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quarta-feira, 23 de julho de 2014

Pra Refletir: O Rappa - Tribunal de Rua


A viatura foi chegando devagar
E de repente, de repente resolveu me parar
Um dos caras saiu de lá de dentro
Já dizendo, ai compadre, você perdeu
Se eu tiver que procurar você ta fudido
Acho melhor você ir deixando esse flagrante comigo
No início eram três, depois vieram mais quatro
Agora eram sete samurais da extorsão
Vasculhando meu carro
Metendo a mão no meu bolso
Cheirando a minha mão.

De geração em geração
Todos no bairro já conhecem essa lição
Eu ainda tentei argumentar
Mas tapa na cara pra me desmoralizar.

Tapa na cara pra mostrar quem é que manda
Pois os cavalos corredores ainda estão na banca
Nesta cruzada de noite encruzilhada
Arriscando a palavra democrata
Como um santo graal
Na mão errada dos homens
Carregada de devoção.

De geração em geração
Todos no bairro já conhecem essa lição.

O cano do fuzil, refletiu o lado ruim do Brasil
Nos olhos de quem quer
E me viu o único civil rodeado de soldados
Como seu eu fosse o culpado
No fundo querendo estar
A margem do seu pesadelo
Estar acima do biótipo suspeito
Mesmo que seja dentro de um carro importado
Com um salário suspeito
Endossando a impunidade a procura de respeito.

Mas nesta hora só tem sangue quente
E quem tem costa quente
Pois nem sempre é inteligente
Peitar um fardado alucinado
Que te agride e ofende para te
Levar alguns trocados
Era só mais uma dura
Resquício de ditadura
Mostrando a mentalidade
De quem se sente autoridade
Nesse tribunal de rua.

Inspiração haitiana

Daniel Castellano/ Gazeta do Povo  / A partir da esquerda: Daniel Amaral, o “cara das cordas”; Giovana Luersen, vocalista e autora da letra; a flautista Fernanda Fausto; o baixista Davi Dornellas e o violonista Asaph Eleutério.  Também fazem parte do grupo Karla Dibia (clarinete) e Gabrelly Nichele (percussão)
publicado: gazeta do povo
Pela “despolaquização” de Curitiba, grupo de músicos lança canção em homenagem aos imigrantes do Haiti que vivem na cidade
“Cada viagem de Inter 2 dá um Ulysses”, assegura o músico Daniel Amaral. Não que James Joyce seja facilmente reproduzível. Mas o fato é que, todos os dias, várias histórias acontecem silenciosamente em Curitiba. Nos ônibus, nas praças, na Rua XV. Uma delas começa a finalmente a chegar ao que se poderia chamar de coração afetivo da cidade, espaço no qual se encontra aquilo que tem importância – ou é discutido entre cafezinhos na Boca Maldita.
Os cerca de 2 mil haitianos que vivem e trabalham em Curitiba ainda não têm um clube próprio. Tampouco emprestam seus nomes afrancesados a alguma rua. Mas os creoles, de certa forma, podem comemorar porque não são mais (tão) invisíveis: sua recente história por aqui é motivo de inspiração para um grupo de sete jovens músicos da Faculdade de Artes do Paraná (Fap), integrantes da banda Alimentadores da Região.
A música traça um rápido panorama do cotidiano dos haitianos por essa cidade que um dia já foi refúgio de poloneses, italianos e alemães. O Haiti não é aqui, mas o Água Verde, durante a construção da nova Arena da Baixada, se tornou um pedaço dele. A canção lembra-se disso. Também dos pensionatos onde vivem alguns haitianos. E, por fim, do Butiatuvinha, maior reduto dos caribenhos por essas bandas frias.A letra da canção “CWBTI”, disponível para audição na internet (veja serviço abaixo), é de Giovana Luersen, outra usuária dos alimentadores, ligeirões e convencionais amarelinhos. “Moro no Centro. Percebi que havia haitianos em todas as partes, em todos os horários. Fiquei interessada no assunto e vi que ninguém havia se ligado nesse momento histórico importante,” diz Giovana, voz e violão do grupo Alimentadores da Região, formado em 2012 no pátio da faculdade.

