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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Edital apoia projetos de enfrentamento às desigualdades raciais nas escolas

As inscrições para o “Edital Gestão Escolar para a Equidade – Juventude Negra” estão abertas até 10 de outubro. O objetivo é contribuir para o desenvolvimento e a implementação de práticas inspiradoras de gestão escolar que busquem elevar resultados educacionais dos jovens negros e das jovens negras

O Edital resulta de parceria o Baobá, o Instituto Unibanco, a Universidade de São Carlos e o CEERT

As inscrições para o “Edital Gestão Escolar para a Equidade – Juventude Negra” estão abertas até 10 de outubro. O objetivo é contribuir para o desenvolvimento e a implementação de práticas inspiradoras de gestão escolar que busquem elevar resultados educacionais dos jovens negros e das jovens negras

O Edital resulta de parceria o Baobá, o Instituto Unibanco, a Universidade de São Carlos e o CEERT

A sua escola ou organização não governamental implementa ou deseja implementar ações para enfrentar as desigualdades raciais? Se a resposta for positiva, sua instituição pode se qualificar para concorrer a um apoio financeiro e técnico ao inscrever um projeto no Edital Gestão Escolar para a Equidade – Juventude Negra. As inscrições ficam abertas até 10 de outubro de 2014.


O Edital visa contribuir para o desenvolvimento e a implementação de práticas inspiradoras de gestão escolar que busquem elevar resultados educacionais de jovens negros e negras. A iniciativa é do ‘Baobá – Fundo para Equidade Racial’, do Instituto Unibanco e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com a colaboração técnica do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT).

Os organizadores justificam o Edital afirmando que o ensino médio tem se mostrado um gargalo para que jovens negros avancem em sua educação, exigindo esforços focados na construção da equidade racial também na escola. O entendimento é de que essa construção envolve diversas dimensões, entre as quais a da melhoria dos resultados educacionais desse público específico, do combate ao abandono, do desempenho e da defasagem entre idade e série.

“Para alcançarmos melhores resultados educacionais para todos os alunos e todas as alunas, a gestão escolar necessita criar condições de equidade e valorizar a diversidade, apoiando a construção da identidade e do pertencimento das novas gerações de afrodescendentes. Deve contribuir ainda para a redefinição das relações raciais entre estudantes, assim como entre estudantes e professores, através do (re)conhecimento, sobretudo pelos jovens negros e negras, de sua origem, história e cultura nos conteúdos curriculares e nos processos de ensino-aprendizagem”, informam representantes do Baobá

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Folha, cotas e a jogada de marketing

publicado: revista Fórum
por: Dennis de Oliveira


O jornal Folha de S. Paulo lançou uma campanha publicitária semana passada e, entre as várias peças, há uma que destaca o posicionamento do jornal contra as cotas raciais. Posicionamento compartilhado por uma modelo negra. Esta peça publicitária do jornal despertou a revolta de várias lideranças do movimento negro, principalmente nas redes sociais.

Gerar polêmicas é uma velha estratégia da Folha de S. Paulo. Neste caso, há uma bem inteligente montagem que acabou por transferir a polêmica para dentro do movimento negro. E exatamente este o objetivo da estratégia de marketing do jornal. E como foi feito isto?

1o.) Usando a polêmica das cotas raciais. Que o jornal é contra as cotas raciais, até o mundo mineral (como costuma dizer o jornalista Mino Carta) sabe. Isto já foi expresso em editoriais. Por si só, isto é explosivo, pois é um assunto que ainda gera polêmicas imensas. Se há quase um consenso de que existe racismo no Brasil, ainda existem muitas resistências em enfrentar o racismo por meio de políticas públicas específicas. Isto porque há uma apropriação ideológica do sentido de racismo como uma mera manifestação pontual de comportamentos desviantes. Assim, racismo é alguém ofender ou agredir racialmente uma pessoa, mas não uma instituição (como a universidade pública) dificultar o ingresso de negros e negras nas suas fileiras.

2o.) Usando uma mulher negra para ser contra as cotas. Aí entra a grande jogada esperta da Folha: ao colocar isto, ela passa a mensagem de que não é consenso entre os negros e negras a defesa das cotas e que ela, a Folha, está acima de “clivagens raciais” e representa também a opinião de negros e negras que são contra as cotas. Em outras palavras, que a Folha é “mais tolerante racialmente” que o próprio movimento negro que “não admitiria” negros e negras contra as cotas.

E tem sido justamente isto o que ela tem conseguido quando se observa a polêmica radicalizada nas redes sociais, chegando ao nível da ofensa pessoal, com relação a este assunto.

A mesma estratégia o jornal utilizou no tema do massacre do Estado de Israel na Faixa de Gaza. Publicou um artigo de Ricardo Bonalume, que defende a criação de um estado único pluriétnico na região, com judeus e palestinos (o que implicaria no fim do Estado de Israel) e isto gerou polêmicas acirradas entre os leitores, na coluna da ombudsman e, finalmente, foi coroada com um artigo-resposta do cônsul de Israel no domingo.

Imaginem como o jornal foi falado neste tempo todo. É exatamente este o objetivo.

Neste debate todo, sempre se ressalta o tal direito de opinião, liberdade de expressão, etc. É muito positivo que a reivindicação de direitos esteja presente nos debates. Entretanto, penso que em alguns momentos, confunde-se “direito” com “desejo”. Nem todo desejo se configura em um direito legítimo. Você pode desejar que determinada pessoa não expresse sua opinião, mas não tem o direito de silenciá-la. Ou então você pode desejar que todos concordem com você, mas não tem o direito de ofender as pessoas que discordem ou ainda falsear informações para sustentar uma posição. Isto é importante principalmente para quem expressa publicamente posições via órgãos de comunicação ou redes sociais.

