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segunda-feira, 20 de abril de 2015

Irrelevante Notícia: dois pesos, duas medidas face a cor da pele no esporte.


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por: Denis Denilto*
O racismo institucional dentro de uma certa imprensa brasileira, chega a ser mais que nefasto, chega a ser nefasto/fascista. Face a forma como se utiliza de níveis de importância para noticiar, expor, explicitar, ou comentar um acontecimento. Você tem três grandes acontecimentos desportistas no domingo, mas que por conta da cor da pele de seus atores, a imprensa brasileira declara tais conquistas como "irrelevantes". Isto porque, esta imprensa, insiste em noticiar o que convêm aos seus pseudos-iguais, afirmando utilizar-se da "isonomia", da "imparcialidade" no cobrimento da notícia como “ela é”. E o que se vê notoriamente  é um  texto, uma imagem, uma notícia mórbida, impregnada de parcialidade e de intenções que beneficiam visivelmente uns acontecimentos e marginalizam radicalmente outros. Modifica-se com um texto todo contexto mediante a  quem se está representando.
 Primeiro, a tenista pernambucana Teliana Pereira,  quebra um jejum de 27 anos no tênis feminino brasileiro ao vencer o WTA em Bogotá. E um colunista "famoso", se atem em comentar que esta jovem vendia rifas no passado. Referindo-se a origem humilde da tenista, sem sequer explicitar seu valoroso mérito, ser a  tenista número 1 do Brasil. Defina-se o trato, modifica-se a notícia de acordo com a tonalidade da epiderme do sujeito. Tivemos também, o homem mais veloz do mundo, o jamaicano, Usain Bolt, vencendo o desafio contra três velocistas, no jockey clube, no Rio de janeiro, a expectativa era que Usain quebrasse o próprio recorde mundial na prova. Mas isso também foi tido como irrelevante pela imprensa. Por fim, o inglês, Lewis Hamilton, que lidera a fórmula 1, venceu a terceira de quatro corridas da temporada e teve seu feito reduzido a pequenas chamadas, sem imagens da grande imprensa brasileira:" Hamilton vence a terceira no Bahrein". Esta promoção de irrelevâncias escancara a institucionalização do racismo por parte também da imprensa neste país.  Ao que parece, quanto mais escura for a cor da pele, menor relevância se dá a notícia, mesmo que, em contexto global, seja uma grande pauta noticiar o acontecido. Esta imprensa, tenta impregnar um regime de casta por meio de imagens seletivas que explicitam desgraças e apagam conquistas quando se trata de publicar atos realizados por pessoas negras. Evidente que pairam grandes dúvidas a respeito da qualidade desta imprensa no julgo de uma parte da imprensa internacional. Mas com certeza este posicionamento parcial da imprensa brasileira, também serve para nos alertar sobre a veracidade dos fatos narrados. A quem serve? Para que serve? E qual a intenção desta “não notícia”? Enquanto que, nos desafia a forjar e a procurar uma imprensa que tenha capacidade de mostrar nosso verdadeiro rosto e não de escondê-lo.   
                                                     

 *Denis Denilto -
filósofo, presidente do Conselho de Política Étnico-Racial de Curitiba,   presidente da Unegro/Paraná

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

STJD puni jogador o Avaí por ofensa racista

publicado:TNonline.com.br
O STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) puniu com cinco jogos de suspensão e multa de R$10 mil o zagueiro Antonio Carlos, do Avaí, por ofensa racista ao atacante Francis, do Boa Esporte, em partida realizada no no dia 27 de setembro, pela Série B do Campeonato Brasileiro.
O jogador foi julgado no artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva -praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência. Ele corria o risco de ser suspenso por até dez partidas, além de receber multa de até R$ 100 mil.
Durante o confronto, o atacante Francis, do Boa Esporte, acusou o zagueiro Antônio Carlos, do Avaí, de tê-lo chamado de "macaco do caralho". Imagens da SporTV mostram o suposto momento da agressão verbal.
Francis registrou boletim de ocorrência na 1ª Delegacia de Polícia da Capital, no centro de Florianópolis. A ofensa teria acontecido após uma disputa de bola entre os jogadores e, de acordo com o boletim, o atacante teria reclamado do ocorrido com o árbitro, que teria pedido a continuidade do jogo.
O árbitro Guilherme Ceretta de Lima não relatou na súmula o suposto caso de racismo no jogo entre Avaí e Boa Esporte.
No tribunal, Antonio Carlos alegou ter chamado o adversário de "malaco", gíria que significa "malandro". O procurador Caio Medauar rebateu a explicação do jogador.
"É perfeitamente possível perceber que foi dito macaco e não malaco, conforme provas dos autos", disse.
Logo após, Francis prestou depoimento.
"Houve a jogada e a gente se chocou num lance normal. Acabei caindo e ele (Antônio Carlos) veio de xingar. Ele veio e me chamou de macaco do c*. O companheiro dele percebeu a ofensa e tentou me acalmar. Ele inclusive veio me pedir desculpas após tomar conhecimento da gravidade do que tinha falado", declarou. Antonio Carlos negou ter pedido desculpas.

Reprodução Sportv
Momento em que Antônio Carlos (direita), do Avaí, teria chamado Franci de
Momento em que Antônio Carlos (direita), do Avaí, teria chamado Francis de "macaco"
O STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) puniu com cinco jogos de suspensão e multa de R$ 10 mil o zagueiro Antonio Carlos, do Avaí, por ofensa racista ao atacante Francis, do Boa Esporte, em partida realizada no no dia 27 de setembro, pela Série B do Campeonato Brasileiro. O jogador foi julgado no artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva -praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência. Ele corria o risco de ser suspenso por até dez partidas, além de receber multa de até R$ 100 mil. Durante o confronto, o atacante Francis, do Boa Esporte, acusou o zagueiro Antônio Carlos, do Avaí, de tê-lo chamado de "macaco do caralho". Imagens da SporTV mostram o suposto momento da agressão verbal. Francis registrou boletim de ocorrência na 1ª Delegacia de Polícia da Capital, no centro de Florianópolis. A ofensa teria acontecido após uma disputa de bola entre os jogadores e, de acordo com o boletim, o atacante teria reclamado do ocorrido com o árbitro, que teria pedido a continuidade do jogo. O árbitro Guilherme Ceretta de Lima não relatou na súmula o suposto caso de racismo no jogo entre Avaí e Boa Esporte. No tribunal, Antonio Carlos alegou ter chamado o adversário de "malaco", gíria que significa "malandro". O procurador Caio Medauar rebateu a explicação do jogador. "É perfeitamente possível perceber que foi dito macaco e não malaco, conforme provas dos autos", disse. Logo após, Francis prestou depoimento. "Houve a jogada e a gente se chocou num lance normal. Acabei caindo e ele (Antônio Carlos) veio de xingar. Ele veio e me chamou de macaco do c*. O companheiro dele percebeu a ofensa e tentou me acalmar. Ele inclusive veio me pedir desculpas após tomar conhecimento da gravidade do que tinha falado", declarou. Antonio Carlos negou ter pedido desculpas.

