sábado, 10 de janeiro de 2015

Jovens negros são os mais vulneráveis

publicado: gazeta do povo
Prévia de estudo do Fórum Brasileiro de Segurança mostra que a desigualdade segue fazendo vítimas no país, principalmente se você for preto ou pardo
Em seis anos, Brasil viu assassinatos de jovens negros crescerem 21%. É o que aponta a pesquisa Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência e Desigualdade (IVJ 2014), encomendada pelo Ministério da Justiça ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Dos 29,9 mil jovens brasileiros vítimas de homicídios em 2012, 76% eram negros ou pardos. O governo federal deve divulgar os dados completos nos próximos dias, de acordo com o fórum.
O estudo, que analisa dados entre 2007 e 2012, aponta ainda que a probabilidade de um jovem negro morrer é duas vezes e meia maior que a de um jovem branco. A base da pesquisa é homicídio cometido contra pessoas com idade entre 12 e 29 anos.

A pesquisa ponderou o tamanho da população de jovens brancos e negros e a taxa de homicídio para chegar ao índice relativo de risco de morte. Esse risco é muito maior que a média nacional em estados do Nordeste.
No Sul, o problema é menor, mas os três estados viram um aumento de 20% nos assassinatos de jovens negros no período. No Paraná, esses homicídios cresceram 14%.
Ainda assim, a pesquisa mostrou que os estados do Sul têm as menores diferenças entre as chances de jovens negros e brancos serem mortos. Segundo a pesquisa, o único estado onde um jovem branco tem mais chances de ser vítima de homicídio é o Paraná, com índice 0,7. Em todo estado, a taxa de homicídio de jovens brancos chega a 71 por 100 mil habitantes, enquanto a de jovens negros atinge 47 por 100 mil.
A pesquisa foi realizada para tentar orientar as políticas públicas nacionais para conter a violência em várias áreas e diferentes níveis de governo. De acordo com a ponderação do estudo, os índices estão estabelecidos entre zero e um. Quanto maior o valor, maior a vulnerabilidade do jovem naquela região.
O número de assassinatos de jovens brancos caiu 6% no país nos seis anos analisados pela pesquisa. Na região Sul, contudo, houve um aumento de 3% (porcentual que é considerado sinal de estabilidade por alguns pesquisadores).

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Nota da UNEGRO: Ausência na posse de Dilma Rousseff


Após o resultado das urnas se confirmou a quarta vitória do povo, com isso acirrou a luta de classes com a direita, apoiada pela grande mídia, blocada tentando tirar a legitimidade da vitória de Dilma e articulando um golpe contra um governo democraticamente constituído numa eleição limpa.

Vimos mobilizações de massa organizada pelos derrotados exigindo a caçassão do mandato de Dilma e a volta dos militares no comando do Brasil.

Diante disso os movimentos sociais, principais responsáveis, pela vitória foram chamados a irem no dia 01 de janeiro em Brasilia, data da posse, para mostrar que Dilma Rousseff tem prestígio com a massa, tem forte apoio popular organizado e que o povo não admitirá golpes e retrocessos.

Face a UNEGRO ter apoiado e ser partícipe da vitória de Dilma, deliberou em sua reunião nacional compor o processo de mobilização em apoio ao resultado eleitoral e a plataforma vencedora, visto que ela expressa anseios do povo e parcela da pauta do movimento negro.
Fizemos todo esforço de mobilização, especialmente em São Paulo, Bahia, Santa Catarina, Espírito Santo e Ceará. Honrando nosso compromisso com a nação, com a democracia, com a esquerda brasileira, com os movimentos sociais e com uma agenda progressista para o pais.

Lamentavelmente houve um corte por decisão unilateral no apoio (ônibus) para todas as delegações geograficamente situadas fora de Brasília e entorno. Nós e entidade co-irmãs, várias lideranças e valorosos companheiros ficamos no caminho.
Considero um erro na interlocução com os movimentos sociais do Governo e do PT.

Malgrado esse fato, fomos surpreendidos ontem pelo anúncio no Jornal Nacional de alguns "ajustes" que o Governo está propondo que mais parece uma mini reforma que ataca direitos trabalhistas e previdenciarios, ou seja, nossa luta é árdua. Sem os movimentos sociais e o povo organizado nas ruas não há como acreditar em mudanças.
No mais, nos prepararemos para novas e necessárias lutas. Sabemos que em ambiente de crise e e perdas de direitos os negros e negras são as vítimas prioritárias.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Dra. Nilma Lino Gomes é a nova Ministra da Seppir

Nilma Lino Gomes é a atual reitora da Unilab.
Ela é pedagoga formada pela UFMG e não tem vínculo com partidos.

