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segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Racismo: é preciso valorizar e respeitar as diferenças

Bruna Ramos - Portal EBC
Casos de racismo, divulgados recentemente, revelam que apesar de o Brasil ser um país exaltado pelo seu multiculturalismo, muitos de seus cidadãos não abraçam essa diversidade e protagonizam atos de humilhação e preconceito. Só em 2013, a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) recebeu 425 denúncias de racismo, por meio da ouvidoria. Doze a mais que no ano anterior.

Entre as campanhas existentes na tentativa de dar fim a este mal está a Por uma Infância sem Racismo, lançada pela Unicef em 2010 e ainda com grande repercussão. O foco da ação é combater o racismo na sua origem e, assim, conscientizar as pessoas para uma cultura de valorização e respeito às diferenças. "Sem isso, continuaremos a negar o racismo, perpetuando dessa forma essa situação injusta e desigual. Entretanto, já observamos que há uma sensibilização para o tema. Tanto que diversas organizações, estados e municípios estão aderindo à campanha, difundindo as 10 dicas e desenvolvendo ações de enfrentamento do problema", explica Alexandre Amorim, especialista de comunicação do UNICEF.

As dez dicas às quais o profissional se refere foram elaboradas pela entidade como um manual para contribuir para uma infância sem racismo (confira nas fotos abaixo). Listar essas atitudes, garante Alexandre, foi um trabalho demorado e muito pensado. “Nós não quisemos polarizar, não queríamos criar algozes e mocinhos”, relata.

A discriminação racial que persiste no cotidiano das crianças brasileiras, se reflete nos números da desigualdade entre negros, indígenas e brancos. Um bebê indígena, por exemplo, tem o dobro de chance de morrer antes do primeiro aniversário do que uma criança branca. Na faixa etária entre 7 e 14 anos, de 1,5% das crianças que estão fora da escola, 1% delas são negras e pardas. É justamente a partir dos indicadores sociais que a campanha do Unicef busca chamar atenção para o impacto do racismo na infância e na adolescência.

Dez maneiras de contribuir para uma infância sem racismo:

1. Eduque as crianças para o respeito à diferença. Ela está nos tipos de brinquedos, nas línguas faladas, nos vários costumes entre os amigos e pessoas de diferentes culturas, raças e etnias. As diferenças enriquecem nosso conhecimento.

2. Textos, histórias, olhares, piadas e expressões podem ser estigmatizantes com outras crianças, culturas e tradições. Indigne-se e esteja alerta se isso acontecer – contextualize e sensibilize!

3. Não classifique o outro pela cor da pele; o essencial você ainda não viu;lembre-se: racismo é crime.

4. Se seu filho ou filha foi discriminado, abrace-o, apoie-o. Mostre-lhe que a diferença entre as pessoas é legal e que cada um pode usufruir de seus direitos igualmente. Toda criança tem o direito de crescer sem ser discriminada.

5. Não deixe de denunciar. Em todos os casos de discriminação, você deve buscar defesa no conselho tutelar, nas ouvidorias dos serviços públicos, na OAB e nas delegacias de proteção à infância e adolescência. A discriminação é uma violação de direitos.

6. Proporcione e estimule a convivência de crianças de diferentes raças e etnias nas brincadeiras, nas salas de aula, em casa ou em qualquer outro lugar.

7. Valorize e incentive o comportamento respeitoso e sem preconceito em relação à diversidade étnico-racial.

8. Muitas empresas estão revendo sua política de seleção e de pessoal com base na multiculturalidade e na igualdade racial. Procure saber se o local onde você trabalha participa também dessa agenda. Se não, fale disso com seus colegas e

9. Órgãos públicos de saúde e de assistência social estão trabalhando com rotinas de atendimento sem discriminação para famílias indígenas e negras. Você pode cobrar essa postura dos serviços de saúde e sociais da sua cidade. Valorize as iniciativas nesse sentido.

10. As escolas são grandes espaços de aprendizagem. Em muitas, as crianças e os adolescentes estão aprendendo sobre a história e a cultura dos povos indígenas e da população negra; e como enfrentar o racismo. Ajude a escola de seus filhos a também adotar essa postura.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Promotores alertam para aumento de casos de exploração sexual infantil

Mariana Tokarnia - Repórter da Agência Brasil Edição: Nádia Franco

Em moção de repúdio divulgada hoje (3), promotores de Justiça de todo o país alegam "aumento significativo" no número de casos de exploração sexual de crianças no Brasil. Eles destacam que as denúncias de crimes dessa natureza recebidas pelo Disque 100 aumentaram durante o período da Copa do Mundo (12 de junho a 13 de julho). O número saltou de 524, de 12 de junho a 13 de julho do ano passado para 740 no mesmo período deste ano.