- Leia a matéria completa em: http://www.tnonline.com.br/noticias/esportes/1,300433,14,10,stjd-suspende-por-cinco-partidas-zagueiro-do-avai-acusado-de-racismo.shtml
Copyright © 2014 Tribuna do Norte (TNOnline)
O STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) puniu com cinco jogos de suspensão e multa de R$ 10 mil o zagueiro Antonio Carlos, do Avaí, por ofensa racista ao atacante Francis, do Boa Esporte, em partida realizada no no dia 27 de setembro, pela Série B do Campeonato Brasileiro. O jogador foi julgado no artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva -praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência. Ele corria o risco de ser suspenso por até dez partidas, além de receber multa de até R$ 100 mil. Durante o confronto, o atacante Francis, do Boa Esporte, acusou o zagueiro Antônio Carlos, do Avaí, de tê-lo chamado de "macaco do caralho". Imagens da SporTV mostram o suposto momento da agressão verbal. Francis registrou boletim de ocorrência na 1ª Delegacia de Polícia da Capital, no centro de Florianópolis. A ofensa teria acontecido após uma disputa de bola entre os jogadores e, de acordo com o boletim, o atacante teria reclamado do ocorrido com o árbitro, que teria pedido a continuidade do jogo. O árbitro Guilherme Ceretta de Lima não relatou na súmula o suposto caso de racismo no jogo entre Avaí e Boa Esporte. No tribunal, Antonio Carlos alegou ter chamado o adversário de "malaco", gíria que significa "malandro". O procurador Caio Medauar rebateu a explicação do jogador. "É perfeitamente possível perceber que foi dito macaco e não malaco, conforme provas dos autos", disse. Logo após, Francis prestou depoimento. "Houve a jogada e a gente se chocou num lance normal. Acabei caindo e ele (Antônio Carlos) veio de xingar. Ele veio e me chamou de macaco do c*. O companheiro dele percebeu a ofensa e tentou me acalmar. Ele inclusive veio me pedir desculpas após tomar conhecimento da gravidade do que tinha falado", declarou. Antonio Carlos negou ter pedido desculpas.

- Leia a matéria completa em: http://www.tnonline.com.br/noticias/esportes/1,300433,14,10,stjd-suspende-por-cinco-partidas-zagueiro-do-avai-acusado-de-racismo.shtml
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O STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) puniu com cinco jogos de suspensão e multa de R$ 10 mil o zagueiro Antonio Carlos, do Avaí, por ofensa racista ao atacante Francis, do Boa Esporte, em partida realizada no no dia 27 de setembro, pela Série B do Campeonato Brasileiro. O jogador foi julgado no artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva -praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência. Ele corria o risco de ser suspenso por até dez partidas, além de receber multa de até R$ 100 mil. Durante o confronto, o atacante Francis, do Boa Esporte, acusou o zagueiro Antônio Carlos, do Avaí, de tê-lo chamado de "macaco do caralho". Imagens da SporTV mostram o suposto momento da agressão verbal. Francis registrou boletim de ocorrência na 1ª Delegacia de Polícia da Capital, no centro de Florianópolis. A ofensa teria acontecido após uma disputa de bola entre os jogadores e, de acordo com o boletim, o atacante teria reclamado do ocorrido com o árbitro, que teria pedido a continuidade do jogo. O árbitro Guilherme Ceretta de Lima não relatou na súmula o suposto caso de racismo no jogo entre Avaí e Boa Esporte. No tribunal, Antonio Carlos alegou ter chamado o adversário de "malaco", gíria que significa "malandro". O procurador Caio Medauar rebateu a explicação do jogador. "É perfeitamente possível perceber que foi dito macaco e não malaco, conforme provas dos autos", disse. Logo após, Francis prestou depoimento. "Houve a jogada e a gente se chocou num lance normal. Acabei caindo e ele (Antônio Carlos) veio de xingar. Ele veio e me chamou de macaco do c*. O companheiro dele percebeu a ofensa e tentou me acalmar. Ele inclusive veio me pedir desculpas após tomar conhecimento da gravidade do que tinha falado", declarou. Antonio Carlos negou ter pedido desculpas.

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O STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) puniu com cinco jogos de suspensão e multa de R$ 10 mil o zagueiro Antonio Carlos, do Avaí, por ofensa racista ao atacante Francis, do Boa Esporte, em partida realizada no no dia 27 de setembro, pela Série B do Campeonato Brasileiro. O jogador foi julgado no artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva -praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência. Ele corria o risco de ser suspenso por até dez partidas, além de receber multa de até R$ 100 mil. Durante o confronto, o atacante Francis, do Boa Esporte, acusou o zagueiro Antônio Carlos, do Avaí, de tê-lo chamado de "macaco do caralho". Imagens da SporTV mostram o suposto momento da agressão verbal. Francis registrou boletim de ocorrência na 1ª Delegacia de Polícia da Capital, no centro de Florianópolis. A ofensa teria acontecido após uma disputa de bola entre os jogadores e, de acordo com o boletim, o atacante teria reclamado do ocorrido com o árbitro, que teria pedido a continuidade do jogo. O árbitro Guilherme Ceretta de Lima não relatou na súmula o suposto caso de racismo no jogo entre Avaí e Boa Esporte. No tribunal, Antonio Carlos alegou ter chamado o adversário de "malaco", gíria que significa "malandro". O procurador Caio Medauar rebateu a explicação do jogador. "É perfeitamente possível perceber que foi dito macaco e não malaco, conforme provas dos autos", disse. Logo após, Francis prestou depoimento. "Houve a jogada e a gente se chocou num lance normal. Acabei caindo e ele (Antônio Carlos) veio de xingar. Ele veio e me chamou de macaco do c*. O companheiro dele percebeu a ofensa e tentou me acalmar. Ele inclusive veio me pedir desculpas após tomar conhecimento da gravidade do que tinha falado", declarou. Antonio Carlos negou ter pedido desculpas.

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O STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) puniu com cinco jogos de suspensão e multa de R$ 10 mil o zagueiro Antonio Carlos, do Avaí, por ofensa racista ao atacante Francis, do Boa Esporte, em partida realizada no no dia 27 de setembro, pela Série B do Campeonato Brasileiro. O jogador foi julgado no artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva -praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência. Ele corria o risco de ser suspenso por até dez partidas, além de receber multa de até R$ 100 mil. Durante o confronto, o atacante Francis, do Boa Esporte, acusou o zagueiro Antônio Carlos, do Avaí, de tê-lo chamado de "macaco do caralho". Imagens da SporTV mostram o suposto momento da agressão verbal. Francis registrou boletim de ocorrência na 1ª Delegacia de Polícia da Capital, no centro de Florianópolis. A ofensa teria acontecido após uma disputa de bola entre os jogadores e, de acordo com o boletim, o atacante teria reclamado do ocorrido com o árbitro, que teria pedido a continuidade do jogo. O árbitro Guilherme Ceretta de Lima não relatou na súmula o suposto caso de racismo no jogo entre Avaí e Boa Esporte. No tribunal, Antonio Carlos alegou ter chamado o adversário de "malaco", gíria que significa "malandro". O procurador Caio Medauar rebateu a explicação do jogador. "É perfeitamente possível perceber que foi dito macaco e não malaco, conforme provas dos autos", disse. Logo após, Francis prestou depoimento. "Houve a jogada e a gente se chocou num lance normal. Acabei caindo e ele (Antônio Carlos) veio de xingar. Ele veio e me chamou de macaco do c*. O companheiro dele percebeu a ofensa e tentou me acalmar. Ele inclusive veio me pedir desculpas após tomar conhecimento da gravidade do que tinha falado", declarou. Antonio Carlos negou ter pedido desculpas.