Nomeada pela presidente Dilma Rousseff para ocupar a Secretaria de Política de Promoção da Igualdade Racial, Nilma Lino Gomes foi a primeira mulher negra a assumir a reitoria de uma universidade federal no país. Em abril de 2013, Nilma foi empossada reitora da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), com sede em Redenção (CE).
A futura ministra não é filiada a nenhum partido. Nilma é pedagoga, graduada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde também fez o mestrado em educação. Ela tem doutorado em ciências sociais pela Universidade de São Paulo e pós-doutorado, em sociologia, pela Universidade de Coimbra (Portugal).
Entre 2004 e 2006, presidiu a Associação Brasileira de Pesquisadores Negros (ABPN) e desde 2010 integrou a Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, onde participou da comissão técnica nacional de diversidade para assuntos relacionados à educação dos afro-brasileiros.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Ava DuVernay se torna a 1ª diretora negra indicada ao Globo de Ouro

Ava DuVernay, de "Selma", primeira diretora negra a ser indicada ao Globo de Ouro
publicado: uol
A cineasta americana Ava DuVernay, reponsável pelo drama racial "Selma", se tornou nesta quinta (11) a primeira mulher negra a ser indicada ao Globo de Ouro de melhor direção. Histórico, o feito pode ainda ser repetido na próxima edição do Oscar. Os nomeados serão divulgados no dia 15 de janeiro.
Em entrevista ao site da revista "The Hollywood Reporter", Ava afirmou que esperava apenas que o ator David Oyelowo fosse indicado como ator principal. "Este homem colocou cada grama de seu coração e espírito e mente, cada pedaço de seu DNA neste filme. Isso é tudo o que eu queria."
Em 70 anos de Globo de Ouro, apenas dois fro-americanos foram indicados à categoria de melhor diretor: Spike Lee, em 1990, por "Faça a coisa certa", e Steve McQueen, em 2014, por "12 Anos de Escravidão".
A diretora tem como rivais Alejandro González Iñárritu ("Birdman"), Wes Anderson ("O Grande Hotel Budapeste"), David Fincher ("Garota Exemplar") e Richard Linklater ("Boyhood - Da Infância à Juventude").
Além de David Oyelowo, estão na disputa do Globo de Ouro de melhor ator Steve Carell ("Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo"), Benedict Cumberbatch ("O Jogo da Imitação"), Jake Gyllenhaal ("O Abutre") e Eddie Redmayne ("A Teoria de Tudo").
"Selma" retrata as marchas pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos, lideradas por Martin Luther King, nos anos 1960. Com produção de Brad Pitt e Oprah Winfrey, deve estrear dia 25 de janeiro no Brasil.
Os vencedores do Globo de Ouro serão conhecidos no dia 11 de janeiro de 2015, durante cerimônia em Los Angeles que novamente terá Tina Fey e Amy Poehler como apresentadoras.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Ator salva filme sobre Arthur Bispo do Rosário


publicado: gazeta do povo

A cinebiografia O Senhor do Labirinto, sobre o artista plástico Arthur Bispo do Rosário (1911-1989), uma das estreias de hoje nos cinemas, não prima pela ambição. Pouco inventiva, limita-se a apresentar os fatos mais relevantes da vida do esquizofrênico que passou cerca de cinco décadas internado na colônia Juliano Moreira, no Rio de Janeiro.

Felizmente, Bispo do Rosário é um personagem fascinante. Tomado por uma obsessão religiosa que o fazia crer ser uma representação de Jesus, criou uma obra plástica intrigante, cheia de força expressiva, que acabou reconhecida fora do Brasil.

A partir da sucata disponível no manicômio, inventou um mundo paralelo voltado a Deus povoado por peças como mantos minuciosamente bordados, estandartes e miniaturas. Ao desconstruir os objetos originais, gesto de desconstrução simbólica do mundo dos homens “normais”, gerou significados.
Trabalhando isolado em sua cela, ele se esquivou da truculência do sistema manicomial de então, em que práticas como o eletrochoque mal aplicado eram usuais. A arte o “redimiu” da desrazão do mundo, permitiu que o artista afrontasse a loucura.

Apesar do academicismo na forma de narrar, a extraordinária atuação do gaúcho Flávio Bauraqui (que encarna um Bispo do Rosário muito convincente, sem recorrer a estereótipos do louco como esgares e outros cacoetes) salva o filme.




quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Quem é o dono da “piscina nazista”?


