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segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Entidade denuncia propaganda neonazista durante Copa

publicado: gazeta do povo
Pelo menos 14 atos de racismo ou discriminação teriam ocorrido nos estádios brasileiros durante as 64 partidas da Copa
Um dos lemas da Copa do Mundo do Brasil seria a luta contra a discriminação e o racismo, uma bandeira promovida pelo governo brasileiro e pela Fifa. Mas, segundo a principal entidade que monitora esses incidentes no mundo do esporte, a Fare, o torneio viu uma proliferação assustadora de casos de propaganda neonazista nos estádios brasileiros. A instituição, inclusive, acusa os organizadores do Mundial de terem "fechado os olhos" para o problema.
Um levantamento produzido pela Fare revelou que pelo menos 14 atos de racismo ou discriminação ocorreram nos estádios brasileiros durante as 64 partidas da Copa. Ainda assim, praticamente ninguém foi punido. Segundo a instituição, os incidentes incluíram "abusos homofóbicos e racismo". O mais frequente, no entanto, foi o registro de "propaganda da extrema-direita europeia".


Em 16 de junho, na goleada da Alemanha sobre Portugal, na Arena Fonte Nova, em Salvador, um torcedor abriu a Reichskriegsflagge, a bandeira de guerra da Alemanha Imperial, usada entre 1867 e 1921. A bandeira é proibida em praticamente toda a Alemanha e é usada como símbolo de grupos de extrema-direita.Na Europa, eleições em vários países nos últimos meses têm registrado o aumento de apoio a grupos xenófobos. O levantamento da Fare apontou que a exposição dos símbolos neonazistas chegou ao Brasil durante a Copa. Os casos foram notados desde o jogo de abertura, em que a seleção brasileira derrotou a Croácia. Na ocasião, torcedores croatas abriram no Itaquerão uma bandeira com uma saudação da organização fascista Ustashe, que atuou na Segunda Guerra Mundial e matou milhões de pessoas.

Um dia depois, na partida entre Rússia e Coreia do Sul, na Arena Pantanal, em Cuiabá, um cartaz com símbolos neonazistas foi visto no estádio. O cartaz trazia o crânio da SS-Totenkopf, uma cruz celta e a bandeira da Rússia Imperial, todos usados pela extrema-direita. O mesmo ocorreu na partida entre Argélia e Rússia, em 26 de junho.

A Fare apontou ainda que as manifestações neonazistas não se limitaram aos estádios. Alguns grupos chegaram a divulgar fotos em locais como o Cristo Redentor, no Rio.

Apesar de todos esses casos, a entidade lamentou que a Fifa não tenha monitorado e punido os responsáveis. "É uma vergonha que a Fifa pareça ter fechado os olhos para os incidentes", declarou Piara Powar, diretor executivo da entidade.

A Fifa afirmou que chegou a investigar alguns dos casos apontados pela Fare, mas julgou que não poderia aplicar nenhum tipo de multa ou penalizar as seleções envolvidas.

Jeff Webb, presidente da Concacaf e um dos líderes do movimento de combate ao racismo no futebol, também atacou a passividade da Fifa. "Existe uma desconexão entre o discurso e a execução. É lamentável", disse o dirigente das Ilhas Cayman.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Fifa faz nova campanha contra discriminação na Copa

Capitães de Alemanha e França leram mensagem antes de partida no Maracanã. Seleções posaram com mensagem de "diga não ao racismo"
publicado:gazeta do povo

A Fifa iniciou nesta sexta-feira (4) uma nova campanha contra a discriminação. Antes da partida entre França e Alemanha, no Maracanã, pelas quartas de final da Copa do Mundo, os capitães Hugo Lloris e Phillip Lahm leram no centro do gramado, em francês e alemão, respectivamente, um texto condenando qualquer tipo de preconceito.
Pelo sistema do som do estádio a mensagem foi transmitida em português.O texto dizia: "Rejeitamos qualquer tipo de discriminação de raça, orientação sexual, origem ou religião. Através do poder do futebol, podemos ajudar e livrar o nosso esporte e a nossa sociedade do racismo. Assumimos o compromisso de perseguir esse objetivo e contamos com você para nos ajudar nesta luta".
Após a execução dos hinos, os 22 jogadores e o trio de arbitragem posaram para os cinegrafistas e fotógrafos com uma faixa onde se lia "Say no to racism" (Diga não ao racismo).
A Fifa também lançou uma campanha convidando jogadores e torcedores a publicarem a mensagem #DigaNãoAoRacismo através de selfies nas redes sociais. Algumas fotos com a mensagem foram sorteadas e exibidas nos telões do Maracanã. O mesmo acontecerá nos demais estádios que vão sediar os jogos das quartas de final, em Fortaleza, Salvador e Brasília.
Em entrevista ao site da Fifa publicada na quinta-feira, o secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke, reforçou a necessidade de erradicar o racismo e todas as formas de discriminação no futebol."O objetivo é usar a plataforma dos grandes eventos do futebol para mandar um sinal claro a milhões de pessoas ao redor do mundo que acompanham o evento para que elas participem da luta contra todas as formas de discriminação. Por conta do impacto, especialmente por meio da influência dos jogadores sobre as gerações mais novas, o futebol pode desempenhar um papel importante nesta busca", disse.

