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quarta-feira, 12 de novembro de 2014

“Modus operandi da PM é regra, não exceção”, diz presidenta do Conjuve

Os números dizem que a cada 25 minutos morre um jovem negro e pobre no Brasil, vítima da violência. Ou seja, são aproximadamente dois jovens negros mortos por hora, 48 mortos por dia, 336 mortos por semana, 1344 mortos por mês. Esse é um número igual ou maior que o de muitas guerras que acontecem pelo mundo.
Reprodução
O Conjuve realiza uma blitz no Congresso Nacional para exigir a aprovação imediata do PL pelo fim dos Autos de ResistênciaPor enquanto, nove jovens confirmados na chacina que aconteceu em Belém do Pará, no último dia 4 de novembro, já entraram para as estatísticas. Mas, há suspeitas de mais de 35 mortes até o momento, segundo notícias vindas dos movimentos sociais do Pará. Todos jovens negros, do sexo masculino. Todos por arma de fogo. Todos ocorridos no Guamá, bairro da periferia de Belém.

Não coincidentemente, nesta mesma data foi morto um cabo da Polícia Militar, membro da Ronda Ostensiva Tática Metropolitana (Rontam), que estava fora do exercício de sua função por afastamento médico e por investigação interna. Ângela Guimarães, presidenta do Conselho Nacional de Juventude (Conjuve), afirma que este é o “modus operandi” da Polícia Militar no Brasil. Portanto, nenhuma surpresa para quem vive na periferia das cidades.

“Toda vez que envolve um policial, eles dão um retorno desse jeito nas comunidades. Isso é regra, não é exceção. Todos os estados convivem com isso. Não é à toa que o Mapa da Violência divulgado recentemente aponta o aumento do genocídio da juventude negra em crimes como abuso da violência por conta do braço armado do estado. E isso é histórico”, explica.

O Conjuve divulgou uma nota na última sexta-feira (07) em repúdio à chacina em Belém do Pará. Em trechos, o conselho afirma que “em 2012, do total de homicídios ocorridos no Brasil, 53,4% era de jovens e, destes, mais de 75% atingiam homens negros com idade entre 15 e 29 anos”. Uma verdadeira pandemia, como a pesquisa Jovens do Brasil, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), expõe.

A nota exige que os responsáveis pelas mortes desses jovens negros sejam identificados e punidos com todo rigor da lei. Também cobram do Governo do Estado do Pará o fim imediato das execuções, a investigação transparente e independente, com envolvimento do Conselho Nacional de Justiça, do Ministério Público Federal e Estadual, e, o acompanhamento do Governo Federal na investigação e na implementação de políticas públicas que diminuam a vulnerabilidade da juventude negra à violência.

“Fazemos um apelo à Câmara Federal para que aprovem imediatamente o PL 4471/12, pelo fim dos Autos de Resistência e investigações de crimes ocorridos pela PM. Este recurso foi criado no período da Ditadura Militar e até hoje ele é usado como meio para legitimar a repressão e violência policial”, ratifica Ângela.

É proporcional o aumento do número de jovens negros, vítimas do preconceito e da desigualdade social, com a quantidade de jovens que participam de movimentos para combater essa situação insustentável. Em 2007, aconteceu o primeiro Encontro Nacional de Juventude Negra, organizado para enfrentar o genocídio. Em 2008, a 1ª Conferência Nacional de Juventude elencou o tema como um dos principais a serem enfrentados por todos os movimentos sociais. Já em 2011, a 2ª Conferência Nacional de Juventude também aprovou um Fórum de enfrentamento.
“Nos últimos 35 anos uma série de entidades do movimento negro foram criadas com o intuito de denunciar esses abusos. Estamos certos de que não dá mais para conviver com essas estatísticas assustadoras”, confirma a presidenta.

O Conjuve realizará na próxima segunda (17) e terça-feira (18), uma blitz no Congresso Nacional para exigir a aprovação imediata do PL 4471. A ideia é reunir os 70 membros do conselho nacional, os membros dos conselhos municipais e estaduais e entidades do movimento negro.


Fonte: UNE

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Debate na internet busca soluções para a violência contra jovens negros


Debate na internet examina até quarta-feira (8) propostas para salvar vidas de crianças e adolescentes negros. Segundo o mais recente relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância, de 2012, o Brasil fica em sexto lugar entre os países que registram grande número de vítimas de homicídios envolvendo jovens (negros, em maioria) com até 19 anos.