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O STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) puniu com cinco jogos de suspensão e multa de R$ 10 mil o zagueiro Antonio Carlos, do Avaí, por ofensa racista ao atacante Francis, do Boa Esporte, em partida realizada no no dia 27 de setembro, pela Série B do Campeonato Brasileiro. O jogador foi julgado no artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva -praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência. Ele corria o risco de ser suspenso por até dez partidas, além de receber multa de até R$ 100 mil. Durante o confronto, o atacante Francis, do Boa Esporte, acusou o zagueiro Antônio Carlos, do Avaí, de tê-lo chamado de "macaco do caralho". Imagens da SporTV mostram o suposto momento da agressão verbal. Francis registrou boletim de ocorrência na 1ª Delegacia de Polícia da Capital, no centro de Florianópolis. A ofensa teria acontecido após uma disputa de bola entre os jogadores e, de acordo com o boletim, o atacante teria reclamado do ocorrido com o árbitro, que teria pedido a continuidade do jogo. O árbitro Guilherme Ceretta de Lima não relatou na súmula o suposto caso de racismo no jogo entre Avaí e Boa Esporte. No tribunal, Antonio Carlos alegou ter chamado o adversário de "malaco", gíria que significa "malandro". O procurador Caio Medauar rebateu a explicação do jogador. "É perfeitamente possível perceber que foi dito macaco e não malaco, conforme provas dos autos", disse. Logo após, Francis prestou depoimento. "Houve a jogada e a gente se chocou num lance normal. Acabei caindo e ele (Antônio Carlos) veio de xingar. Ele veio e me chamou de macaco do c*. O companheiro dele percebeu a ofensa e tentou me acalmar. Ele inclusive veio me pedir desculpas após tomar conhecimento da gravidade do que tinha falado", declarou. Antonio Carlos negou ter pedido desculpas.

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quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Pelé foi alvo de racismo na carreira, mas ignorou luta antirracista



 publicado:Uol.com.br
 
 Assim que chegou ao Santos, ainda adolescente, Edson Arantes do Nascimento passou a ser chamado de "Gasolina" pelos outros jogadores do time. O apelido se referia à cor da substância que dá origem a esse combustível, o petróleo, negro como a pele do recém-chegado. E ficou vivo tempo suficiente para Edson pensar que seria assim que ele ficaria conhecido no mundo do futebol.
A imprensa paulista preferiu chamá-lo de Pelé, apelido cunhado durante sua infância em Bauru. Mas na Copa de 1958, seus companheiros começaram a chamá-lo de outra coisa: Alemão. Era uma ironia que marcava a clara oposição entre o seu tipo físico – e a cor de sua pele – e o dos atletas europeus.

O "Alemão" foi abandonado ainda na Suécia, mas Pelé continuaria a ser chamado, ao longo da carreira, por outras palavras que remetiam à cor de sua pele, como se essa característica física fosse definidora de sua personalidade. "Crioulo" é o termo que mais aparece nos jornais dos anos 60 em referência a ele. Em geral, a palavra foi usada de maneira intencionalmente afetuosa, embora seu uso exponha um discurso que define socialmente uma pessoa negra a partir da cor de sua pele.

Quando a seleção brasileira conquistou seu primeiro título mundial, Pelé foi o personagem principal de uma reportagem da revista Cruzeiro, na qual ele é comparado à figura folclórica do Saci-Pererê. Na mesma revista, um texto que descreve a passagem dos jogadores brasileiros pela Suécia sugere que uma criança loira se assombrou com a presença negra de Pelé e exclamou ao ouvi-lo dizer alguma coisa: "Mamãe, mamãe, ele fala!". Pelé, assim, é comparado a um animal, cuja capacidade de falar seria uma surpresa.

O sociólogo Muniz Sodré, especialista em estudos sobre a mídia, vê "nesses enunciados depreciativos" sobre Pelé a ética que mostra "o diferente do paradigma branco-europeu como um 'inumano universal' ou como uma outra espécie biológica não plenamente identificável como humana."
Mesmo já considerado o maior jogador do século e inspiração para milhões de negros no mundo todo, Pelé nunca se engajou na luta antirracista e chegou a ser cobrado por isso ao longo da carreira.

Há duas semanas, ao comentar o enfrentamento do goleiro Aranha ao racismo sofrido durante um jogo, Pelé disse que o santista se precipitou. Segundo Pelé, se ele tivesse parado todo jogo em que algum torcedor o chamasse de "macaco" ou "crioulo", teriam que ser interrompido todos os jogos de que ele participou.
Algumas das mais interessantes biografias de esportistas brasileiros20 fotos 15 / 20
PELÉ - MINHA VIDA EM IMAGENSComo o próprio nome já diz o destaque aqui são as fotos raras, inéditas e clássicas, que ilustram e complementam o depoimento do ex-jogador de futebol. Outra coisa bem bacana são os itens de colecionador que vêm junto com o livro, como uma réplica do cartaz da Copa do Mundo de 1958 e cópias de recortes de jornais da época. Montagem/UOL

De acordo com Angélica Basthi, autora de Pelé: estrela negra em campos verdes, uma biografia que foca a relação do jogador com a questão racial, o fato de ele ter reconhecido ter sofrido ofensas raciais em campo é um ponto de inflexão em sua trajetória.
"Pelé passou a vida negando que tivesse sofrido racismo. É a primeira vez que admite ter sido chamado vários momentos de macaco ou de crioulo em campo", afirma a pesquisadora. "Pode-se dizer que se trata de um pequeno avanço contar com esse reconhecimento do Pelé no debate sobre o racismo no futebol, ainda que o contexto utilizado por ele não contribua com a luta por igualdade racial. Mais uma contradição resultado do racismo produzido em nosso país."