No caso da Folha de S. Paulo, o jornal tem todo o direito de expressar suas posições. Não tem o direito, entretanto, de se apresentar falsamente como um jornal plural quando se percebe a prioridade dada a determinadas fontes, a certas pautas, a angular os assuntos por meio de manchetes editorializadas.

E, nós, do movimento negro, é importante entendermos estas estratégias de marketing das empresas de comunicação. Para justamente não fazer o jogo que elas querem que a gente faça.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Sebrae defende política pública para o carnaval e fim da informalidade no setor

publicado: Agência Brasil

A criação de uma política pública para o carnaval é muito positiva, “porque é um grande evento, que mobiliza o país inteiro”, na avaliação da coordenadora da Área de Economia Criativa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do estado do Rio de Janeiro (Sebrae- RJ), Heliana Marinho.

O Sebrae-RJ é um dos organizadores da primeira feira exclusiva sobre carnaval (Carnavália) e do 1º Encontro Nacional do Carnaval, que ocorrem a partir de hoje (31), no Centro de Convenções Sul América, na capital fluminense.

Segundo Heliana, a cadeia produtiva do carnaval, principalmente no Rio de Janeiro, tem atividades integradas, “que precisam ser observadas com olhar de mercado”. Falta ao setor, por exemplo, organizar e sistematizar informações sobre quanto os profissionais do carnaval ganham, o que eles precisam para trabalhar, as condições de formalização, entre outros fatores, como ocorre em setores como turismo, hotelaria e gastronomia.

A coordenadora destacou a necessidade de qualificação dos trabalhadores do setor, que tem 80% da mão de obra empregada de maneira informal. “Precisam ser orientados para a formalização”. Segundo ela, por causa do impacto econômico do carnaval, a maioria desses trabalhadores pode ser formalizada como microempreendedores individuais (MEI). “Essa é também uma das bandeiras do carnaval no processo de relações de negócio dessa cadeia produtiva”.

No ano passado, o Sebrae-RJ elaborou uma cartilha sobre o MEI, que foi distribuída aos trabalhadores na Cidade do Samba. A cartilha foi aprimorada recentemente e abrange não só informações sobre benefícios após a formalização dos trabalhadores, mas também as obrigações com o Fisco e a Previdência Social, entre outras. “O nível de rendimento deles é muito compatível com o MEI e é preciso que eles tenham compreensão total de tudo que significa ser formalizado”.

Primeira feira exclusiva do carnaval (Carnavália) e 1º Encontro Nacional do Samba (Sambacon) foram abertos hoje no Centro de Convenções Sulamérica, no Rio de JaneiroTomaz Silva/Agência Brasil

A cartilha será distribuída durante a Carnavália/Sambacon, que vai até sábado (2). Profissionais do Sebrae e consultores especializados prestarão informações e esclarecimentos aos interessados. A expectativa é que, a partir do ano que vem, sejam implementadas rodadas de negócios entre fornecedores de matérias-primas e consumidores.

Segundo Heliana Marinho, cada escola de samba precisa, em média, de 200 a 300 pessoas nas atividades fabris. “Isso com muita sazonalidade, desde que acaba o carnaval, quando começa a ser desmontado e reaproveitado o material, até o momento em que o carnaval do ano seguinte começa a ser montado”. Multiplicado pelo número de escolas existentes em cada cidade, é possível ter dimensão do contingente de empregos gerados pelo setor, segundo ela.

A maior parte da mão de obra informal recebe remuneração de cerca de 1,5 salário mínimo, de acordo com a coordenadora do Sebrae. “O que nos interessa é que a informalidade é muito grande, ela precisa ter um olhar diferenciado”. As atividades ligadas ao carnaval englobam desde serviços de carpintaria, confecção de fantasias, adereços e acessórios, até o trabalho das pessoas que organizam a plataforma dos desfiles e controlam o andamento da apresentação na Passarela do Samba.

O microempresário Stephano Rocha está participando da 1ª Carnavália e disse que “demorou para que a gente tivesse uma feira dessas”. Há seis anos, ele vende, pela internet, plumas e penas para decoração e diz que no carnaval, a demanda pro produtos aumenta e chega a zerar o estoque. “O carnaval representa aumento de 30% no faturamento. Entre São Paulo e Rio de Janeiro, são 25 toneladas vendidas”, contou.

Outro fornecedor que está participando da feira é Leonardo Leonel, que produz roupas para mestre-sala e porta-bandeira, rainhas e musas das escolas de samba, além de figurino teatro e produções de televisão. Há 12 anos no mercado, a microempresa tem dez funcionários fixos, que chegam a 15 no período do carnaval. Segundo Leonel, os desenhos de figurinos para o carnaval começam a chegar à empresa por volta de junho ou julho do ano anterior.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

ONU CRIA A DÉCADA DO AFRODESCENDENTE





publicado: Revista Raça Brasil
ONU cria a Década do Afrodescendente | Foto: Shutterstock

A Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma resolução contra o racismo e a discriminação racial, propondo o período de 2013 a 2022 como a Década do Afrodescendente, fato que pode aprofundar, de forma mais efetiva, os debates e a concretização em relação aos direitos da populaçãoafrodescendente.

Segundo a Seppir, a resolução aprovada solicita que se comece um processo de interlocução com os países integrantes, com o objetivo de debater a implantação da década, além de conferir maior visibilidade do tema em fóruns internacionais. A resolução ainda faz recomendações aos cerca de 200 países integrantes a adotar diretrizes políticas a fim de atender demandas da população negra ao redor do mundo.