Talvez o grupo tenha até aplicado conceitos dos estudos culturais ou de sociologia da música, disciplinas que ainda estudam na Fap, para talhar a canção. Mas o fato de a composição ser dividida em duas partes quase antagônicas entre si – começo reggae, desfecho punk – vem da observação em campo. “Apesar de tudo, da nossa aceitação, sempre vejo pessoas falando mal de haitianos. São os ‘curitibocas’ em ação”, cutuca Giovana, curitibana-leite quente assim como quatro dos outros músicos.
“Despolaquização”
O mais recente fenômeno de imigração ainda vai dar o que falar, mas para o grupo ele já suscita pistas sobre como os fatores culturais da cidade podem se reorganizar. Seria, como afirma o grupo numa troça étnica, a “despolaquização” de Curitiba. “Apesar da loucura deste mundo, percebemos de fato que os haitianos estão entre nós, produzindo e trabalhando. Através da música, queremos que as pessoas percebam isso também”, diz Asaph Eleutério, voz e violão da banda.
Se em outros cantos a imigração atual é motivo de complexas e até violentas reações sociais – turcos na Alemanha, africanos na França, por exemplo – em Curitiba o problema parecia ser a indiferença. “As novas diásporas continuam”, diz a flautista Fernanda Fausto. “Se pensarmos de forma ampla, é a construção de uma nova identidade, seja aqui ou na França.” Allez.
Cenário da canção é o maior reduto dos imigrantes
Eles estão mesmo nas ruas, embora sempre a trabalho, nunca pela esmola. Sobreviventes do terremoto que devastou o Haiti em 2010, rapidamente enxergaram o Brasil como nova Canaã. Mesmo que tivessem curso superior, foram, como mostram alguns trechos do documentário Operários da Bola, mão-de-obra fundamental para a construção dos estádios brasileiros para a Copa de 2014. Em Curitiba, a história foi mais ou menos a mesma.
De acordo com informações atualizadas da Pastoral do Migrante, são cerca de 5 mil os haitianos no Paraná. Dois mil deles estão em Curitiba e trabalham, em sua maioria, na construção civil.
Durante o auge das obras na Arena da Baixada, 1,5 mil homens batiam ponto no Água Verde – quatrocentos deles eram haitianos, cerca de 30% do total. Os caribenhos também venderam seus muques durante a construção do Shopping Pátio Batel, inaugurado em setembro de 2013.
Em Curitiba, a maior concentração de imigrantes está na vila Três Pinheiros, no Butiatuvinha, região de Santa Felicidade. É justamente esse um dos cenários da música “CWBTI”.
Ainda segundo a Pastoral, o movimento imigratório agora é interno, com haitianos saindo de São Paulo e do Rio de Janeiro em direção a Curitiba, sempre em busca de trabalho. Ao menos do frio eles já vêm avisados.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Cinco anos sem Michael Jackson; entenda por que o Rei do Pop não morreu

por: Leonardo Rodrigues
publicado: musica.uol.com.br




Elvis não morreu, entrou para o programa de proteção às testemunhas do FBI. Jim Morrison também vive: cansado da fama, passou a se esconder do mundo sob a identidade do escritor Thomas Pynchon. Diferente dos colegas, Michael Jackson pode ainda não ter ganhado sua teoria conspiratória definitiva, mas hoje, passados exatos cinco anos de sua morte, sua memória brilha forte tal qual uma cintilante luva cravejada de cristais Swarovski.Você pode gostar dele ou não, mas o fato é que o Rei do Pop continua entre nós, e muito mais no presente do que em sua apagada última década de vida. Indícios não faltam. Desde o fatídico 25 de junho de 2009, Michael já lançou dois álbuns póstumos e tem material para outros oito, voltou às paradas, estrelou um documentário, se apresentou "ao vivo" como holograma e até foi flagrado fazendo compras em Paris.
No caso mais pitoresco, precisou pagar a indenização simbólica de 1 euro a fãs da Suíça, Bélgica e França, pelo inapelável "dano emocional" causado por sua repentina morte, após uma overdose de propofol, um forte anestésico utilizado como sonífero. Brincadeiras, exageros e polêmicas à parte, Michael nunca perdeu seus tons superlativos nem sua majestade na música. Segundo levantamento da revista "Forbes", ele é o artista que mais lucra depois de morrer, desbancando a estrela Elizabeth Taylor.