Racismo na carne

De acordo com a pesquisa de Angélica, Pelé teve sua primeira experiência com o racismo ainda adolescente, em Bauru, quando começou a namorar uma garota branca. Assim que o pai dela soube do namorico da filha com um menino negro, deu uma surra na garota em público. O relacionamento acabou ali.
Mais tarde, Pelé também enfrentou problemas quando conheceu aquela que seria sua primeira esposa, Rosemeri, branca. "O jovem casal estava proibido de ser visto junto e a sós. Até para irem ao cinema, uma pessoa da família dela os acompanhava. Era uma situação estranha: primeiro chegava Rosemeri, acompanhada de um parente, para a sessão no cinema; só depois de começado o filme, Pelé era autorizado a entrar também. O namoro durou sete anos", conta a pesquisadora. Ela levanta duas hipóteses para isso. "Ou queriam proteger a filha do assédio por estar se relacionando com um craque famoso, ou tinham dificuldade de aceitar o relacionamento com um jovem negro, ainda que tivesse fama."
Um dia, durante uma excursão do Santos pela África, Pelé presenciou um momento de tensão racial pelo qual passavam várias nações do continente, que na década de 60 tentavam a independência das metrópoles europeias. No Senegal, a recepcionista branca do hotel onde o time se hospedou chamou de selvagens os negros que tentavam se aproximar dos santistas.
Um policial acabou prendendo a mulher. Ela alegou inocência e pediu para que Pelé testemunhasse a seu favor. O jogador se recusou a defendê-la e disse que se identificava com as pessoas que ela havia insultado. "Estar na África foi ao mesmo tempo uma lição de humildade e uma experiência gratificante. Senti que representava uma esperança para os africanos, como o negro que conseguiria fazer sucesso no mundo", escreveu Pelé em sua autobiografia publicada em 2006.

Racismo na Copa

A preparação da seleção brasileira para a Copa de 1958 foi marcada pela sombra dos fracassos nos dois Mundiais anteriores. Entre todos os diagnósticos para as derrotas em 1950, em casa, e em 1954, na Suíça, destacava-se a retomada de teorias racialistas em voga no Brasil desde os anos 1930. De acordo com setores da academia, da ciência e da imprensa, a fraqueza da seleção brasileira eram os jogadores negros e mulatos, menos maduros e disciplinados do que os europeus.
Foram os jogadores negros os mais responsabilizados pelo Maracanazzo em 1950 e pela derrota em 1954, depois de uma pancadaria nas quartas de final com os húngaros. De acordo com essa interpretação, negros e mulatos não teriam "fibra" nem sangue-frio para suportar pressões como essas.

Os cartolas responsáveis pela seleção queriam tudo diferente em 1958. Uma comissão técnica formada por médicos e psicólogos elaborou um parecer "científico" que ajudou o técnico Vicente Feola a montar o time titular para a estreia no Mundial da Suécia.
Entre os 11 que entraram em campo contra a Áustria, apenas um não era branco, Didi (tanto porque ele era o craque do time, como porque seu reserva imediato, Moacir, também era negro). Os outros negros e mulatos da seleção foram empurrados todos para a reserva: Pelé, Garrincha e Djalma Santos entre eles.

Eles só voltaram ao time de cima no terceiro jogo, contra a União Soviética, quando o treinador precisava da vitória e resolveu botar em campo os melhores jogadores e não os mais claros. Pelé e Garrincha, como se sabe, foram a sensação daquele Mundial. E jamais perderam uma partida juntos até 1966.
"O talento e a trajetória do Pelé foram fundamentais para arrancar um espaço para o negro no futebol brasileiro, mesmo ele nunca tendo se envolvido diretamente no combate ao preconceito", diz Angélica Basthi.

O discurso de Pelé sobre racismo é, e sempre foi, parecido com o de muitas pessoas de sua geração: o da negação. Ele diz que ao ouvir um xingamento racista vindo das arquibancadas, preferia ignorá-lo, como se não falar de um problema ajudasse a acabar com ele. Mesmo que ele tenha contribuído com o combate ao racismo através de sua trajetória pessoal, ele sempre foi cobrado a ter uma postura mais crítica e militante, o que nunca aconteceu.
É o oposto do discurso e da postura de Aranha, que, como muitas pessoas de sua geração (negras e brancas), preferem o enfrentamento duro de um problema que os afeta diretamente.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Página racista no Facebook é criada em "apoio" a torcedora gremista

publicado: Folha de São Paulo
FERNANDA CANOFRE
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE PORTO ALEGRE 23/09/2014 20h16

A auxiliar de odontologia Patrícia Moreira, 23, afirmou na última semana que pretendia se tornar "um símbolo nacional contra o racismo". Flagrada por câmeras de televisão, durante a partida entre Grêmio e Santos no dia 28 de agosto, gritando a palavra "macaco" para o goleiro Aranha, ela está sendo investigada por injúria racial, perdeu o emprego e teve de deixar sua casa porque recebeu ameaças.

Na internet, porém, o episódio envolvendo o jogador do Santos e a torcedora gremista gerou efeito colateral. Uma página criada no dia 14 de setembro no Facebook - intitulada "Apoiamos Patricia Moreira contra a hipocrisia do Politicamente Correto" - usa a imagem da torcedora para atacar críticas desde a definição do racismo até a vinda de imigrantes haitianos ao Brasil.

Em uma das postagens, uma montagem mostra jogadores de futebol como Neymar, Pelé, Tinga e Robinho acompanhados de mulheres loiras, para criticar a "hipocrisia" do "orgulho negro". Outro texto, postado pela página na terça-feira (23), traz uma mensagem a respeito de relacionamentos inter-raciais: "Diga não à miscigenação racial. Se o povo de Israel não se mistura, a gente também tem o mesmo direito de falar sobre, sem censuras politicamente corretas".
Reprodução
Reprodução de pagina criada no Facebook em apoio à torcedora do Grêmio que xingou o goleiro Aranha
Reprodução de pagina criada no Facebook em apoio à torcedora do Grêmio que xingou o goleiro Aranha
O criador por trás da página afirma ser um advogado carioca, de 27 anos, torcedor do Flamengo e simpatizante do Corinthians e do Grêmio, chamado Jeferson. Alegando preocupação por "questões de segurança", ele não aceitou conversar por telefone. "Falam que vão me denunciar, me rastrear, matar, que quem defende a 'garota racista' deve morrer, é rotina", respondeu em entrevista pelo chat da rede social.
Jeferson conta que é o único administrador do perfil. Fazendo referências ao deputado federal Jair Bolsonaro (PP/RJ), à paulista Mayara Peluso - processada em 2010 por comentários contra nordestinos em uma rede social - e ao autor de "Admirável Mundo Novo", Aldous Huxley, ele explica que criou a página para expôr contradições.
"A hipocrisia de pessoas dizendo que a torcedora é branca, nojenta que deve ser estuprada por negros, o racismo anti-branco é permitido no Brasil e saem impunes, uma lei que só vale pra um lado deve ser revogada. Fiz a página pra citar diversas patologias, contradições do movimento de esquerda", afirma.
Para ele, Aranha "aceita o coitadismo" e está entre os negros que funcionam como "massa de manobra" das políticas de esquerda. Seu contraponto seria o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa. "Eu tenho orgulho de ser Branco (sic), já fui tachado de muita coisa e nem por isso liguei, aqui tem uma parcialidade, negro pode dizer que tem orgulho, branco não, é hipocrisia, esquerdista sempre odiou Homem Branco", defende.
Reprodução/ESPN
Torcedora gremista grita
Torcedora gremista grita "macaco" para o goleiro Aranha, do Santos

INVESTIGAÇÕES DEPENDEM DE DENÚNCIAS
Segundo relatório da própria página, a maioria dos comentários da comunidade vem de São Paulo e os usuários estão na faixa etária entre 18 e 24 anos.