O professor, proprietário da piscina que virou notícia no mundo, também batizou o filho de Adolf, exaltou os militares da “contrarrevolução” de 1964, chegou a afirmar que os negros eram coitados – pois ficaram “desempregados” com o fim da escravidão – e chorou, ao receber a saudação nazista em uma festa de formatura de seus alunos

Por Vinicius Gomes
publicado: Revista Fórum

Em entrevista, no dia 31 de março desse ano, Wander Pugliese rejeitou o golpe militar de 1964: “foi uma contrarrevolução” (Reprodução)

Na semana passada, durante uma ação da Polícia Civil de Santa Catarina, descobriu-se uma “homenagem” ao nazismo: uma suástica estampava o fundo de uma piscina. Em pouco tempo, a fotografia com a imagem da piscina chegou aos jornais e às redes sociais. Mas, se em grande parte do país, assim como no exterior (EUA, Reino Unido, Israel), a revelação foi chocante, isso pouco surpreendeu as pessoas que já conheciam Wandecyr Antônio Pugliese. O professor de história é o proprietário da residência localizada na cidade de Pomerode, no interior de Santa Catarina, e admirador confesso da ideologia nazista.

Vinte anos atrás, Pugliese já havia sido notícia pelo Brasil, quando em uma reportagem do programa Fantástico, da Rede Globo, em fevereiro de 1994, ele mostrou sua coleção de objetos históricos relacionados ao nazismo. Entre o material – que seria confiscado anos depois a pedido do Ministério Público Federal – estavam livros, quadros, revistas, fotografias, cartões postais, gravuras do exército alemão, objetos com a cruz suástica, além de uma camiseta estampada com a figura de Adolf Hitler. Por volta dessa época, ele foi ligado a outra denúncia de propagação de ideias racistas por conta de um revisionista do holocausto chamado Siegfried Ellwanger Castan, o qual tem em Pugliese um dos seus maiores admiradores – tanto que é a principal indicação bibliográfica do professor a seus alunos.

Em matéria para o Zero Hora, a jornalista Clara Glock entrevistou Pugliese, que previu que, em 15 anos, levantariam uma estátua para Hitler na Europa e afirmou que os negros eram coitados, pois “ficaram desempregados no dia 13 de maio”, referindo-se à data em 1888, quando foi assinada a Lei Áurea.

Outro ponto polêmico de Pugliese, também conhecido por seus alunos, é o que se refere aos militares da ditadura brasileira. Em 31 de março desse ano, nos 50 anos do golpe militar, ele afirmou na Rádio Nereu Ramos, de Blumenau, que os eventos de 1964 não foram de golpe e, sim, “uma contrarrevolução” (ouça aqui). A reportagem de Fórum buscou entrar em contato com o professor, mas sem sucesso.

Quem é o professor Wander?

Revisionista do holocausto, admirador de Hitler, militares brasileiros e do falecido Enéas Carneiro, Wandercy Antônio Pugliese há anos é professor na rede privada de educação do estado de Santa Catarina e a descoberta da suástica em sua piscina de nada surpreendeu aqueles que foram seus alunos.

“A fama dele é relativamente grande na cidade de Blumenau. Principalmente pelo fato de ele ter lecionado no [Colégio] Energia durante anos. O discurso dele fez a sua fama”, afirma Ricardo Duwe, que, apesar de não ter sido aluno de “Wander”, como é chamado, teve irmão e amigos próximos que foram. “A postura dele sempre foi muito combativa, principalmente por ele se colocar enquanto um revisionista do holocausto”, destaca.

Outros ex-alunos de Pugliese também se lembram desse posicionamento. “A atuação dele era, sobretudo, para a gente questionar a existência do holocausto. Ficava lá falando das pensões que os judeus recebem, chamando isso tudo de ‘indústria do holocausto’, e nunca em um sentido pedagógico, sempre atravessado por ódio. Era impressionante”, relembra Fabiano Garcia, que teve aula com Pugliese em 2005, no Colégio Santa Rosa de Lima, na cidade de Lages, também interior de Santa Catarina.

Larissa Beppler, que foi aluna dele no Energia de Blumenau, em 2002, lembra que, em sala de aula, Pugliese contestava o holocausto e diNa semana passada, durante uma ação da Polícia Civil de Santa Catarina, descobriu-se uma “homenagem” ao nazismo: uma suástica estampava o fundo de uma piscina. Em pouco tempo, a fotografia com a imagem da piscina chegou aos jornais e às redes sociais. Mas, se em grande parte do país, assim como no exterior (EUA, Reino Unido, Israel), a revelação foi chocante, isso pouco surpreendeu as pessoas que já conheciam Wandecyr Antônio Pugliese. O professor de história é o proprietário da residência localizada na cidade de Pomerode, no interior de Santa Catarina, e admirador confesso da ideologia nazista.

