou para ser médico na Universidade Médica de Natal.

    Biko se casou com Ntsiki Mashalaba em 1970. Eles tiveram dois filhos juntos: Nkosinathi, nascido em 1971, e Samora.

    Ele também tinha dois filhos com a Dra. Mamphela Ramphele, uma ativista de destaque dentro do BCM: a filha, Lerato, nascida em 1974, que morreu de pneumonia quando ela tinha apenas dois meses de idade, e um filho, Hlumelo, que nasceu em 1978 após a morte de seu pai.

    Biko também teve uma filha com Lorraine Tabane, chamada Motlatsi, nascida em maio de 1977.

    Ele foi envolvido com a multirracial União Nacional dos Estudantes Sul-Africanos, mas depois que se convenceu que era negro, decidiu que precisava de uma organização própria, e ajudou a fundar a Organização dos Estudantes Sul-Africanos (SASO), cuja ageda incluiu auto-suficiência política e da inificação de estudades universitários em uma "conciência negra". Em 1968, Biko foi o primeiro presidente negro eleir. SASO evoluiu para o Movimento de Conciência Negra influente (BCM) e também estava envolvido com a Federação Mundial dos Estudantes Cristãos.

    No início de 1970, Biko tornou-se uma figura-chave no momento Durban. Em 1972, ele foi expulso da Universidade de Natal por causa de suas atividades políticas e tornou-se presidente honorário da Convenção do Povo Negro. Ele foi "banido" pelo governo do apartheid em fevereiro de 1973, ou seja, ele não estava autorizado a falar com mais do que uma pessoa, impossibilitando assim que ele falasse em público, era restrito à cidade distrito judiciário do Rei William e não poderia escrever publicamente ou falar com a mídia. Também foi proibido citar qualquer coisa que ele disse, incluindo discursos ou conversas simples.

    Quando Biko foi "banido", o seu movimento dentro do país estava restrito ao Cabo Oriental, onde ele nasceu. Depois de voltar paralá, ele formou uma série de organizações de base com base na noção de auto-suficiência: Zanempilo, o Fundo Fiduciário Zimele (que ajudou a apoiar ex-presos políticos e suas famílias).

    Apesar da representação do governo do apartheid, Biko e o BCM desempenharam um papel significativo na organização dos protestos que culminou com a Revolta de Soweto de 16 de junho de 1976. Na sequência da revolta, que foi recebido som uma mão pesada pela força de seguranaça, as utoridades começaram a alvejar Biko ainda mais.

    Em 18 de agosto de 1977, Biko foi preso em uma barreira policial e interrogado por oficiais da polícia. Esse interrogatório ocorreu na sala de polícia 619 do Edifício Sanlam em Port Elizabeth. O interrogatório durou 22 horas e incluiu tortura e espancamentos, resultando em coma. Ele sofreu ferimento na cabela quanto estava sob custódia policial na delegacia Walmer, em um subúrbio de Port Elizabeth, e foi acorrentado a uma grade de uma janela durante um dia.

    Em 11 de setembro de 1977, a polícia carregou-o nas costas de um Land Rover, nu e contido em algemas para levá-lo para uma prisão com instalações hospitalares. Ele estava quase morto devido às lesões anteriores. Ele morreou logo após a chegada na prisão, em 12 de setembro. A polícia alegou que sua morte foi um resultado de uma greve de fome prolongada, mas a autópsia revelou múltiplas contusões e escoriações e que ele finalmente sucumbiu a uma hemorragia cerebral maciça dos ferimentos na cabeça, que muitos vieram como evidência forte que ele havia sido brutalmente agredido por seus captores. Em seguida, Donald Woods, jornalista, editor e amigo de Biko, junto com Helen Zille, mais tarde líder do partido político da aliança democrática, expuseram a verdade por trás da morte de Steve.

    Por causa de sua grande visibilidade, a notícia da morte de Biko se espalhou rapidamente, divulgando a natureza repressiva do governo do apartheid. Seu funeral foi assistido por mais de 10.000 pessoas, incluindo numerosos embaixadores e outros diplomatas dos Estados Unidos e Europa Ocidental. O liberal branco jornalista sul-africano Donald Woods, amigo pessoal de Biko, fotografou seus ferimentos no necrotério. Woods foi mais tarde forçado a fugir da África do Sul para a Inglaterra, e fez campanha contra o apartheid e divulgou mais ainda a vida e a morte de Biko, escrevendo muitos artigos de jornal e autor do livro "Biko" que mais tarde foi transformado em filme de nome "Freedom Cry".