A moção, apresentada durante encontro de promotores em Brasília, diz. que embora pontos de maior vulnerabilidade infanto juvenil tenham sido detectados pela Rede de Proteção, como praias do Nordeste, Porto de Manaus, rodovias federais e grandes capitais, como São Paulo, Rio de Janeiro Natal, o país está longe do fim da erradicação da prática do crime de estupro de vulnerável, com favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de criança ou adolescente ou de vulnerável.

Em entrevista à Agência Brasil, a Secretaria de Direitos Humanos (SDH) esclareceu que o aumento do número de denúncias pelo Disque 100, não significa, necessariamente, a ocorrência de mais casos de abuso. A pasta prepara um levantamento dos atendimentos feitos nos estados durante o Mundial de Futebol.

No texto, os promotores repudiam "todo e qualquer ato de violência ou exploração sexual contra crianças e adolescentes" e pedem que as autoridades constituídas e a sociedade civil "unam esforços a fim de proteger as crianças e adolescentes que se encontram em território brasileiro de toda forma de exploração, violência, crueldade e opressão".

A moção foi divulgada no 1º Congresso Nacional dos Membros do Ministério Público da Infância e da Juventude, realizado em Brasília neste fim de semana. No encontro, os promotores reforçaram a campanha pela denúncia de violações e vestiram camisetas com os dizeres: "Exploração sexual de crianças e adolescentes é crime hediondo. Lei 121.978, de 21 de maio de 2014. Denuncie. Disque 100.

sociedade não pode mais aceitar tal tipo de violência, diz Renato Varalda Marcelo Camargo/Agência Brasil
A mobilização da sociedade é fator importante para acabar com a exploração sexual de menores, disse o promotor de Justiça do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, Renato Barão Baralda. "Muitos dos casos acontecem na família, dentro das casas. É preciso que a sociedade seja sensibilizada e não aceite esse tipo de violência", afirmou.

Também como forma de combater as violações, foi criado o Pró-Infância - Fórum Nacional dos Membros do Ministério Público da Criança e do Adolescente, para reunir promotores de Justiça de todo o país e servir como canal de diálogo entre os profissionais para discutir questões com as quais têm que lidar diariamente. O fórum, que não constitui um espaço institucional, também será responsável pela organização de encontros nacionais voltados para o tema.

O grupo pretende criar também grupos de trabalho para discutir as diversas violações dos direitos das crianças e adolescentes e debater posicionamentos em relação a projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional, entre outras questões.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

‘Terapia do medo’ não deve ser usada para educar



publicado: blogfolhauol

“Não vai lá senão o bicho papão te pega”, “para de fazer isso senão te jogo no lixo”, “vamos embora senão te deixo aí sozinho”. Muitas vezes os pais fazem ameaças e colocam medos na cabeça dos pequenos para conseguir o que querem. Mas, a ‘terapia do medo’ para educar não dá certo.

Ao falar sobre a polêmica mordida que o jogador uruguaio Luis Suárez deu no italiano Chiellini na Copa, o ex-jogador Ronaldo disse que suas filhas pequenas já o morderam. “Na minha casa, a punição se chama quarto escuro com lobo mau”, declarou o jogador.

Educadores e psicólogos são unânimes em dizer que a atitude do jogador não faz a criança deixar de morder, mas a ter medo e a ficar assustada ao ser colocada em um quarto escuro sozinha, ou melhor, ‘acompanhada’ do tal lobo malvado que come a vovozinha e destrói as casinhas dos três porquinhos.

O papel dos pais nessas situação é explicar que morder dói, que naquela casa ninguém morde, que morder é feio, ou seja, o nosso papel é dar conforto e criar uma relação com a criança para que ela queira recorrer aos pais em situações de perigo e insegurança.

Ou seja, mães, pais, avós e cuidadores não devem colocar medos nos seus filhos para que eles obedeçam ou façam aquilo que eles querem. Ameaçar, não é a solução e sim um ato de violência.

Claro que não há regras e cada situação é uma. Ao ver o filho fazendo uma ‘birra’ porque não quer ir embora do shopping, por exemplo, o pai não deve ameaçar deixar a criança sozinha lá, mas abaixar e olhar no olho dela e dizer que outro dia eles vão voltar, por exemplo. Não há regras, ou seja, cada dia o pai terá de contornar com cada uma das situações que aparecem no seu dia a dia respeitando a criança e, é claro, sempre conversando com ela.

A vida por si só já oferece centenas de frustrações, medo e ansiedade para nós e nossos filhos, então, não são os pais que devem exaltar esses sentimentos. “O nosso lado tem que ser o da segurança emocional. O nosso papel é ofertar um ninho protetor, um porto seguro onde elas ancorem suas emoções negativas (como medo, raiva, tristeza) depois de voltarem de suas explorações infantis no mundo”, explica o psicólogo e terapeuta familiar, Alexandre Coimbra Amaral, do instituto de psicologia Rodaviva.