Fifa: ausência de negros em cargos administrativos é reflexo da realidade

publicado:agencia Brasil
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O vice-presidente da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Jeffrey Webb, disse hoje (3) que há uma ausência de negros em cargos administrativos no futebol em várias partes do mundo. “Essa é a percepção sobre uma realidade infeliz”, disse, ao avaliar que os negros também estão sub-representados em outras áreas. Segundo Webb, que também é diretor da Força-Tarefa Antirracismo da Fifa, o futebol não abraçou a diversidade e a integração em cargos de mais prestígio, como o de treinador.
“Há um reflexo em campo dessa falta de diversidade. A mesma coisa acontece nas empresas, nos clubes e nas associações”, avaliou Webb, em entrevista sobre racismo no futebol.
Ao assumir o cargo na força-tarefa, em 2013, o vice-presidente da Fifa se propôs a compreender as oportunidades para as pessoas pretas e pardas no futebol, uma vez que é grande o número de jogadores negros. “O Cafu [ex-jogador brasileiro] disse que isso não existe no Brasil. Em alguns lugares do mundo estamos avançando, em outros, não”, disse.
Na avaliação do capitão do Brasil no pentacampeonato, a presença de apenas dois técnicos negros na primeira divisão do Campeonato Brasileiro é “coincidência”. Ele acredita que, no país do futebol, são muitos os negros no alto escalão. “Isso depende muito da capacidade intelectual da pessoa e não da cor”, declarou. “Mas é óbvio que se forem dadas mais oportunidades para uma pessoa que não tem tantas condições, tanto direito à igualdade, ela vai se destacar”, completou.
Levantamento da Rádio Nacional aponta que dos 20 times que participam, este ano, da maior competição do futebol nacional, apenas dois têm treinadores negros: o Fluminense, do Rio de Janeiro, comandado por Cristóvão Borges, e o Chapecoense, de Santa Catarina, por Celso Rodrigues.
Auxiliar técnico da seleção de Trindad e Tobago, o ex-jogador Dwight Yorke, que brilhou no Manchester United, também acredita que as oportunidades aparecem com a qualificação, mas vê um problema: “O fato é que há muito jogadores que gostariam de ser técnicos, mas sentem que não terão oportunidade para tal”, declarou, ao participar da entrevista. Na avaliação dele, com ações de combate ao racismo, a Fifa também deve atacar o problema.
“Esperamos que com novos regulamentos haja igualdade de oportunidades. Isso [a ausência de negros entre os treinadores] é algo que devemos corrigir”, completou.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Datafolha confirma: quem foi ao Mineirão torcer pelo Brasil é a elite branca

Entre os entrevistados nos acessos ao estádio, 67% se declararam brancos e 90% disseram pertencer às classes A ou B. Números se mostram distantes da realidade do Brasil



Publicado: revista forum com informações da Folha de S. Paulo
O Datafolha não deixa dúvidas: quem foi ontem (28) ao Mineirão, em Belo Horizonte, torcer pela Seleção Brasileira é a chamada “elite branca”.

O instituto entrevistou 693 pessoas nos acessos ao estádio, das quais 67% se declararam brancas. Quando questionadas sobre condição econômica, 90% disseram pertencer às classes A ou B.

Em um panorama geral, 61% dos entrevistados eram da classe B; 29%, da classe A; e apenas 9%, da classe C. Os números se revelam distantes da realidade do Brasil, onde este último estrato social corresponde a 49% da população

A torcida da “amarelinha” no Mineirão também não representa o país em termos raciais. Entre os brasileiros, 41% se consideram pardos e 15%, negros. Na arena, os pardos não ultrapassaram os 24%, e os negros eram apenas 6% – menos da metade do que indica o nível nacional.

Em relação à média de aprovação do governo de Dilma Rousseff (PT), os índices mais uma vez divergem. Dentre os que acompanharam a partida in loco, mais da metade (55%) classifica a gestão da presidente como ruim ou péssima, número diferente do que aponta uma pesquisa realizada no início de junho, em que 38% da população o qualificaram como regular e outros 33%, como bom ou ótimo.

Quando o assunto é identidade nacional, 91% dos entrevistados no estádio disseram ter mais orgulho do que vergonha de ser brasileiro. Em levantamento feito no país todo no começo de maio, a parcela dos que afirmaram o mesmo era de 77%.