Isabela Vieira - Repórter da Agência Brasil Edição: José Romildo
José Cruz/Agência Brasil

As discussões online serão feitas entre pessoas que se cadastrarem gratuitamente no fórum Juventude e Violência, no site www.mobilizadores.org.br. De acordo com a coordenadora-geral da Rede Mobilizadores, Gleyse Peiter, pensar solução em defesa da vida é o objetivo do fórum. “Se a gente continuar em um ritmo continuado de extermínio da população jovem, principalmente de negros, teremos diminuída essa camada na população”, frisou.
Gleyse lembra que o Mapa da Violência 2014, mostrou que a vitimização de negros é bem maior que a de brancos. Segundo o estudo, morreram proporcionalmente 146,5% mais negros do que brancos no Brasil em 2012, em situações como homicídios, acidentes de trânsito ou suicídio.

O autor do mapa, o sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), disse que pessoas brancas morrem menos de homicídio porque vivem em áreas mais beneficiadas por políticas de segurança e têm mais acesso à segurança privada. “Assim, os negros são excluídos duplamente – pelo Estado e em razão do seu baixo poder aquisitivo”, diz o texto.

Em agosto, parentes de jovens mortos nas comunidades do Rio fizeram manifestação em Manguinhos, na zona norte. Lá, o estudante negro Paulo Ricardo Pinho de Menezes, 17 anos, irmão do Paulo Roberto, morto em 17 de outubro do ano passado, disse que há indignação com os abusos cometidos pelas forças de segurança nas comunidades.

“Assim não dá para ficar, quase todo mês morre um. E só jovem que não tem nada [que] ver, eu mesmo quase fui morto com o Jonathan, os policiais começaram a dar tiro no meio da rua”, contou.
Jonathan de Oliveira de Lima foi morto em 14 de maio, em confronto com a polícia após uma manifestação, também em Manguinhos. A mãe dele, Ana Paula Gomes de Oliveira, lembra que quando o papa Francisco visitou a comunidade, no dia 25 de julho do ano passado, os moradores estenderam uma faixa com fotos de jovens mortos nas comunidades.
“O objetivo desse evento [manifestação] é dar um basta na morte de tantos jovens negros nas comunidades”, disse a mãe do jovem, à época.
Cerca de 38 mil pessoas estão cadastradas para participar da discussão no fórum Juventude e Violência. No site, está disponível o Mapa da Violência 2014.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Jovem negra coloca foto com namorado branco no Facebook e sofre racismo

publicado:Uol-Belo horizonte

Quando M. D. M. R., uma jovem negra de 20 anos, colocou uma foto sua com o namorado no Facebook, ela não imaginava do que seria vítima. Ela foi atacada em uma enxurrada de comentários com ofensas racistas.

Em um primeiro momento, a vítima, que pediu para ser identificada apenas pelas iniciais de seu nome, mas autorizou o uso da imagem, disse ter ficado triste com a situação. Com o apoio da família e do namorado, resolveu procurar a polícia e denunciar o caso. Ela diz também ter recebido muitas mensagens de conforto. Em uma delas, um advogado de Brasília a aconselhou a procurar as autoridades. 

O caso ocorreu na cidade mineira de Muriaé (a 320 km de Belo Horizonte). Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais, um inquérito foi aberto nesta quarta-feira (27) para investigar o caso.

Segundo a polícia, a jovem publicou a foto no dia 17 deste mês na rede social e surgiram vários comentários racistas. Ela procurou a polícia no dia último dia 26 para registrar a queixa.

Em um dos comentários feito na página da jovem na rede social, um internauta escreve: "Onde comprou essa escrava?", para em seguida pedir: "Me vende ela".

A estes seguiram outros comentários: "Parece até que estão.... na senzala"; "Seu dono?"; "um branco e uma negosa (sic)"; "Tipo assim tia eu acho que vc roubou o branco pra tirar foto (sic)".

Em entrevista ao UOL, a moça afirmou que quer que sua atitude sirva de exemplo para outras pessoas. "Achei muito triste. Na hora, fiquei surpresa com tudo o que estava acontecendo, mas depois meu namorado e minha família me deram força. Foi uma atitude corajosa minha mesmo [de ter feito a denúncia], porque muitas pessoas não têm coragem de denunciar esse tipo de crime. Acho que todo mundo deve denunciar", afirmou, pedindo também punição aos que postaram as mensagens de cunho racista.

"Eu acho que toda pessoa sofreu algum tipo de preconceito, seja qual for, tem de denunciar à polícia. Não pode ficar impune. Eu quero que seja descoberto quem foi e que paguem pelo que fizeram comigo", afirmou.