O psicólogo explica que nas historias infantis, quem tranca os príncipes e princesas no alto da torre escura, nos calabouços e afins são as bruxas, os violões. “É este o lugar que um pai quer construir na relação com o seu filho? O que a criança aprenderá? Que garantia de segurança ela terá de que ele a defenderá em momentos de angústia?”, questiona.

Para ele, o resultado disso é construir uma distância entre pais e filhos e uma relação ingrata. “Quando acontecer algum evento em que o pai poderia ser acionado para protegê-la, a criança vai preferir consultar outra pessoa, para não correr o risco de ser ‘colocada no calabouço novamente’”, comenta.

Ou seja, ameaçar, colocar medo nos nossos filhos só vai construir vulnerabilidade, ambivalência na relação pai-filho, sensação relativa ou perda de segurança emocional. “Com certeza não é isso que queremos para nossos filhos, não é isso que eles querem de nós”, afirma.

Você ainda vai querer colocar ainda mais medos nas nossas crianças?

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Consumo infantil e a mãe negra

Por: Luciane Reis
publicado: blogueirasnegras.org


Por já nascer à parte de uma sociedade racializada, a criança negra cresce aprendendo a valorizar algumas características que são idealizadas e quase sempre não dizem respeito à sua identidade. Ela aprende não apenas a conviver com a sociedade, mas também a viver no intuito de ter aquilo que essa apresenta como um ideal de vida, de beleza e de comportamento. Ao ter contato cada vez mais constante com diversos estímulos que chegam por diferentes meios: televisão, rádio, internet ou passados através de programas de televisão, músicas, filmes e claro pela propaganda, esses indivíduos têm acesso a dados culturais que acabam por alterar alguns dos instintos mais fortes do ser humano, tais como o desejo de aceitação social e a necessidade de autorrealização independente de como esta é apresentada.

As crianças negras aprendem a ser consumidoras de maneira muito delicada. Isso se dá principalmente por meio da observação do comportamento das pessoas que as cercam e da influência proveniente das propagandas, uma das principais formas de contato com os diversos produtos, ideologias, comportamentos e serviços existentes no mercado. Para se construir uma propaganda que consiga interagir com as crianças e influenciá-las é preciso pensar em como “alcançá-las”. Os comerciais de televisão voltados para o público infantil contam com uma mistura de imagens, cores, sons e movimentos que prende a atenção das crianças, especialmente as menores. Os desafios de ser mãe de uma criança negra começam quando esses recursos não visibilizam a presença de seu filho. Dela é exigido negociar concepções diante de uma mídia que se pauta pelos ditames do comércio e da publicidade, pouco interessada em questões como a da discriminação do negro ou das consideradas minorias.

Para uma mãe negra, fica a tarefa diária de não somente educar seus filhos para um consumo consciente, como também atuar contra discursos que perpetuam ideologias e que se mantêm até hoje através da “venda” da representação negra nos meios de comunicação como produto a ser consumido e não como consumidor, vide os anúncios de jornal do tempo da escravidão e a forma de tomada de referências negra. Fazer uma criança entender que a sua imagem, mesmo não estando presente nestes meios, não tira dela sua beleza e orgulho, é uma tarefa heróica e que somente mães de crianças violentadas diariamente pelo racismo tem a dimensão. Por se tratar de pessoas em formação, a ausência delas na mídia pode causar danos à identidade racial e à auto-estima. A política de invisibilidade de crianças negras, usada pela mídia brasileira, serve indiretamente de suporte para a ideologia do branqueamento tão naturalizada nos dias de hoje. As propagandas de produtos infantis, salvo raras exceções, não têm contemplado adequadamente a representação negra.

As propagandas infantis sejam elas exibidas na TV aberta, fechada ou impressa acabam por fazer crer a uma pessoa desavisada estar em um país europeu e nórdico tal a profusão de crianças loiras. O professor Hélio Santos (2000, p. XX) é assertivo: “nada contra os loiros, mas tudo contra a loirice”. Partindo dessa máxima, podemos pensar sobre a prática costumeira adotada no Brasil de representação ínfima do contingente negro que é minoria ao olhar da mídia, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. É sabido que o momento entre a infância e a pré–adolescência constitui a fase de construção da identificação dos indivíduos quando se estabelecem seus valores, conceitos, modelos e padrões estéticos. Neste sentido, a tarefa de ser uma mãe negra se torna mais delicada pela ausência de crianças negras no conjunto da mídia e em especial na propaganda, espaço que acaba por induzir os indivíduos dessa categoria a se entender como subcidadãos e subconsumidores, independentemente da sua capacidade de consumo.