    Depois de um inquérito com 15 dias em 1978, um juiz magistrado disse que não havia provas suficientes para acusar os oficiais de homicídio, pois não havia testemunhas. Em 2 de fevereiro de 1978, com base ans provas dadas no inquérito, o procurador-geral do Cabo Oriental declarou que não iria processar os policiais. Em 28 de julho de 1979, o advogado da família Biko anunciou que o governo Sul-Africano teria que pagar 78 milhões de dólares em compensação pela morte de Biko.

    Em outubro de 2003, o Ministério da Justiça Sul-Africano anunciou que os cinco policiais acusados de matar Biko não seriam processados judicialmente por causa do limite de tempo para a acusação tinha decorrido e por causa da insuficiência de provas.

    Um ano após sua morte, alguns de seus escritos foram recolhidos e lançado sob o título "Eu escrevo o que eu gosto".

    Como Frantz Fanon, Biko originalmente estudou medicina e, como Fanon, Biko desenvolveu uma intensa preocupação para o desenvolvimento da conciência negra, como a solução para as lutas existenciais que a existência forma, tanto como um ser humando como um africano. Biko, portanto, pode ser visto como um seguidor de Fanon e Aimé Césaire.

    Biko viu a luta pela conciência africana como tendo duas fases: "libertação psicológica" e "libertação física". A influência não-violenta de Gandhi e Martin Luther King sobre Biko é então suspeito, como Biko sabia que por sua luta para dar lugar a libertação física, era necessário que ele existisse dentro das realidades políticas do governo do apartheid, e não-violência a ser bisto mais como uma tática de uma convicção pessoal.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Dados de homicídios de jovens no país não constrangem sociedade

José JuniorJosé Junior
Os dados sobre homicídios de jovens no Brasil nos envergonham, mas não constrangem a sociedade a ir para a beira do abismo e erguer um cinturão de proteção.
Meu trabalho no AfroReggae começou em 1993. Naquele tempo eu era um jovem com sonhos e uma enorme urgência de poder ver cada um deles realizados. Sabia que queria construir um trabalho social de referência, sabia que era possível, que podia e tinha capacidade, mas não sabia como poderia fazer.
Eu era muito jovem, tinha meus sonhos e minhas urgências, mas o que tive naqueles tempos foi a sorte de conseguir gente para me apoiar, me estimular e para dizer "vá em frente", e até mesmo gente para, vez ou outra, eu poder procurar e dizer que estava com meus problemas e não estava conseguindo resolvê-los.
Não me sentia sozinho mergulhado em um mundo complicado de se entender. Tive gente como Waly Salomão e Lorenzo Zanetti, por exemplo, que estavam sempre por perto para darem dicas e se, por acaso, eu fosse muito próximo ao abismo, davam um jeito de estenderem suas mãos.
A galera de hoje não é diferente. O pulso deles é forte como o meu em 1993. Os sonhos existem, a vontade e a urgência de conseguirem construir suas vidas é real, mas eles estão sem uma mão especial para, que na hora que se aproximem do abismo, não caiam.