A moça afirmou ter desativado a página na rede social após a repercussão do caso, mas a reativou depois de ter feito a denúncia.

"Eu vou continuar com ela [a página no Facebook]. Em um primeiro momento, muitas pessoas ficaram me procurando, aí eu achei melhor desativar. Mas não por medo, só por conta disso mesmo", disse.
Injúria racial 

De acordo com o delegado Eduardo Freitas da Silva, o caso vai contar com apoio da Delegacia Especializada em Crimes Cibernéticos, de Belo Horizonte. Ele adiantou que já conseguiu precisar o Estado de origem da maioria dos internautas que postaram as mensagens.

"Nós fizemos uma análise preliminar e verificamos que nenhum dos autores das ofensas raciais é daqui da cidade. Grande parte é de São Paulo. Alguns são perfis falsos, mas outros são de pessoas reais, identificáveis", afirmou.

O policial disse que vai encaminhar um ofício aos administradores do Facebook solicitando a identificação dos que postaram comentários racistas na página da vítima. Segundo ele, os suspeitos serão intimados a depor por meio de carta precatória.

"Vamos contar com a ajuda da Polícia Civil de São Paulo para que essas pessoas sejam ouvidas nas delegacias mais próximas de suas residências. A injúria racial prevê de um a três anos de prisão e multa", afirmou.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

A DIFÍCIL MISSÃO DE SER JOVEM E NEGRO NO BRASIL


Mônica Francisco ressalta em artigo que a existência de 500 mil jovens que não estudam nem trabalham revela empreitada para alijar estes jovens da possibilidade de viver. “Que jovem branco tem inconscientemente o medo de ser alvo de alguém que queira ‘descarregar’ um pouquinho a sua arma?”, questiona em sua coluna no Jornal do Brasilpublicado: brasil247.com

Favela 247 – As dificuldades enfrentadas pela juventude negra brasileira foram tema de artigo publicado pela representante da Rede de Instituições do Borel Monica Francisco, na coluna Comunidade em Pauta, do Jornal do Brasil. “A existência de 500 mil jovens que nem estudam e nem trabalham, (...) nos dão a certeza de que há uma verdadeira empreitada no sentido de alijar estes jovens da possibilidade de viver, e viver no sentido mais pleno dessa palavra. (...) Que jovem branco tem inconscientemente o medo de ser alvo de alguém que queira ‘descarregar’ um pouquinho a sua arma?”, questiona. Dentre uma das grandes mudanças propostas pela ativista é a retirada, de textos jornalísticos sobre crimes, a frase "não tinha passagens pela polícia ou antecedentes criminais". “Isso produz de maneira subjetiva a errada sensação ou induz ao errado pensamento de que se pode ser vítima ou alvo de qualquer ato mais vil se a pessoa em questão não se enquadra nesta sentença”.

Por *Mônica Francisco, para o Jornal do Brasil

É impossível ser negro neste país
Não é à toa que um grande atleta de alto rendimento desabafando, disse ser impossível ser negro neste país.
Terça-feira (12), dia anterior ao da publicação desta coluna, comemora-se O Dia Internacional da Juventude. Segundo a atualmente badalada enciclopédia colaborativa da internet, por resolução da Assembléia Geral da ONU em 1999, estabeleceu-se em resposta à recomendação da Conferência Mundial de Ministros Responsáveis pela Juventude, reunida em Lisboa, de 8 a 12 de Agosto de 1998.

Em decorrência da data, achei mais do que pertinente voltarmos a alguns assuntos que teimam em nos inquietar. Na última semana, recebi em minha linha do tempo do Facebook, um post feito há um ano, após um encontro, onde uma defensora dos direitos humanos e ativista social, moradora da favela do Cantagalo, chamava a atenção de autoridades presentes ao encontro sobre um grupo de jovens marcado para morrer.

Um ano depois, percebemos que há uma terrível marca sobre a juventude negra brasileira, e o peso de andar dia após dia com a sensação de ser o próximo.
Isso se traduz nas terríveis notícias que nos chegam todos os dias. Na última semana, Rhuan, morador do Alemão, dava depoimento sobre sua sorte de ter sobrevivido a um tiro nas costas.

Em Acari, as mortes se contabilizam. Somemos ainda, segundo Diego Santos, membro do Conselho Nacional de Juventude, a dificuldade de se ver materializado na prática cotidiana ações que de fato minimizem a tragédia, como por exemplo os nem-nem.
Diz ele que o Rio de Janeiro conta com o Programa Juventude Viva, da Secretaria Nacional de Juventude em 13 municípios.