De acordo com o delegado substituto da Delegacia de Repressão a Crimes Informáticos da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, Joerbert Nunes, como nenhuma denúncia foi recebida não há crime. Se investigada, no entanto, a página pode ser enquadrada por prática de injúria racial ou racismo segundo Código Penal Brasileiro. "Podemos pedir dados cadastrais sem necessidade de ordem judicial. Fora isso, temos de procurar a identificação do provedor, o IP (número de registro do computador) das máquinas e pedir interceptação das conversas. Aí sim com autorização judicial", explicou.

Sem denúncias registradas contra o perfil, o Ministério Público também não conduziu investigações.

O advogado de Patricia Moreira, Alexandre Rossato, disse desconhecer a página e seu conteúdo. "Lamentável isso, estou sabendo por intermédio de vocês", declarou por telefone à Folha. Rossato estuda tomar medida judicial contra os administradores do perfil e pedir investigação ao Ministério Público. Segundo ele, Patricia pretende se tornar um símbolo contra o preconceito, "trabalhando contra o racismo, mostrando que não é racista". Porém, "ainda não tem nada concreto" sobre de que formas irá fazer isso.

CONCLUSÃO DO INQUÉRITO

Perto do fim do prazo de trinta dias para a conclusão do inquérito, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul diz que não tem previsão de pedir prorrogação para a entrega. O tempo legal encerra na próxima segunda-feira (29).
O inquérito está sendo montado com depoimentos, imagens de câmeras de segurança da Arena do Grêmio e de televisões, além de provas periciais como leitura labial realizada por duas fonoaudiólogas contratadas pela Polícia. Desde o dia 29 de agosto, a polícia ouviu aproximadamente dez pessoas e algumas das testemunhas devem ser chamadas para novo depoimento.

"Estou aguardando algumas diligências, inclusive a perícia, para decidir com relação a isso", afirmou o delegado responsável pelo caso Herbert Ferreira.
Marinho Saldanha/UOL


segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Ronaldinho Gaúcho é chamado de ‘macaco’ por político mexicano

publicado: Revista Fórum


Irritado com o trânsito causado pela apresentação do jogador ao clube Querétaro, o político atacou o brasileiro com insultos racistas

Por Redação
O jogador Ronaldinho Gaúcho foi vítima de declarações racistas por parte do político mexicano Carlos Treviño Nuñez. Irritado com o tumulto do trânsito no dia da apresentação do brasileiro ao clube Querétaro, o ex-secretário do Desenvolvimento Social resolveu manifestar a sua indignação no Facebook.
“Trato de ser tolerante, porém DETESTO FUTEBOL, e o fenômeno idiotizante que produz… Detesto ainda mais porque as pessoas estorvam e inundam as avenidas para fazer com que se demore duas horas para chegar em casa… E tudo para ver um MACACO… Brasileiro, mas ainda macaco. Isso já é um circo ridículo”, dizia a mensagem postada por Treviño, que foi apagada em seguida.
O secretário de Governo de Estado, Jorge Lopez Portillo, garantiu que as ofensas não ficarão impunes e o político será responsabilizado judicialmente pelo ato. “A discriminação racial não é o espírito e de modo nenhum representa o jeito de pensar das pessoas de Querétaro. Todos nós somos muito respeitosos. Naturalmente, é denunciável e estamos cientes de tudo”, explicou.
Até o momento, o jogador não se manifestou sobre o caso.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Pelé diz que Aranha 'se precipitou' ao reagir a gritos racistas

"Se eu fosse parar um jogo cada vez que me chamassem de macaco e crioulo, todo o jogo tinha que parar", comentou o Rei do Futebol
publicado: gazeta do povo

Apesar de ressaltar que é importante combater o racismo, Pelé avaliou nesta quarta-feira(10) que o goleiro Aranha, do Santos, errou na forma como reagiu às ofensas raciais que recebeu de torcedores gremistas durante jogo disputado no dia 28 de agosto, na Arena Grêmio, em Porto Alegre, pelas oitavas de final de Copa do Brasil. Segundo ele, o jogador santista se "precipitou" ao dar tanta atenção ao caso.
"O Aranha se precipitou um pouco em querer brigar com a torcida" disse Pelé, durante evento na tarde desta quarta-feira no Rio. "Se eu fosse parar um jogo cada vez que me chamassem de macaco e crioulo, todo o jogo tinha que parar", reforçou ele, lembrando dos tempos em que era jogador. "O torcedor, dentro da sua animosidade, grita mesmo. A gente tem que coibir o racismo, mas não é dessa forma."
Diante das ofensas que recebeu durante aquele jogo em Porto Alegre, Aranha chegou a procurar o árbitro para denunciar o caso. Depois de encerrada a partida, ele deu entrevista na saída do gramado e revelou que tinha sido chamado de "macaco" por alguns torcedores gremistas que estavam atrás do seu gol - imagens da tevê comprovaram que a acusação do goleiro do Santos era realmente verdadeira.
O caso envolvendo Aranha foi rapidamente julgado no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), que condenou o Grêmio com a exclusão da Copa do Brasil por causa das ofensas raciais contra o goleiro. O clube gaúcho já entrou com recurso, que deve ser julgado antes do começo das quartas de final entre Santos e Botafogo. Enquanto isso, a polícia investiga os torcedores que teriam cometido o ato.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Desculpas: por que não vamos aceitar.

por Mônica Gonçalves *
Desculpas: por que não vamos aceitar.