O racismo existente no Brasil não poupa a infância. Na verdade, é nessa fase que ele ganha corpo e consegue novos adeptos. A propaganda pode transmitir para as crianças negras a interiorização de um lugar social delimitado e com horizontes claramente marcados. Construir a auto-estima de crianças, onde a cor de sua pele resume a impertinência de sua presença em um lugar onde somente branco e rico seriam bem-vindos é uma tarefa árdua. A criança negra na mídia brasileira é uma criança sem nome ou rosto, rejeitada pela cor, o que de forma abstrata registra a desigualdade de maneira poderosa para resumir a racialização de classe da sociedade brasileira.

Não temos dúvida de que as crianças negras de hoje têm uma realidade diferente das do passado, inclusive com maior poder de compra e o direito de teoricamente serem livres. Mas essa “liberdade” não lhes proporciona o direito de ser tratadas igual a todas as outras crianças. Diferenças como a cor de sua pele e a classe social onde estão inseridas determinam suas realidades que, muitas vezes, está impregnada de preconceito. Essas chamadas diferenças, fruto do reflexo social presente nos meios de consumo, são fatores que determinam quais dificuldades serão enfrentadas. São tarefas detectadas muito cedo por suas mães de forma dolorosa nas campanhas, nas compras de produtos infantis diários onde as crianças inteligentes, aventureiras, fortes, saudáveis, amadas e felizes; aquelas que consomem toddynho ou nescau – são todas brancas. A realidade é que as crianças negras são ainda invisíveis ao universo do consumo, o que pode parecer óbvio, dada a sobreposição da desigualdade de classe à desigualdade racial no País: negros ainda são mais pobres que brancos, um fato que alimenta intermináveis controvérsias para segmentos privilegiados sobre as causas da desigualdade, onde estes têm dúvida se seriam de renda ou racial.

As crianças negras não são invisíveis apenas nos meios de comunicação, mas em escolas, hospitais ou espaços de lazer, isto é, como futuros cidadãos e cidadãs em uma sociedade que se define como livre do racismo. Quando se é criança, a defesa de seu espaço se dá através da inferiorização do outro, onde ela se coloca como superior, tendo como base alguma característica que a distingue, passando a se sentir inatingível aos ataques de seus colegas. Isso ocorre com frequência na relação entre crianças brancas e negras: a primeira se elevando e a segundo se retraindo e se auto-desvalorizando. (O racismo na construção das mensagens publicitárias, isto é, a supervalorização da representação branca em detrimento da negra, contribui para a propagação de preconceitos, atingindo crianças negras e brancas em suas atitudes e comportamentos, alargando a incidência do racismo para as futuras gerações) A maneira de construção midiática brasileira contribui para que essas simplesmente adquiram preconceitos da mesma maneira que aprendem outras atitudes e comportamentos, partilhados pela sociedade como um todo.

A baixa autoestima detectada em crianças e pré-adolescentes negros em grande medida pode também ser atribuída a esta invisibilidade nas propagandas, pois a contrapartida esperada numa sociedade de consumo é que a aquisição de bens e serviços dêem aos indivíduos uma sensação de satisfação) advinda dos comerciais de produtos/marcas. Não podemos dizer que em pleno século XXI, não tenhamos conquistado o papel de consumidor ativo na sociedade. Mas mesmo tendo sido percebidos pelo mercado, isso não promove tratamento igual aos brancos nos veículos de comunicação. Os pequenos avanços adquiridos ainda não conseguem fazer com que a cor da pele não seja importante para o reconhecimento do outro como semelhante. É isso que chamamos racismo: descrição do outro como um dessemelhante e abjeto pela cor de seu corpo.
Numa sociedade marcadamente racista e que se vê como uma democracia racial, um sujeito inimaginável pelo consumo é reiteradamente excluído por meio de sua cor e traços. Para esse sujeito ser reconhecido, é preciso antes ser perceptível à ordem dominante, ou seja, algo precisa ser reavaliado. A publicidade infantil age do mesmo modo, ao fazer com que uma criança antes de entender o sentido político do racismo, seja alvo de uma rejeição que resume sua existência. À mãe negra cabe então a tarefa de contribuir para que, mesmo diante de toda rejeição a seu corpo, as crianças negras não percam antes do tempo a ingenuidade infantil que em breve será vencida pela observação cotidiana de práticas racistas. Com o tempo, a criança sem nome e com somente cor diante da mídia brasileira encontrará outro grupo para traduzir sua experiência de sentir-se desprezível que não será mais porque é uma criança em um ambiente de adultos, mas um adolescente, um homem ou um velho negro em um mundo cuja ordem do consumo e da lei é, ainda, branca.