O programa visa estimular o desenvolvimento em parceria com os municípios, de ações que previnam a violência contra a juventude, principalmente a juventude negra, alvo direto e predileto da violência e das condições mais precárias de inserção na sociedade.

A existência de 500 mil jovens que nem estudam e nem trabalham, citados por Diego, nos dão a certeza de que há uma verdadeira empreitada no sentido de alijar estes jovens da possibilidade de viver, e viver no sentido mais pleno dessa palavra.
Isso sim é uma das maiores tragédias da história deste país. Isso não é cinema, é real. Jovens mortos como moscas. Que jovem branco tem inconscientemente o medo de ser alvo de alguém que queira "descarregar" um pouquinho a sua arma?

Cerceados no direito de ter direito, perspectiva e com uma necessidade de constante limpeza moral, como o caso do sobrevivente do Alemão, o Rhuan, que tem de agregar ao seu depoimento a frase recorrente: "Não sou bandido, eu trabalho", e ao lado, a prova indefectível, a carteira de trabalho.

Uma das grandes mudanças, dentre tantas que deveriam ou melhor devem se implantar neste país, é a retirada urgente das pautas jornalísticas a frase complementar, "não tinha passagens pela polícia ou antecedentes criminais".
Isso produz de maneira subjetiva a errada sensação ou induz ao errado pensamento de que se pode ser vítima ou alvo de qualquer ato mais vil se a pessoa em questão não se enquadra nesta sentença.
rcada por causa do seu endereço, da sua classe e principalmente por causa da sua cor.É vergonhoso ver o mundo consentindo no extermínio de seres humanos pela guerra e pelos vírus letal. A mesma vergonha deveríamos sentir de assistir à execução de um plano macabro de extermínio de uma juventude, ma
O que precisamos é que se cumpra a lei que temos, que se respeite a humanidade, e que se repense seriamente em quem de fato colocaremos nos postos de poder em outubro.
"A nossa luta é todo dia. Favela é cidade. Não à GENTRIFICAÇÃO e ao RACISMO, ao RACISMO INSTITUCIONAL, ao VOTO OBRIGATÓRIO e à REMOÇÃO!"

*Monica Francisco é representante da Rede de Instituições do Borel, coordenadora do Grupo Arteiras e consultora na ONG Asplande

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Juventude negra e gestores públicos discutem a violência como maior obstáculo para promover avanços

Grafiteiro trabalha no painel comemorativo do Dia Mundial da Juventude no muro da Casa da ONU, cujo tema este ano é “Juventude Negra contra o Racismo e pela Paz”. Foto: PNUD

A Casa das Nações Unidas no Brasil – Complexo Sergio Vieira de Mello – teve nesta terça-feira (12) um dia de portas abertas aos jovens do Distrito Federal para comemorar o Dia Internacional da Juventude. Grafiteiros do entorno do DF fizeram, em um dos muros internos do complexo, um painel sobre o tema Juventude Negra contra o Racismo e pela Paz. Em paralelo, lideranças da juventude negra do DF e gestores públicos participaram de um debate para discutir o que é, hoje, a principal preocupação dos jovens brasileiros: a violência.

Os números justificam essa preocupação. Segundo estimativas de População Residente do Datasus/Ministério da Saúde de 2012, o Brasil tem 52,2 milhões de jovens e 30 mil foram vítimas de homicídio naquele ano, o que corresponde a mais da metade dos homicídios no país inteiro (53,38%). Dentre as vítimas, 77,02% são negras. O número de homicídios de jovens negros é três vezes maior que de jovens brancos.

“O tema escolhido para a mobilização realizada no dia de hoje é uma resposta à principal preocupação identificada pelos jovens brasileiros: a violência. No Brasil, existem mais de 50 milhões de pessoas com idades entre 15 e 29 anos. Os avanços na economia do país repercutiram em melhor qualidade de vida para esses jovens, que têm maior acesso ao ensino superior e profissionalizante bem como ao mercado de trabalho”, disse o coordenador residente do Sistema ONU no Brasil, Jorge Chediek, durante a inauguração do painel Juventude Negra contra o Racismo e pela Paz. “No entanto, os dados mostram que a violência pode constituir uma barreira relevante para a realização dos sonhos desses jovens”, concluiu.