A vontade e a urgência dos jovens de hoje para conseguirem construir suas vidas é real, mas eles estão sem uma mão especial para que na hora que se aproximem do abismo não caiamJosé Junior, coordenador-executivo do AfroReggae, sobre a presença de jovens em contato com crime e violência.
E não dá para ser qualquer mão. Tem que ser uma mão que entenda o movimento e o momento do jovem. É da natureza da idade chegar bem próximo ao abismo. Esse risco cria adrenalina, o mistério cria expectativa, mas o limite do abismo é que começa a ser o problema.
Há muitos jovens caindo no abismo do tráfico, das drogas e do roubo pois, quando se aproximaram do abismo, não tiveram uma mão para segurar firme e evitar a queda.
Tenho a certeza de que hoje a sociedade olha para os jovens, sobretudo negros, pobres e favelados e, de certa forma, lava as mãos e deixa que prossigam em direção às suas quedas, sem uma preocupação real e humana de que podemos e devemos apoiar esses jovens e dar suporte a eles.
Os dados sobre homicídios de jovens no Brasil nos envergonham, mas não constrangem a sociedade a ir para a beira do abismo e erguer um cinturão de proteção.
A grande maioria dos presos brasileiros tem, no máximo, 25 anos e está vivendo sua fase mais criativa encarcerada em cadeias que são um verdadeiro filme de terror.
Tenho a certeza de que hoje a sociedade olha para os jovens, sobretudo negros, pobres e favelados e, de certa forma, lava as mãos e deixa que prossigam em direção às suas quedasJosé Junior, coordenador-executivo do Afroreggae, sobre jovens moradores das periferias
As crianças, adolescentes e jovens estão largando a escola e todo mundo está cuidando de suas vidas, sem perceber que cada dia mais o número de jovens que chegam perto do abismo é maior.
O Brasil precisa ter um compromisso social com seus jovens. Os brasileiros precisam garantir proteção ao jovem, sem querer cortar sonhos e aventuras, e ter a generosidade de estar por perto quando um deles for em direção ao abismo, não para criticar ou para punir, mas para conversar sobre outro caminho possível.
O dia a dia do AfroReggae e o meu circulam em abismos perigosos, em situações difíceis, em histórias pesadas, mas nós vamos lá, pois o que bate na nossa alma é uma enorme vontade de salvar gente que desde que nasceu não conheceu oportunidades, chances ou teve a possibilidade de achar que podia sonhar com um mundo diferente.
Trabalhar no AfroReggae é, sem dúvida nenhuma, estar próximo dos abismos e não ter qualquer restrição de estender a mão e dizer para o jovem que ele pode ter outra história, e que nós queremos e vamos estar ao lado dele para reescrever esta história.
Nestes 21 anos de trabalho, já estive em abismos difíceis. Já salvei muitos da morte, do crime e da violência, mas isso só foi possível pois também fui salvo de quedas lá no passado.
Estou convidando vocês a virem para o AfroReggae, os abismos não param de crescer e está faltando gente para ajudar. E é muito triste perder jovens que caem por falta de apoio, ajuda e compreensão.
Este convite é para já. Pense e aceite. Sua vida vai ser bem diferente quando você descobrir que também pode ser uma mão nos abismos que não param de sugar brasileiros.
publicado: uol.com.br

Levante de Soweto

O Levante de Soweto foi um dos mais sangrentos episódios de rebelião negra desde o início da década de 1960, desencadeado pela repressão policial à passeata, em 16 de junho de 1976, de protesto contra a inferioridade das "escolas negras" na África do Sul . Estima-se que havia entre 15.000 a 20.000 estudantes no protesto.

A manifestação pacífica - os estudantes, cantando, marchavam por Soweto (subúrbio negro em Johanesburgo) em direção a um estádio aberto, onde fariam um comício - foi alvo de uma bomba de gás lacrimogêneo por um policial, para, em seguida, ser atingida por disparos das tropas de choque munidas de armas automáticas. O número de pessoas mortas oficialmente é de 95, mas normalmente é dito que foram 176, mas há estatísticas que foram 700. Um dos mortos foi o estudante Hector Pieterson, aos 13 anos de idade, que se torno símbolo do massacre.

O sistema segregacionista sul-africano, instituído nos anos 1950, forçava os negros a pagar para frequentar escolas com classes superlotadas e professores sem qualificação adequada, ou mesmo inferior, enquanto a educação para os brancos era gratuita.

Em 1975, o governo decretou a obrigatoriedade do ensino no idioma africâner, antes em inglês, para as matérias acadêmicas nas escolas secundárias negras. Para os estudantes negros a medida era uma ponte para o fracasso: para ter sucesso precisava ser fluente nos idiomas oficiais do país - inglês e africâner.

A organização dos Estudantes Sul-Africanos (South African Students Organization) (1968) foi o primeiro grupo anti-apartheid de jovens negros e fazia parte do abrangente Movimento de Conscientização Negra que lutava para superar a opressiva sensação de inferioridade dos negros. Um dos seus fundadores, Steve Biko (1946-1977), desde cedo engajado na luta desarmada contra o apartheid, morreu aos 30 anos de idade, ao desafiar o "regime de banimento" a que estava submetido pelo governo que o proibira de se manifestar politicamente.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Racismo institucional impede o combate à violência contra jovens negros



"O racismo institucional é um dos grandes desafios do país”. Com esta frase, Larissa Borges, coordenadora do Projeto de Articulação Nacional do Plano Juventude Viva, embasou sua fala no segundo dia do 1º Encontro Nacional de Núcleos de Formação de Agentes de Cultura (NUFAC) promovido pela Fundação Cultural Palmares (FCP) em Brasília.