A recente escalada do pop suingado de Bruno Mars, Pharrell Williams, Robin Thicke e Justin Timberlake reafirma ainda mais o legado de um artista que redefiniu não só a música negra dos Estados Unidos, mas todo um universo pop. Hoje é possível afirmar que existe o antes, o depois e o "além" de Michael Jackson.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Vida de Jimi Hendrix antes da fama chega aos cinemas

                                                                                    
O cantor Andre Benjamin como Jimi Hendrix no filme 'Jimi: All Is by My Side'
por*FERNANDA EZABELLA

Foi uma mulher branca, de sotaque inglês burguês e então namorada do Rolling Stone Keith Richards que instigou o tímido e nada ambicioso Jimmy James a virar Jimi Hendrix (e o levou a sua primeira viagem de ácido).
O impacto da modelo Linda Keith na vida do guitarrista americano domina o começo da cinebiografia de seus anos pré-fama, "Jimi: All Is by My Side", estrelado com incrível semelhança por André Benjamin, da banda Outkast.
"É como perguntar para onde eu iria se tivesse uma nave espacial, para Marte ou Vênus?", ele diz a Linda (Imogen Poots) ao ser questionado sobre o que faria se tivesse seu próprio grupo. "Minha voz é terrível", continua, em outra cena, ao se recusar a cantar. "A voz de Bob Dylan também é, e ele está indo bem", responde a amiga.
"Jimi: All Is by My Side", exibido no Festival de Los Angeles e com estreia prevista para setembro nos EUA, tem direção e roteiro de John Ridley, ganhador do Oscar pelo roteiro de "12 Anos de Escravidão", o qual também coproduziu. Ridley se interessou em fazer o filme há quase uma década, ao descobrir uma canção rara de Hendrix chamada "Sending my Love to Linda", que o inspirou a pesquisar sobre esta "mulher misteriosa".
Linda apresentou Hendrix (1942-1970) ao baixista Chas Chandler (Andrew Buckley), que deixou o grupo Animals para virar seu agente e o levar para a Inglaterra. A história corre em 1966 e termina com a volta aos EUA para o Monterey Pop Festival, em 1967.
Em Londres, Hendrix é questionado por Michael X por que só anda com brancos, rouba um show de Eric Clapton e causa ciúmes em Richards. Ele também aparece de bobs e batendo na nova namorada, a ruiva Kathy Etchingham, além de declamar discursos viajandões repletos de analogias com cores.
Benjamin, sem dúvida a melhor parte do filme, aprendeu a tocar guitarra como Hendrix, canhoto numa guitarra para destro (sua primeira, aliás, foi presente de Linda, com as iniciais de Keith Richards). Mas sua performance vem com uma desvantagem: a família de Hendrix não liberou nenhuma canção. No filme, ele canta Dylan, Muddy Waters, "Hound Dog" e "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band".
Os administradores do patrimônio de Hendrix, liderados por Janie Hendrix (meia-irmã), são conhecidos pela rigidez e afirmam que só vão liberar as músicas quando tiverem participação total no filme. Por décadas, diversas produções acabaram engavetadas, como uma de Paul Greengrass, cinco anos atrás.
No mês passado, o projeto voltou à tona, mas com novo diretor à frente, o roteirista Ol Parker ("O Exótico Hotel Marigold"), que teria finalmente se acertado com Janie. Anthony Mackie ("Guerra ao Terror") fará o guitarrista na história sobre seus nove últimos dias de vida.
Publicado*: folha.com.br