O ensino superior entrou no universo dos jovens; cada vez mais jovens estão inseridos no mercado formal de trabalho. Segundo a Agenda Juventude Brasil, pesquisa realizada pela Secretaria Nacional da Juventude (SNJ), “esta geração é bem mais escolarizada que as precedentes, mais de 50% chegou ao Ensino Médio, enquanto este nível de escolaridade foi alcançado por apenas 25% de seus pais”.

Mas o maior acesso à educação e ao trabalho, mesmo com todos os problemas ainda enfrentados, não tem necessariamente funcionado como fator de redução de danos. O número de mortes entre esses jovens negros continua aumentando.

O aumento no acesso à educação e ao trabalho deixa o jovem menos exposto à violência? Esta foi uma das perguntas debatidas no encontro. Para os participantes, a promoção do acesso à educação e ao trabalho seria insuficiente e os dados apontam uma forte presença do racismo.

“O aprendizado não se dá somente no ambiente escolar, mas ingressar nesse espaço (a universidade) não foi fácil. Permanecer também não foi fácil, com professores falando para mim que ali não era meu lugar”, disse Davidson Pereira de Souza, recém-formado em jornalismo. “É preciso mostrar para a sociedade que você dá conta.”

O representante da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), Felipe Freitas, diz que “é preciso tirar essas pessoas do alvo da violência. É preciso discutir novos modelos de segurança pública”.

Para os participantes, os meios de comunicação tendem a reforçar o estigma sobre a juventude negra, atuando na manutenção do imaginário coletivo que retira a identidade inerente do povo negro, reforça os signos da exclusão e autoriza a violência aos corpos negros. “E é essa desidentificação do negro que abre portas para uma série de exclusões e alijamento social”, disse Big Richard, apresentador, sociólogo e membro da Nação Hip Hop Brasil, abrindo a discussão.

Juventude Negra e a ONU

Uma das conclusões do grupo de debates é a de que a forma como a sociedade trata os homicídios e a violência contra a juventude negra – o fenômeno de naturalização dos fatos – evidencia um grave problema enfrentado por estes jovens: a existência do racismo em nossa sociedade até os dias atuais.

De acordo com dados do IBGE obtidos a partir do Censo 2010, o Brasil é o país do mundo com o maior número de afrodescendentes, equivalente a 100 milhões de pessoas, mas ainda enfrenta o racismo e a intolerância herdada de seu passado colonial. “Não dá para fazer esssa discussão sem pautar a questão do racismo institucional”, disse Élida Miranda, integrante do Conselho Nacional da Juventude (CONJUVE) e da ONG Geledés.

Ao serem questionados se o racismo é que cria as desigualdade, os participantes afirmaram que o racismo cria como seu principal produto a desigualdade, mas a desumanização. “No hip-hop a gente diz que redução de danos é não matar os manos”, diz Larissa Borges, coordenadora articulação da Secretaria Naiconal da Juventude (SNJ). “O Estatuto da Juventude reafirma o direito de ser jovem, especialmente o direito da experimentação e da autonomia, para que a juventud epossa construir novas perspectivas de existência”.

“Na atual agenda da ONU, a juventude é uma prioridade”, disse Ana Inés Mulleady, representante adjunta do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), agência líder das Nações Unidas no Grupo Assessor da ONU sobre Juventude, composto por nove organismos do Sistema ONU no Brasil – o PNUD, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), a Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres), o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), a Organização Internacional de Trabalho (OIT), o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) e o Programa de Voluntários das Nações Unidas (UNV), pela Secretaria Nacional da Juventude (SNJ) e por organizações da sociedade civil representadas pelo CONJUVE.

“As jovens negras são atingidas de forma específica pelo racismo e pelo sexismo. Essas desigualdades limitam as condições e as oportunidades para que elas possam viver, participar e decidir plenamente sobre as suas próprias vidas”, disse a representante da ONU Mulheres Brasil, Nadie Gasman. “Contudo, elas são a nova geração de mulheres negras – aquelas cujo legado é repleto de histórias de resistências e de lutas que mudaram o Brasil positivamente. As jovens estão fazendo a diferença. Estão organizadas e construindo uma nova realidade país afora por meio da valorização das mulheres negras.”

O representante do UNFPA, Harold Robinson, destacou que “jovens negros e negras têm direito à uma vida digna sem discriminação, livre do racismo e da violência, com oportunidades iguais de acesso à educação, saúde de qualidade e emprego decente”. Segundo ele, “é preciso investir na juventude, por meio de politicas, programas e ações multisetoriais que previnam mortes prematuras por causas evitáveis, criem espaços de participação para jovens e assegurem seu pleno desenvolvimento, sobretudo no atual contexto de final do bônus demográfico”. 