De acordo com Larissa, o caminho escolhido para o enfrentamento à violência racial precisa ser repensado sob o ponto de vista da prevenção. De acordo com dados do Projeto, a cada meia hora morre um jovem negro com idade entre 15 e 29 anos no Brasil, o que corresponde a aproximadamente 18.000 mortes ao ano de pessoas com esse perfil.

Ela comparou o número de jovens mortos aos dados da mortalidade infantil no país. “Reduzimos significativamente a mortalidade na primeira infância, mas não a questão da segurança. Os altos índices de mortalidade foram transferidos para a adolescência e a juventude”, disse.

A especialista alertou ainda para as tentativas “frustradas” de controle da violência e como exemplo falou das campanhas de desarmamento realizadas pelo Governo. “Os números de homicídios caíram, porém entre os jovens assassinados o número de negros ainda é muito alto, o que se caracteriza como genocídio, explicou.

Para Larissa, a estratégia de enfrentamento à violência contra os jovens negros se caracteriza como um dos grandes desafios sociais. “Não é possível combater violência com agressões ou repressão “, ressaltou lembrando os inúmeros casos em que é evidenciado o despreparo da Polícia. “Com racismo não existe democracia”, concluiu.

Aperfeiçoamentos – Dentro do debate de que a prevenção é o caminho no enfrentamento à violência, o coordenador do projeto pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Felipe Freitas, comentou sobre o discurso existente de que as ações do Governo não funcionam. “As ações existem e funcionam, mas não para todos”, alertou.

De acordo com ele as comunidades tradicionais são importantes espaços de preservação dos princípios e precisam ser vistas como estratégicas. “Precisamos pensar o papel dessas comunidades no processo de educação das novas gerações”, afirmou. Ele também reforçou que os Núcleos de Formação de Agentes de Cultura (NUFACs) permitem o debate de questões como estas. ” O NUFAC é o melhor programa de prevenção à violência contra a juventude negra na atualidade”, complementou.

Fonte: Fundação Cultural Palmares

Lei que oficializa Hino à Negritude é sancionada


De autoria do professor Eduardo de Oliveira, o hino foi criado há 70 anos e agora fará parte de cerimônias voltadas à população negra

“Fica oficializado, no território nacional, o Hino à Negritude, de autoria do professor Eduardo de Oliveira”. É o que dispõe a lei nº 12.981/2014, sancionada pela presidenta Dilma Rousseff no dia 28 de maio. A partir da publicação, o Hino passa a ser entoado em eventos oficiais relacionadas ao tema.

O texto foi aprovado pela Câmara dos Deputados no fim de maio. Na ocasião, a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) e o Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR) promoveram um ato em Brasília, para celebrar a conquista.

As muitas tentativas realizadas por Eduardo de Oliveira, ex-membro do CNPIR já falecido, para aprovação do “Hino à Negritude” remontam aos anos sessenta e na homenagem prestada sua execução contagiante dava provas de força e a atualidade.

Para a ministra Luiza Bairros, “vários autores já destacaram o papel que museus, censos e hinos podem cumprir no fortalecimento da identidade nacional. O poeta e professor Eduardo Oliveira, com uma visão pluralista e abrangente, teve a sensibilidade de perceber isso e persistir no reconhecimento de sua valiosa contribuição, durante décadas de ativismo”.

“Pois que as páginas da História/ São galardões aos negros de altivez” são versos do refrão do Hino à Negritude. A homenagem prestada pela SEPPIR/CNPIR ao autor, com a unanimidade de todos os oradores, cumpriu também o papel de reconhecimento público a um “negro de altivez”, a que se destinam as páginas da história.



sexta-feira, 13 de junho de 2014

Professor Denis da Unegro assume Presidência do Conselho de Igualdade Racial de Curitiba

