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sábado, 13 de setembro de 2014

Dilma pretende ampliar programa de combate à violência contra negros

Da Agência Brasil Edição: Fernando Fraga
foto:arquivo Edson França
A candidata à reeleição Dilma Rousseff afirmou hoje (13) que pretende ampliar o programa de combate à violência contra jovens negros. Dilma reuniu-se neste sábado (13) com integrantes do Movimento Negro, em Nova Lima (MG).

Durante o encontro, a candidata afirmou que a promessa será cumprida por meio da ampliação do atual Programa Juventude Viva. Segundo Dilma, além da política pública, a construção de valores também fará parte da proposta.

"O Brasil precisa de valores, se não tivermos a cultura de valores criamos a cultura do confronto e da violência. Nesse caso em que a pessoa que falou um imenso preconceito contra o negro teve sua casa queimada, isso também não é correto. Isso é a perda de valores civilizatórios", declarou a candidata.

Além da proteção aos jovens negros, Dilma voltou a defender a criminalizarão da homofobia e garantiu que vai continuar o combate à violência contra as mulheres. "Não se pode matar, praticar violência e dano físico ou agressão por conta da orientação sexual de uma pessoa”, disse.

Dilma também lembrou de outras ações afirmativas, como a Lei das Cotas nas universidades e a norma que reserva 20% das vagas em concursos públicos para candidatos negros. "Me orgulho muito da Lei de Cotas nas universidades, que garante que as universidades que eram eminentemente brancas tenham agora, progressivamente, a cor do Brasil, que é essa miscigenação que nós representamos e essa diversidade racial. Da mesma forma eu me orgulho também da lei que garantiu para o serviço público federal que 20% têm de começar a ser preenchido por população afrodescendente", disse.

Segundo Dilma, a Lei dos Royalties, que destina parte dos ganhos para a educação, também vai trazer benefícios ao movimento negro. "Pois vocês fiquem sabendo que ela é estratégica, sim, porque ela vai mudar esse país nós próximos dez anos, porque foi o movimento social, o movimento dos negros, das mulheres, dos sindicatos, dos jovens, que construíram essa possibilidade fantástica que é transformar petróleo em educação", concluiu.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Polícia de MG diz ter identificado grupo por trás de ataques racistas

Rayder Bragon
Do UOL, em Belo Horizonte



A Polícia Civil de Minas Gerais afirmou ter identificado o grupo de pessoas que se articulou para produzir ataques racistas à jovem negra que postou foto dela com o namorado, no Facebook. O caso ocorreu na cidade de Muriaé (a 320 km de Belo Horizonte).
O delegado Eduardo Freitas da Silva, responsável pelo inquérito, afirmou que foi identificada uma estrutura organizada por trás das mensagens na página da jovem.
Segundo ele, até uma comunidade virtual foi criada para concentrar as injúrias contra a jovem mineira. A maioria dos suspeitos é do Estado de São Paulo. O policial não detalhou como os suspeitos se articularam para efetuar os ataques nem a quantidade de envolvidos. Ele declarou apenas que são "centenas" de pessoas.
"Tem lideranças, tem seguidores [no grupo]. Eu não descarto ir para São Paulo para poder acompanhar os trabalhos com a polícia de lá", afirmou, dizendo já ter entrado em contato com o Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), de São Paulo. "Nós verificamos que lá tem pessoas que promovem esse tipo de ação de cunho racista [nas redes sociais]", afirmou.
O policial disse que não detalharia a ação dos criminosos por receio de os suspeitos tentem apagar os "rastros digitais". "A gente não vai apontar esse ou aquele [nome], porque eles podem tentar apagar os rastros que deixam. E isso prejudicaria o nosso trabalho", declarou.
Ele disse ter apurado que o grupo já havia feito anteriormente ataques parecidos ao do casal mineiro contra outras pessoas nas redes sociais. Silva afirmou que conseguiu entrar em contato com algumas dessas vítimas.
Segundo ele, se ficar comprovado ter havido conluio entre os internautas suspeitos dos ataques racistas, configura-se também o crime de formação de quadrilha, além do crime de injúria racial, que prevê de um a três anos de prisão.
"No momento, a gente está levantando todos os perfis para fazer um trabalho conjunto", afirmou, mesmo reconhecendo que  muitos desses perfis podem ser falsos.
Mais ataques
A jovem M.D.M.R., 20, tinha desativado a sua conta no Facebook quando houve a série de comentários racistas. Orientada pelo delegado, reativou a página.
"Desativei, mas agora está reativado porque o delegado pediu para poder ficar olhando o que tem lá. São muitos comentários", afirmou, durante entrevista na semana passada ao programa "Encontro com Fátima Bernardes", da TV Globo.
Mesmo após a divulgação do caso na imprensa, internautas ainda publicam mensagens racistas na página da jovem.
As postagens são um misto de apoio e ataques racistas contra a jovem. Em uma das mensagens, um internauta escreveu: "Deixaram a senzala aberta de novo". Outros criticaram o fato de a jovem ter ido à televisão expor o caso.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

UFMG decide expulsar estudante que praticou trote racista

publicado: uol 
Carlos Eduardo Cherem 
 Belo Horizonte
O Conselho da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) decidiu nesta terça-feira (12) pela expulsão de um estudante de direito que participou de trote com conotações sexistas, racistas e nazistas na instituição, em março de 2013
18.mar.2013 - Trote realizado por alunos da Faculdade de Direito da UFMG gera acusações de racismo
Outros três alunos envolvidos serão suspensos por um semestre.
O rapaz expulso aparece numa foto amplamente divulgada em redes sociais acorrentando a uma estudante pintada de preto, com a inscrição: "caloura Chica da Silva". Os outros três participantes amarraram um calouro em uma pilastra e aparecem na imagem fazendo a clássica saudação nazista, erguendo o braço direito.


18.mar.2013 - Trote com saudação nazista na Faculdade de Direito da UFMG

Uma comissão da UFMG investigou 134 estudantes que participaram do trote, desde outubro do ano passado, e seu parecer serviu de base para a decisão do conselho.

Segundo o reitor da UFMG, as punições aos estudantes foram adequadas. "A universidade tem uma responsabilidade perante a sociedade e a comunidade, e atos como esses não podem ser tolerados", disse.
O UOL não localizou representantes dos estudantes para comentar a decisão.
Relembre o caso
O trote ocorreu em 15 de março do ano passado nas dependências da faculdade. As duas fotos "viralizaram" nas redes sociais, em especial no Facebook, com mais de 2.500 compartilhamentos em menos de 5 horas, e causaram protestos em grupos de discussão relacionados à universidade.
Na página do Facebook do CAAP (Centro Acadêmico Afonso Pena), da Faculdade de Direito, enquanto alguns internautas consideraram o trote "ofensivo" e "humilhante", outros disseram se tratar apenas de uma brincadeira tirada do contexto.
Em abril de 2013 o Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial publicou moção de repúdio ao trote no DOU (Diário Oficial da União) e solicitou providências à UFMG.
A UFMG, por sua vez, divulgou nota de repúdio às "brincadeiras" feitas durante o trote. "Elas representam um ato de violência que não faz parte da vida acadêmica".