O representante do UNODC no Brasil, Rafael Franzini, também participou dos eventos desta terça-feira. “O fato de que os homicídios são a principal causa de morte de jovens no Brasil torna ainda mais urgente o trabalho das agências da ONU junto ao governo brasileiro, para promover o desenvolvimento de políticas públicas que protejam os jovens e reduzam suas situações de vulnerabilidade, oferecendo oportunidades de acesso à educação, capacitação e informação que proporcionem as condições necessárias para que eles possam realizar todo o seu potencial”, disse.

Juventude Negra pela Paz

A agenda contra a violência, o racismo e o genocídio contra a juventude negra tem movido governo, sociedade civil e demais organizações de diversas formas. A realização desse debate na Casa da ONU e a inauguração do painel em grafite representa um fato positivo e histórico.

Promovida pelo Grupo Assessor da ONU sobre Juventude e com apoio de diversos organismos do Sistema ONU no Brasil, a iniciativa teve como objetivo trazer à luz os problemas decorrentes do ciclo de violência no qual a juventude negra é inserida, bem como seus reflexos na vida familiar, nos estudos, no trabalho, na saúde, na vida afetiva e todas as demais dimensões da vida desses jovens e suas famílias, inclusive em suas escolhas.

O painel inaugurado hoje no Complexo Sergio Vieira de Mello, em Brasília, foi elaborado por por jovens artistas do entorno do DF e que participaram do coletivo Jovens de Expressão, apoiado pela ONU. Assim com o debate e a ampla repercussão nas mídias sociais do Sistema ONU, o painel fica como um marco do início desse esforço de mobilização rumo à paz e ao combate à discriminação e ao racismo contra a juventude negra.

“A gente trouxe para a figura do jovem o colorido; a gente quis trazer destaque para o personagem principal, o próprio jovem negro. Quisemos trazer para esse painel esse jovem se apropriando ou indicando os caminhos que podem ser tomados para que eles tenham melhor qualidade de vida, disse Vinícius Rodrigues, representando os jovens grafiteiros. Lapixa, como é conhecido pelos colegas, foi um dos jovens que colheram os frutos do projeto Jovem de Expressão.

A atividade é também preparativo para o lançamento, em novembro deste ano, de uma campanha do Sistema ONU no Brasil como parte da programação das Nações Unidas para a Década dos Afrodescendentes.

Década de Povos Afrodescendentes

A Década Internacional de Povos Afrodescendentes foi criada pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 2013, sob o lema “Pessoas afrodescendentes: reconhecimento, justiça e desenvolvimento”. Abrange o período de 1º de janeiro de 2015 a 31 de dezembro de 2024. Dá seguimento aos esforços dos Estados-Membros das Nações Unidas de enfrentar o racismo, a discriminação e o preconceito racial e tem como objetivo dar efetividade a compromissos internacionais contra o racismo, entre eles a Declaração e o Plano de Ação de Durban.

Considera que, apesar de ações para proibir a discriminação e a segregação racial, milhões de seres humanos continuam sendo vítimas de racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerâncias correlatas, inclusive suas manifestações contemporâneas, algumas das quais tomam formas violentas. De acordo com a resolução de criação da Década Internacional de Povos Afrodescendentes, “os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos e têm o potencial de contribuir construtivamente para o desenvolvimento e o bem-estar de suas sociedades, e que qualquer doutrina de superioridade racial é cientificamente falsa, moralmente condenável, socialmente injusta e perigosa e deve ser rejeitada, juntamente com teorias que tentam determinar a existência de raças humanas distintas”.
Saiba tudo sobre as ações deste ano em www.onu.org.br/especial/juventudenegra

DIA INTERNACIONAL DA JUVENTUDE

Foto: Robson B. Pinheiro; Arte: PNUD Brasil
publicado:onu.org.br
Você sabia que entre as as principais preocupações dos jovens brasileiros estão a segurança e a violência?
Isso não é por acaso: os homicídios são hoje a principal causa de morte de jovens de 15 a 29 anos no Brasil. Essa estatística atinge especialmente os jovens negros – o número de homicídios é três vezes maior do que de jovens brancos.
No dia em que comemoramos o Dia Internacional da Juventude, as Nações Unidas no Brasil promovem a ação ‘Juventude Negra contra o Racismo e pela Paz’. #DiadaJuventude #ONUeJovens