O Presidente da Unegro (União de Negros Pela Igualdade), Seção Paraná, Denilto Laurindo (Denis), assumiu a presidência do Conselho Municipal de Política Étnico Racial de Curitiba. O COMPER tem por finalidade garantir, promover, proteger e defender os Direitos da Comunidade Afrodescendente (negros, negras e indígenas) do Município de Curitiba.
            Em discurso na reunião extraordinária para transmissão de cargo, destacou o presidente do COMPER, Denis, que Curitiba capital mais negra do sul do país, com seus 22% de população autodeclarada negra, deve assumir o protagonismo histórico e agir contundentemente para que seja feito o reconhecimento social  desta comunidade na dinâmica de desenvolvimento da cidade. Afirmou Denis a necessidade de se perseguir sistematicamente a garantia dos direitos fundamentais para o exercício da equidade:
 “A população negra não é a ‘chaga’, o ‘câncer’ e nem a ‘mazela’ que deteriora a organização social.  Ela é a força motriz da capacidade produtiva da cidade. E por isso é a esperança, a raça que institui um modus operandi de se fazer e divulgar cultura e de afirmar nossa brasilidade. A chaga, o câncer, a mazela é o racismo que impregna as paredes de nossas instituições e contamina a consciência até mesmo dos mais estudiosos, dos políticos, dos magistrados de tal maneira que faz gangrenar o respeito, os valores, os bons modos para o bem estar nas relações humanas. Temos que derrotar o racismo, temos que impedir a metástase dessa doença, temos que lançar mão dos meios necessários na árdua luta contra o preconceito, a discriminação racial e o racismo”, finalizou o agora presidente do COMPER, Denis Denilto. 
 assessoria de imprensa - Unegro/Paraná

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Lei de cotas no serviço público entra em vigor

Publicado:Agencia Brasil
Medida sancionada por Dilma foi publicada no Diário Oficial da União desta terça-feira e tem vigência pelo prazo de 10 anos

Já está em vigor a lei que reserva aos negros 20% das vagas de concursos públicos da União. A lei, sancionada pela presidente Dilma Rousseff nesta segunda-feira (10), no Palácio do Planalto, em evento que contou com a presença de personalidades negras, foi publicada no Diário Oficial da União desta terça-feira e tem vigência pelo prazo de 10 anos.

Roberto Stuckert Filho/PR
Dilma Rousseff durante cerimônia de sanção da lei sobre cotas no serviço público federal

No evento dessa segunda-feira, Dilma disse esperar que a medida sirva de exemplo para a adoção de normas similares nos demais Poderes, entes federados e na iniciativa privada.

“Esta é a segunda lei que eu tenho a honra de promulgar com ações afirmativas, para fechar um fosso secular de direitos e oportunidades engendrados pela escravidão e continuados pelo racismo, ainda existente entre negros e brancos em nosso país”, disse, em referência à Lei de Cotas para as universidades federais.

A lei, originada em um projeto do Executivo enviado por Dilma em novembro do ano passado, foi aprovada pelo Senado no último dia 20. Além da administração pública federal, a nova lei se aplica a autarquias, fundações e empresas públicas, além de sociedades de economia mista.

Universidades: MEC espera atingir meta de cotas nas federais antes de 2016

Segundo o texto da lei, poderão concorrer na reserva para candidatos negros todas as pessoas que se autodeclararem pretas ou pardas na inscrição para o concurso público, seguindo o quesito de cor ou raça utilizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).Os candidatos negros concorrerão concomitantemente às vagas reservadas e às vagas destinadas à ampla concorrência, de acordo com a sua classificação no concurso.

Segundo Dilma, o sistema que está sendo implantado “assegura que o mérito continua a ser condição necessária para ingresso dos candidatos”, sendo que a lei altera “apenas a ordem de classificação, privilegiando os candidatos negros”.

De acordo com a ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Luiza Bairros, a mudança é um passo importante na superação das desigualdades raciais e vai garantir a participação da população negra em funções mais valorizadas. Ela citou como exemplo a Lei de Cotas nas universidades, que determinou que, a partir de 2013, parte das vagas em universidades federais sejam ocupadas por ex-estudantes de escolas públicas, com reserva de vagas para estudantes pretos, pardos e indígenas.

Para Luiza Bairros, depois de garantir que as pessoas que sofrem preconceito pudessem ter mais oportunidades de entrar no ensino superior, era necessário dar condições de acesso a empregos que exigem maior qualificação. “A discriminação é maior quanto mais valorizada é a ocupação, o que nos obriga a tomar dentro do mercado medidas para corrigir esse tipo de distorção”, disse a ministra a Agência Brasil, em entrevista pouco antes da sanção da lei.

Segundo Luiza Bairros, o governo optou pelo envio do projeto com urgência para que a proposta não ficasse parada no Congresso. “Em função de existirem em tramitação várias propostas sobre a população negra e igualdade racial, se deixássemos ao sabor de processo de discussão do Parlamento, poderia demorar”. A ministra espera que o apoio “suprapartidário” que levou à aprovação da lei seja “um indicativo de aceitação que ela tem no conjunto da sociedade brasileira”.