Hoje errei na mão ao cozinhar: queimei o bife, que ficou duro e sem gosto. Dada a necessidade, engoli. Teria feito com mais gosto soubesse da sobremesa estava por vir em seguida: um pedido de desculpas, adocicado por muitas lágrimas. Esse foi mais difícil de digerir – sim, falo da agressora de Aranha. Em minha visão, todo psicólogo é, primordialmente e antes de tudo, um analista do discurso, que faz pontes entre significantes e significados, e acaba desvelar os sentidos que se ocultam nessa trama. Nos dicionários Aurélio e Houaiss predominam dois sentidos para a palavra desculpa: o primeiro gira em torno de pedir desculpas ou desculpar, solicitar perdão ou indulgência. O outro tem como núcleo a ideia de escusa, pretexto, justificativa, ou “razão ou motivo para atenuar ou eximir da culpa”. Quando vi e ouvi a cena, imediatamente pensei: trata-se de desculpar-se ou de inventar desculpas? Ah, não, nem como psicóloga pensei em (des)culpar-se, enquanto demanda psíquica. Jamais. E me pareceram os dois sentidos tão articulados que assim também me veio o entendimento do que deva ser a interpretação e a resposta. Primeiro: Patrícia e/ou os representantes de seus interesses (os dela e os deles!) disseram que ela não sabia o que estava fazendo. Sabia sim. Bastam apenas duas condições para se apreender os códigos culturais: ser humano e habitar este planeta. Ela atende às duas. Sua fala, que soa, assim, tão isolada, descabida e inadvertida, revela a sabedoria da aprendizagem social, da experiência concreta de existir num mundo social e politicamente organizado em bases racistas, ainda que essa experiência seja inconscientemente aprendida – o que só a torna mais letal, mas não menos eficiente. Sua fala demonstra que aprendeu que o negro é inferior, sem valor, que pode ser desqualificado. Mostra o legado bem sucedido do capitalismo e das teorias eugenistas; mostra o júbilo da ideologia racista, amplamente difundida, que pretende afirmar que não somos gente. Segundo: Patricia disse que não é racista. É sim! Pois não é exatamente isso que sua fala e ação revelam? Dizer que não é racista diante do que fez só me fez pensar: a que ponto chegamos!!! Pensa que somos loucos? Essa fala e ação revelam ainda a posição que ocupa numa escala racial a que todos estamos submetidos: um lugar de suposta superioridade – suposta –, mas sem dúvida de privilégios, cuja percepção, apropriada e distorcida, lhe permitiu olhar um outro sujeito e deslegitimá-lo em tudo o que os identifica: a condição de ser humano. É bem verdade que há muitos racistas que por uma inteligência cínica, medo ou cautela – dos quais a moça não pensou em se utilizar – não se manifestam. O contrario, porém, não pode ser afirmado: se nem todo racista se revela em sua ação, toda ação racista revela o sujeito dessa mesma qualidade. Terceiro: ela disse que não teve a intenção. Mentira. Vejam a contradição: ela, que chama um homem de macaco não sabe a diferença entre esse bicho e um homem! A ação dirigida, a intencionalidade e a capacidade de planejamento voltados à concretização de uma idéia pré-concebida no intuito de satisfazer nossas necessidades é o que distingue Aranha da aranha, que faz a teia sem saber de sua linha, de seu desenho, de seu por que. A aranha faz porque responde a uma programação filogenética. É também o que difere o homem de um papagaio, que é mero reprodutor de signos sonoros que não é capaz de simbolizar, que não respondem a significados culturais partilhados socialmente, nem tem sentidos pessoais pra ele. Quarto: ela disse que fez por amor ao Grêmio. E…? Ainda espero uma desculpa, ou deveria eu pensar que o amor justifica barbáries? Ah, deveria? Ah, então eu penso, ok, mas esse não foi um discurso de amor ao Grêmio, e sim de ódio aos pretos. O seu amor ao Grêmio você esteja a vontade para proferir. E o que me preocupa nessa trama toda nem é tudo isso. Não são as desculpas falaciosas, mas as lágrimas forjadas para colocar forçosamente no campo do compreensível o que não é justificável. O papel de vítima não cabe ao agressor. Ela, que não nos poupou de seu racismo, podia ter tido a decência de nos poupar do choro que não cabe a ela; a ela só cabem responsabilização e reparação. E percebam um detalhe quase irrelevante: antes de pedir desculpas ao agredido – ao sujeito individual e a todo o povo negro – ela pediu desculpas ao clube e a toda a nação gremista! Depoooois ela se lembra de que feriu alguém, como quem diz ‘ah, é mesmo, ainda tem isso, né?!’. Seria uma piada? Não se enganem: tão pouco ingênua é essa sujeita, tanto sabe o que faz que que não se furtou a pedir desculpas a uma entidade que canta – literalmente – a branquitude. (Sobre branquitude, ler tese doutorado Lia Vainer Schucman). Sabe que ofender um sujeito negro, concreto e real, num sistema social racista e racializado, é menos doloso que prejudicar um sujeito branco, ainda que abstrato! E é por tudo isso que não vamos aceitar desculpas. Que fique enegrecido: se ela fala por muitos, por um sentimento identitário de superioridade a partir da percepção do privilégio de que toda pessoa branca goza em nossa sociedade, a contrapartida também é valida: ofendeu a todos nós, sujeitos negros, homens e mulheres. Essa onda de revolta não é contra essa garota, trata-se de dar-se conta de todas as violências que já sofremos: a diáspora, a escravatura, a eugenia, o genocídio, o encarceramento, todos concretizados numa fala: macaco. Não me parece uma reação desproporcional. Ao fim, penso que era isso que ela realmente não sabia, que assim como ela não fala por si só, não estamos sozinhos nós, cá desse outro lado. E não vamos mais admitir. E pra deixar bem frisado que o personagem principal dessa mensagem é nosso enfrentamento cotidiano e continua, é nossa resistência, encerro com esses três vídeos, que embora menos projetados que a postura de Aranha, certamente nos orgulham e empoderam grandemente. Ela não sabia? Pois que os dessabidos saibam: não estamos sozinhos; não vamos admitir atos racistas e… desculpas pra eles? Não vamos aceitar! Referência https://www.youtube.com/watch?v=_wZa3K2F5jc https://www.youtube.com/watch?v=YJ2lpQQCx00 https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=10201726019312463&id=1840013657 Imagem de destaque - Foto: Reprodução/ESPNAcompanhe nossas atividades, participe de nossas discussões e escreva com a gente.


Mônica Gonçalves*
Mônica Mendes Gonçalves, 28 anos, mulher, negra. Psicóloga desde 2008, neste ano ingressei no curso de Saúde Pública. De pequena aprendi com minha mãe que a mulher negra nasce na luta, e que essa afirmação de sua existência está em todos os palcos. Resisto a abandonar minha fé na mudança, expressa pelo desejo de lutar com os negros, as mulheres, os loucos, a saúde e a vida.


terça-feira, 2 de setembro de 2014

Grêmio usará presidente contra "linchamento" em julgamento sobre racismo

Jeremias Wernek
Do UOL, em Porto Alegre

O Grêmio levará seus argumentos de defesa ao STJD com o reforço de Fábio Koff. O presidente de 83 anos estará presente no julgamento desta quarta-feira, no Rio de Janeiro, com a missão de conferir mais peso a posição do clube em relação ao episódio envolvendo o goleiro Aranha, do Santos. Uma parte da diretoria vê no mandatário uma figura capaz de combater um linchamento público da instituição.
A historiografia do dirigente, fundador do Clube dos 13 e jurista aposentado, é uma das armas do Grêmio para bater de frente com a pressão pública no Superior Tribunal de Justiça Desportiva.
"O Grêmio tem bons argumentos de defesa, muito bons argumentos. O Grêmio está indo para um linchamento na quarta-feira. Claro que o clube confia nas provas que vai apresentar, no espírito de Justiça dos jogadores, mas o que está sendo feito pela imprensa do centro do país e pela secretaria do tribunal é inominável", disse Adalberto Preis, vice-presidente do Grêmio.