Presidenta da Unegro sofre abuso da Polícia Militar

por: Dennis de Oliveira
publicado: revista Fórum

O episódio abaixo, relatado por uma dirigente do movimento negro de São Paulo, é uma demonstração de que a democracia e o Estado de direito ainda não chegaram para negros, negras e moradores de periferia. Prevalece ainda uma ação policial típica de ditadura militar, com abordagens que desrespeitam os direitos humanos e seletivas pela cor da pele. Pior ainda que as reações destes agentes quando os cidadãos simplesmente exigem o cumprimento dos seus direitos demonstram não um “despreparo” mas sim uma concepção autoritária e violenta de trato com as pessoas, inclusive mulheres.

Mais preocupante ainda é o fato de que esta prática policial que tem sido a principal responsável pelo genocídio da juventude negra, expresso nos assassinatos de Cláudias e desaparecimento de Amarildos nas periferias afora do Brasil, recebe apoio de parcela significativa da sociedade. Era o caso da sociedade civil se mobilizar contra esta atitude que em nada combina com a democracia. Afinal democracia não se resume apenas e tão somente a ter eleições de tempos em tempos, coisa que acontecia também na ditadura militar, e nem tampouco apenas liberdade de expressão para os donos dos grandes meios de comunicação, mas respeito aos direitos de todos os cidadãos, independente da sua origem, classe e etnia. A tolerância e até mesmo o apoio a este tipo de procedimento tem garantido eleição de parlamentares que formam “bancadas da bala” ou governadores e prefeitos que ainda insistem na proposta de tratar o problema da segurança com mais violência. Por isto, em nome da defesa da democracia plena e dos direitos humanos, repudiamos veemente esta ação da Polícia Militar bem como exigimos pronta apuração e punição dos responsáveis.

Hoje pela manhã pude sentir o racismo de sua forma mais letal, letal porque quando não exterminam o jovem negro, exterminam sua auto estima com uma abordagem violenta, preconceituosa, racista mesmo. A primeira pergunta que fazem ao jovem NEGRO com a ARMA EM PUNHO e se ele tem passagem pela policia. Cenas como essa acontecem a todo momento protagonizada pela famigerada Policia Militar do Estado de São Paulo que com a justificativa de estar investigando denuncia de roubo de carro nos pararam dessa forma. E foi assim que aconteceu hoje pela manhã qdo fomos abordados por policias militares que ao ver o carro passar dirigido por um jovem negro, e portanto um suspeito de estar num carro roubado, não perceberam a minha presença e quando perceberam pra não perder a oportunidade de exercer o seu poder de policia solicitou minha saída do carro enquanto abordavam o Keniuata da forma que citei, passado o impacto daquela abordagem truculenta, peguei o celular pra anotar os dados policiais e da viatura, quanto o sargento indignado me disse de forma grosseira, qual era o motivo de estar anotando os dados, respondi que co mo cidadã tenho o direito de anotar dados quando sou abordada, inconformado começou a me pressionar e como eu respondia que tinha meu direito como cidadã de anotar, ficou mais transtornado e agiu como se estivesse interrogando uma pessoa acusada de roubo, gritava que não era bandido que estava fazendo o trabalho dele e que nos estavamos influenciados pela mídia que queria manchar a imagem da policia etc, é que iria fazer o papel dele de policia iria registrar também a minha abordagem no Copon, ordenou que eu entregasse meu documento para consulta e entreguei a eles e decidi não mais falar nada pque o registro da ocorrência no Copon, daria maior veracidade ao que pretendo fazer com essa ação que sofremos. Eles continuaram nos constrangendo dizendo que iriam fazer o papel deles de policia e revistaram o carro de ponta a ponta, chegaram ao absurdo de pegar um pano e usar a gasolina do recipiente da partida do carro para limpar e anotar o chassi do carro, quase no final dessa tortura se identificaram dizendo que eu não precisava ter me dado ao trabalho de fotografar, devolveram os documentos reafirmaram que não tinham, agido de forma desrespeitosa conosco e que podemos contar sempre com o trabalho da POLICIA MILITAR. Honestamente a indignação e revolta e pouco pra descrever o sinto ao ser confrontada com a realidade dos jovens negros e mães negras que são humilhados e tratados com racismo por essa corporação, pra eles o fato de sermos negros (as) justifica o tipo de abordagem que fazem, legitimados pelo RACISMO INSTITUCIONAL. Eu reafirmo meu compromisso pela luta, CONTRA O GENOCÍDIO DA JUVENTUDE NEGRA E PELA DESMILITARIZAÇÃO DA POLICIA E DO ESTADO. – Rosa Maria Anacleto, presidenta da União de Negros pela Igualdade de São Paulo (Unegro/SP)

