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segunda-feira, 1 de setembro de 2014

O racismo contra o goleiro do Santos e a luta contra o “politicamente facista”

por: Dennis de Oliveira
publicado: Revista Fórum

O racismo contra o goleiro do Santos e a luta contra o “politicamente facista”

O jogo Grêmio e Santos, no dia 28 de agosto, no Estádio Olímpico, foi palco de mais uma manifestação racista. Desta vez, a vítima foi o goleiro santista Aranha, chamado de “macaco” e “preto fedido” por torcedores gremistas na partida vencida pelo alvinegro praiano por 2 a 0.
O episódio aconteceu no final da partida, aos 43 minutos do segundo tempo. Assisti ao VT da partida. O Santos fez dois a zero no primeiro tempo e depois segurou o resultado. Aranha foi um dos jogadores mais importantes nesta vitória, pois no segundo tempo, só deu Grêmio. Algumas defesas do goleiro santista foram fundamentais para o resultado positivo.
Por que estou dizendo isto? Justamente pelo fato do racismo sempre se apresentar como uma “reserva argumentativa” em situações como esta. O lema de “vencer a qualquer custo” impregnado nos torcedores e até jogadores e técnicos – que, inclusive, incentiva a violência generalizada nos estádios e fora deles – traz consigo o racismo, o machismo e a homofobia como comportamentos frequentes. E acontecem simplesmente porque o racismo, o machismo e a homofobia estão impregnados na sociedade brasileira. Ainda que tenha se avançado nas políticas de combate a estes mecanismos, eles ainda persistem no imaginário.

Na defesa de uma orientanda minha de doutorado na Pós Graduação em Direitos Humanos da USP, o meu amigo professor Salvador Sandoval, da PUC/SP, estudioso dos mecanismos de opressão e autoritarismo social, disse que as normas legais podem coibir comportamentos mas não pensamentos.

É aí que quero meter a minha contribuição neste debate, para irmos além da justíssima indignação que muitos tiveram contra este episódio. Existe impregnado na sociedade brasileira pensamentos autoritários, em especial o racismo e o machismo, principalmente porque estes sustentam hierarquias sociais. Para a torcedora branca gremista Patrícia Moreira, flagrada no ato racista nas arquibancadas da Arena Grêmio, “como um negro ousa atrapalhar a vitória do meu time?” Assim, como os casos de racismo contra estudantes negros que ingressam nas universidades por meio de ações afirmativas, “como ousam querer dividir um espaço que é só meu?”.

Por isto, embora sejam importantes os mecanismos institucionais de punição ao racismo e inserção de afrodescendentes, eles não são suficientes por si só para coibir o racismo. O mesmo ocorre com o machismo. Isto porque são ideologias que sustentam uma determinada forma de relação social. E as ideologias se realizam nas práticas cotidianas. Daí a necessidade de se denunciar, de ser vigilante, de apontar o dedo quando expressões, comportamentos, falas, atitudes denotam racismo (e também machismo e homofobia). Não se trata de impor a ditadura do politicamente correto, mas de combater o politicamente facista (emprestando uma fala do escritor Marcelo Rubens Paiva).

Neste sentido, fez bem Aranha indignar-se e denunciar o episódio. Ir até o fim com isto, independente da morosidade da Justiça ou da má vontade dos cartolas do futebol. Não apenas para punir os torcedores, mas principalmente como papel pedagógico, de cutucar e fazer refletir que em uma sociedade justa, pessoas que tenham tais comportamentos não fazem sentido.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Robinho pede 'punição da Europa' para racistas no caso Aranha

publicado:esporte.uol.com.br

O atacante Robinho, principal estrela do Santos, também pediu punição aos torcedores do Grêmio que xingaram e imitaram macaco para provocar o goleiro Aranha no segundo tempo da vitória santista contra os gaúchos por 2 a 0 na última quinta-feira, na Arena Grêmio, em Porto Alegre, pelas oitavas de final da Copa do Brasil.
O camisa 7, que defendeu Real Madrid, da Espanha, Manchester City, da Inglaterra, e Milan, da Itália, lembrou que os atos de racismo nos estádio de futebol também ocorrem na Europa. No entanto, Robinho ressaltou que, diferente do Brasil, os torcedores que cometem o ato de racismo são punidos no futebol europeu.

"Tudo vai de acordo com a punição, identificar os torcedores e puni-los. Se não houver punição vai continuar. A gente sabe que não vai ser a última vez. Xingar é normal, mas não de uma maneira racista. Na Europa também tem, joguei bastante tempo e também tem. Lá as punições são mais severas, se o torcedor for identificado no estádio, ele não aparece mais", afirmou Robinho.
"A questão principal é isso, punição. Tem a questão da violência. Estádio de futebol é um lugar de alegria, para levar as crianças, a família. Então, quem vem para xingar, brigar, tem que ficar de fora", completou.

Aranha foi vitima de racismo no final da partida e deixou o campo revoltado com alguns torcedores. "Chamaram-me de preto fedido, cambada de preto. Começou aquele corinho de macaco. Eu pedi para o cinegrafista filmar, mas já tinham feito. Eu fico p..., desculpe o palavrão. Dói, dói", afirmou Aranha.

O Santos isentou o Grêmio de possíveis punições, mas prometeu acionar a Justiça para punir os torcedores que protagonizaram os atos de racismo contra o goleiro. Imagens da rede de televisão ESPN deixam bem claro as ofensas com gestos e palavras contra o camisa 1, que reclamou com o árbitro Wilton Pereira Sampaio, mas não viu nada ser relatado em súmula.