O reclame do dirigente ecoa em outras declarações da cúpula do Grêmio. Na opinião da cúpula, a repercussão tem sido grande demais e desmedida – em comparação com outros casos do gênero. E por isto a presença de Koff pode dar um ganho na defesa.
"Fábio Koff é uma figura de crédito dentro do futebol brasileiro. Ele é uma referência e sua história precisa ser respeitada. Ele estará junto no julgamento", disse Romildo Bolzan Jr., vice-presidente do Grêmio.

Além do dirigente, multicampeão e com grande força política no futebol brasileiro, o Grêmio pretende apresentar relatórios comprovando seu auxílio com as investigações da Polícia Civil. No domingo, o clube gaúcho encaminhou 60 minutos de imagens para a 4ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre. Com o vídeo, as autoridades identificaram um terceiro envolvido nos atos de injúria racial contra Aranha, do Santos.
A punição à organizada 'Geral do Grêmio' também será levada para prova de que o episódio ocorrido no jogo diante do Santos, pela Copa do Brasil, é um fato isolado.
Denunciado no artigo 243-G, o Grêmio pode receber uma multa de até R$ 100 mil, perder mandos de campo ou até ser excluído da Copa do Brasil.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

O racismo contra o goleiro do Santos e a luta contra o “politicamente facista”

por: Dennis de Oliveira
publicado: Revista Fórum

O racismo contra o goleiro do Santos e a luta contra o “politicamente facista”

O jogo Grêmio e Santos, no dia 28 de agosto, no Estádio Olímpico, foi palco de mais uma manifestação racista. Desta vez, a vítima foi o goleiro santista Aranha, chamado de “macaco” e “preto fedido” por torcedores gremistas na partida vencida pelo alvinegro praiano por 2 a 0.
O episódio aconteceu no final da partida, aos 43 minutos do segundo tempo. Assisti ao VT da partida. O Santos fez dois a zero no primeiro tempo e depois segurou o resultado. Aranha foi um dos jogadores mais importantes nesta vitória, pois no segundo tempo, só deu Grêmio. Algumas defesas do goleiro santista foram fundamentais para o resultado positivo.
Por que estou dizendo isto? Justamente pelo fato do racismo sempre se apresentar como uma “reserva argumentativa” em situações como esta. O lema de “vencer a qualquer custo” impregnado nos torcedores e até jogadores e técnicos – que, inclusive, incentiva a violência generalizada nos estádios e fora deles – traz consigo o racismo, o machismo e a homofobia como comportamentos frequentes. E acontecem simplesmente porque o racismo, o machismo e a homofobia estão impregnados na sociedade brasileira. Ainda que tenha se avançado nas políticas de combate a estes mecanismos, eles ainda persistem no imaginário.

Na defesa de uma orientanda minha de doutorado na Pós Graduação em Direitos Humanos da USP, o meu amigo professor Salvador Sandoval, da PUC/SP, estudioso dos mecanismos de opressão e autoritarismo social, disse que as normas legais podem coibir comportamentos mas não pensamentos.

É aí que quero meter a minha contribuição neste debate, para irmos além da justíssima indignação que muitos tiveram contra este episódio. Existe impregnado na sociedade brasileira pensamentos autoritários, em especial o racismo e o machismo, principalmente porque estes sustentam hierarquias sociais. Para a torcedora branca gremista Patrícia Moreira, flagrada no ato racista nas arquibancadas da Arena Grêmio, “como um negro ousa atrapalhar a vitória do meu time?” Assim, como os casos de racismo contra estudantes negros que ingressam nas universidades por meio de ações afirmativas, “como ousam querer dividir um espaço que é só meu?”.

Por isto, embora sejam importantes os mecanismos institucionais de punição ao racismo e inserção de afrodescendentes, eles não são suficientes por si só para coibir o racismo. O mesmo ocorre com o machismo. Isto porque são ideologias que sustentam uma determinada forma de relação social. E as ideologias se realizam nas práticas cotidianas. Daí a necessidade de se denunciar, de ser vigilante, de apontar o dedo quando expressões, comportamentos, falas, atitudes denotam racismo (e também machismo e homofobia). Não se trata de impor a ditadura do politicamente correto, mas de combater o politicamente facista (emprestando uma fala do escritor Marcelo Rubens Paiva).

Neste sentido, fez bem Aranha indignar-se e denunciar o episódio. Ir até o fim com isto, independente da morosidade da Justiça ou da má vontade dos cartolas do futebol. Não apenas para punir os torcedores, mas principalmente como papel pedagógico, de cutucar e fazer refletir que em uma sociedade justa, pessoas que tenham tais comportamentos não fazem sentido.

Grêmio cede 1h de imagens de racismo e polícia passa a agir nesta segunda

O Grêmio entregou na noite de domingo as imagens do sistema interno de câmeras da Arena para a Polícia Civil do Rio Grande do Sul. Na 4ª Delegacia de Polícia, os vídeos começam a ser analisados nesta segunda-feira. Também nesta data, dois torcedores identificados como autores de xingamentos racistas contra o goleiro Aranha, do Santos, no jogo da Copa do Brasil na última quinta-feira, serão intimados a prestar esclarecimentos.

Entre eles a jovem Patrícia Moreira, de 23 anos. Flagrada pelas câmeras da ESPN chamando o goleiro Aranha de 'macaco', a moça esteve fora de Porto Alegre acompanhada da família nos últimos dias. A ideia, segundo vizinhos, era 'fugir' da repercussão do caso.

Mas a manifestação dela também foi confirmada por pessoas próximas. Patrícia vai se apresentar e, acompanhada por um advogado, dar sua versão para os fatos.

Após analisarem as imagens, os policiais vão separar trechos, buscar identificar mais pessoas, e ainda confrontar os vídeos com os acusados. Sendo comprovados atos de injúria racial, o passo seguinte é indiciar os suspeitos. Posteriormente, um julgamento apurará culpa e a pena neste caso vai de 1 a 3 anos de reclusão.

São mais de 60 minutos de imagens. E a qualidade do sistema de câmeras da Arena do Grêmio não é a melhor. Tanto que no caso de injúria racial contra o zagueiro Paulão, do Internacional, na primeira partida da final do Gauchão, a baixa qualidade do vídeo não autorizou a identificação do responsável.

O Grêmio entregou contatos dos dois torcedores intimados a depor nesta segunda. E outros três aficionados identificados também foram apontados pela agremiação. Estes precisam ser encontrados para viverem momento semelhante de intimação e depoimento.

Ao todo, a Polícia Civil gaúcha espera encontrar até 20 responsáveis pelos atos de racismo contra o goleiro Aranha, do Santos. O Grêmio tenta de todas as formas auxiliar na investigação, até como argumento para se livrar de um punição mais forte no STJD. O julgamento no tribunal desportivo ocorrerá na tarde de quarta-feira e o duelo de volta contra o Santos pela Copa do Brasil foi suspenso até que todas instâncias sejam vencidas.

Clube se mobiliza por conscientização, mas não dá 100% certo

O Grêmio se mobilizou e fez uma série de ações pela conscientização de seus torcedores na partida deste domingo, contra o Bahia. Foram vídeos, faixa com jogadores, materiais de imprensa, tudo no pleito pelo fim de discriminação.