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Morte de jovem negro provoca protestos nos EUA

fonte: gazeta do povo

O ato era uma vigília em memória a Michael Brown, morto na tarde de sábado (9) durante uma abordagem policial no bairro de Ferguson, de maioria negra, que fica na periferia de Saint Louis

A morte de um adolescente negro de 18 anos, desarmado e que foi baleado pela polícia, provocou um protesto em Saint Louis, no centro-oeste dos Estados Unidos, na noite de domingo (10).

O ato era uma vigília em memória a Michael Brown, morto na tarde de sábado (9) durante uma abordagem policial no bairro de Ferguson, de maioria negra, que fica na periferia de Saint Louis.
Lojas e carros foram destruídos e um prédio foi incendiado quando o grupo tentava seguir para Saint Louis e foi impedido pela polícia, que havia feito um cordão de isolamento e disparou bombas de gás lacrimogêneo.
Segundo o chefe da polícia local, Jon Belmar, o jovem morto estava com um outro homem quando foi abordado pelos agentes em uma rua do bairro. Belmar afirma que um dos dois teria empurrado o policial, dando início a uma briga.
Em seguida, pelo menos um tiro foi disparado da arma de um dos policiais que estava dentro da viatura, causando a morte de Brown. As autoridades locais investigam o que aconteceu dentro do veículo.
Uma testemunha, porém, afirma que o confronto começou após o policial ter confrontado a dupla. Para Dorian Johnson, amigo da vítima, o policial atirou em Brown ainda fora do carro.
"Ele começou a se abaixar e o policial ainda se aproximou com a arma na mão e disparou vários outros tiros".
O chefe da polícia afirma que o policial envolvido no crime foi afastado do patrulhamento e cumpre medida administrativa. O prefeito de Ferguson, James Knowles, pediu que a população se acalme.
A mãe de Brown, Lesley McSpadden, declarou à rede de televisão KMOV que seu filho havia acabado de se formar no ensino médio e planejava ingressar em uma universidade.
"Você sabe como foi difícil fazê-lo permanecer na escola e se formar? Você sabe quantos homens negros se formam? Não são muitos", declarou. "Porque são rebaixados a este tipo de nível, onde eles sentem que não têm motivo para viver."

O caso leva a comparações com a morte de Trayvon Martin. O adolescente de 17 anos foi morto em 2012 por um segurança comunitário no Estado da Flórida, que alegou legítima defesa e foi absolvido pela Justiça.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Inscrições abertas para consultoria em mapeamento de pesquisadores (as) em saúde da população negra

As candidaturas podem ser apresentadas até o dia 18/07, pelo endereço eletrônico selecao@unfpa.org.br. É necessário enviar currículo atualizado, carta de apresentação e documentos que comprovem experiência
Candidatos(as) à consultoria têm até 18 de julho para se inscrever. A documentação completa deve ser enviada para o e-mail selecao@unfpa.org.br, com o título “Mapeamento Nacional de Pesquisadores (as) em Saúde da População Negra”. O Termo de Referência da consultoria pode ser acessado aqui.

A seleção é uma parceria da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial – SEPPIR, com o Fundo de População das Nações Unidas – UNFPA, realizada no âmbito do “Projeto BRA5R104 – Fortalecendo as ações da SEPPIR nas áreas de saúde, políticas para juventude e políticas para comunidades quilombolas”.

Além dos mapeamentos, o edital visa também a criação de um banco de dados para ampla divulgação, de forma a subsidiar as ações em rede. Com isso, espera-se estimular estudos e pesquisas nesse campo de conhecimento.

Entre os requisitos para contratação, consta nível superior, preferencialmente na área de Saúde; experiência comprovada em sistematização, categorização e análise de dados oriundos de diferentes fontes e sistemas (documentos, sites, entre outros); experiência comprovada em criação de banco de dados; e desejável experiência com Instituições de Governo e/ou Agência das Nações Unidas, além do conhecimento de conceitos e principais debates relacionados aos temas de Saúde da População Negra.

O(a) candidato(a) também deve ter capacidade de organização e cumprimento de prazos; habilidade redacional e de síntese; e estar apto(a) para responder positivamente a diferentes pontos de vista e críticas em relação a sua atuação individual e coletiva, bem como realizar ajustes necessários.