Mas não deu totalmente certo. No fim do primeiro tempo, a organizada Geral do Grêmio cantou músicas que se referiam ao Internacional como 'macacada' e 'macaco imundo'. Depois da partida, o presidente Fábio Koff disse que tais atos foram propositais e tiveram motivação política.


sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Robinho pede 'punição da Europa' para racistas no caso Aranha

publicado:esporte.uol.com.br

O atacante Robinho, principal estrela do Santos, também pediu punição aos torcedores do Grêmio que xingaram e imitaram macaco para provocar o goleiro Aranha no segundo tempo da vitória santista contra os gaúchos por 2 a 0 na última quinta-feira, na Arena Grêmio, em Porto Alegre, pelas oitavas de final da Copa do Brasil.
O camisa 7, que defendeu Real Madrid, da Espanha, Manchester City, da Inglaterra, e Milan, da Itália, lembrou que os atos de racismo nos estádio de futebol também ocorrem na Europa. No entanto, Robinho ressaltou que, diferente do Brasil, os torcedores que cometem o ato de racismo são punidos no futebol europeu.

"Tudo vai de acordo com a punição, identificar os torcedores e puni-los. Se não houver punição vai continuar. A gente sabe que não vai ser a última vez. Xingar é normal, mas não de uma maneira racista. Na Europa também tem, joguei bastante tempo e também tem. Lá as punições são mais severas, se o torcedor for identificado no estádio, ele não aparece mais", afirmou Robinho.
"A questão principal é isso, punição. Tem a questão da violência. Estádio de futebol é um lugar de alegria, para levar as crianças, a família. Então, quem vem para xingar, brigar, tem que ficar de fora", completou.

Aranha foi vitima de racismo no final da partida e deixou o campo revoltado com alguns torcedores. "Chamaram-me de preto fedido, cambada de preto. Começou aquele corinho de macaco. Eu pedi para o cinegrafista filmar, mas já tinham feito. Eu fico p..., desculpe o palavrão. Dói, dói", afirmou Aranha.

O Santos isentou o Grêmio de possíveis punições, mas prometeu acionar a Justiça para punir os torcedores que protagonizaram os atos de racismo contra o goleiro. Imagens da rede de televisão ESPN deixam bem claro as ofensas com gestos e palavras contra o camisa 1, que reclamou com o árbitro Wilton Pereira Sampaio, mas não viu nada ser relatado em súmula.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Torcedor que mostrou banana a brasileiro é banido para sempre no Japão



publicado: uol.com.br
O Yokohama F-Marines anunciou neste domingo que baniu para sempre o seu torcedor que mostrou uma banana na frente do jogador brasileiro Renatinho, que defende o Kawasaki Frontale. As duas equipes se enfrentaram no sábado, e o time do brasileiro acabou perdendo a partida em que o ato aconteceu.
O torcedor, identificado pelo clube como um adolescente, fica assim proibido de entrar novamente no estádio do Yokohama pelo resto de sua vida. Em entrevista, o presidente do clube Akira Kaetsu afirmou que o gesto "é imperdoável". "Não vamos tolerar atos de discriminação", afirmou.
De acordo com a imprensa japonesa, o torcedor disse às autoridades do clube que seu gesto foi simplesmente "um ato de provocação" que "não tinha a intenção de atingir ninguém em particular".
Em entrevista ao UOL Esporte antes de saber da punição, Renatinho afirmou que esperava que algo fosse feito. "Foi complicado. Foi um pouco difícil. Eu fico triste, minha família ficou triste. Agora tem que levantar a cabeça e esperar que a punição vai ser dada", disse ele.
É a segunda vez que um episódio assim acontece no campeonato japonês. Em março, o Urawa Reds precisou jogar de portões fechados porque seus torcedores levaram a uma partida uma faixa que pedia "apenas japoneses" no elenco da equipe.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Entidade denuncia propaganda neonazista durante Copa

publicado: gazeta do povo
Pelo menos 14 atos de racismo ou discriminação teriam ocorrido nos estádios brasileiros durante as 64 partidas da Copa
Um dos lemas da Copa do Mundo do Brasil seria a luta contra a discriminação e o racismo, uma bandeira promovida pelo governo brasileiro e pela Fifa. Mas, segundo a principal entidade que monitora esses incidentes no mundo do esporte, a Fare, o torneio viu uma proliferação assustadora de casos de propaganda neonazista nos estádios brasileiros. A instituição, inclusive, acusa os organizadores do Mundial de terem "fechado os olhos" para o problema.
Um levantamento produzido pela Fare revelou que pelo menos 14 atos de racismo ou discriminação ocorreram nos estádios brasileiros durante as 64 partidas da Copa. Ainda assim, praticamente ninguém foi punido. Segundo a instituição, os incidentes incluíram "abusos homofóbicos e racismo". O mais frequente, no entanto, foi o registro de "propaganda da extrema-direita europeia".


Em 16 de junho, na goleada da Alemanha sobre Portugal, na Arena Fonte Nova, em Salvador, um torcedor abriu a Reichskriegsflagge, a bandeira de guerra da Alemanha Imperial, usada entre 1867 e 1921. A bandeira é proibida em praticamente toda a Alemanha e é usada como símbolo de grupos de extrema-direita.Na Europa, eleições em vários países nos últimos meses têm registrado o aumento de apoio a grupos xenófobos. O levantamento da Fare apontou que a exposição dos símbolos neonazistas chegou ao Brasil durante a Copa. Os casos foram notados desde o jogo de abertura, em que a seleção brasileira derrotou a Croácia. Na ocasião, torcedores croatas abriram no Itaquerão uma bandeira com uma saudação da organização fascista Ustashe, que atuou na Segunda Guerra Mundial e matou milhões de pessoas.

Um dia depois, na partida entre Rússia e Coreia do Sul, na Arena Pantanal, em Cuiabá, um cartaz com símbolos neonazistas foi visto no estádio. O cartaz trazia o crânio da SS-Totenkopf, uma cruz celta e a bandeira da Rússia Imperial, todos usados pela extrema-direita. O mesmo ocorreu na partida entre Argélia e Rússia, em 26 de junho.

A Fare apontou ainda que as manifestações neonazistas não se limitaram aos estádios. Alguns grupos chegaram a divulgar fotos em locais como o Cristo Redentor, no Rio.

Apesar de todos esses casos, a entidade lamentou que a Fifa não tenha monitorado e punido os responsáveis. "É uma vergonha que a Fifa pareça ter fechado os olhos para os incidentes", declarou Piara Powar, diretor executivo da entidade.

A Fifa afirmou que chegou a investigar alguns dos casos apontados pela Fare, mas julgou que não poderia aplicar nenhum tipo de multa ou penalizar as seleções envolvidas.

Jeff Webb, presidente da Concacaf e um dos líderes do movimento de combate ao racismo no futebol, também atacou a passividade da Fifa. "Existe uma desconexão entre o discurso e a execução. É lamentável", disse o dirigente das Ilhas Cayman.