Vinte anos atrás, Pugliese já havia sido notícia pelo Brasil, quando em uma reportagem do programa Fantástico, da Rede Globo, em fevereiro de 1994, ele mostrou sua coleção de objetos históricos relacionados ao nazismo. Entre o material – que seria confiscado anos depois a pedido do Ministério Público Federal – estavam livros, quadros, revistas, fotografias, cartões postais, gravuras do exército alemão, objetos com a cruz suástica, além de uma camiseta estampada com a figura de Adolf Hitler. Por volta dessa época, ele foi ligado a outra denúncia de propagação de ideias racistas por conta de um revisionista do holocausto chamado Siegfried Ellwanger Castan, o qual tem em Pugliese um dos seus maiores admiradores – tanto que é a principal indicação bibliográfica do professor a seus alunos.

Em matéria para o Zero Hora, a jornalista Clara Glock entrevistou Pugliese, que previu que, em 15 anos, levantariam uma estátua para Hitler na Europa e afirmou que os negros eram coitados, pois “ficaram desempregados no dia 13 de maio”, referindo-se à data em 1888, quando foi assinada a Lei Áurea.

Outro ponto polêmico de Pugliese, também conhecido por seus alunos, é o que se refere aos militares da ditadura brasileira. Em 31 de março desse ano, nos 50 anos do golpe militar, ele afirmou na Rádio Nereu Ramos, de Blumenau, que os eventos de 1964 não foram de golpe e, sim, “uma contrarrevolução” (ouça aqui). A reportagem de Fórum buscou entrar em contato com o professor, mas sem sucesso.

Quem é o professor Wander?

Revisionista do holocausto, admirador de Hitler, militares brasileiros e do falecido Enéas Carneiro, Wandercy Antônio Pugliese há anos é professor na rede privada de educação do estado de Santa Catarina e a descoberta da suástica em sua piscina de nada surpreendeu aqueles que foram seus alunos.

“A fama dele é relativamente grande na cidade de Blumenau. Principalmente pelo fato de ele ter lecionado no [Colégio] Energia durante anos. O discurso dele fez a sua fama”, afirma Ricardo Duwe, que, apesar de não ter sido aluno de “Wander”, como é chamado, teve irmão e amigos próximos que foram. “A postura dele sempre foi muito combativa, principalmente por ele se colocar enquanto um revisionista do holocausto”, destaca.

Outros ex-alunos de Pugliese também se lembram desse posicionamento. “A atuação dele era, sobretudo, para a gente questionar a existência do holocausto. Ficava lá falando das pensões que os judeus recebem, chamando isso tudo de ‘indústria do holocausto’, e nunca em um sentido pedagógico, sempre atravessado por ódio. Era impressionante”, relembra Fabiano Garcia, que teve aula com Pugliese em 2005, no Colégio Santa Rosa de Lima, na cidade de Lages, também interior de Santa Catarina.

Larissa Beppler, que foi aluna dele no Energia de Blumenau, em 2002, lembra que, em sala de aula, Pugliese contestava o holocausto e dizia que a história do nazismo era mentirosa, pois Hitler “não era o monstro que pintavam e que ele fez muito pelo seu povo”.

Segundo Duwe, o professor citava constantemente essa vertente historiográfica que buscava “revisitar” o holocausto. “[O professor] negava veementemente que seis milhões de judeus tenham morrido na guerra, que as câmaras de gás possuíam outras finalidades e que, em casos extremamente raros, eram usadas para extermínio”, relembra Duwe. Ele cita ainda uma frase clássica de Pugliese: “A História é contada sempre pelos vencedores”, já que o professor atribuía a história da Segunda Guerra Mundial aos EUA e aos “judeus banqueiros”, sendo que a versão dos nazistas nunca havia sido privilegiada.


Matéria de 1995 da jornalista Clara Glock, pelo Zero Hora, do Rio Grande da Sul (Reprodução)

Beppler afirma que o professor era bastante querido por seus alunos, todos o adoravam, e como ela não chegou a encarar o discurso de Pugliese como apologia ao nazismo – nem mesmo quando ele próprio contou que seu filho se chamava Adolf, ou quando teve problemas com a justiça por conta dos objetos nazistas: “Na minha cabeça de 17 anos, o que ele fazia não era apologia. Tudo que ele dizia era muito bem argumentado, ele buscava fatos para justificar, sabe? Eu nem sonhava que ele poderia estar errado. Na minha cabeça da época, e minha colega tem hoje a mesma impressão, era uma coisa dele, um gosto pessoal. Não era apologia”.

Garcia conta que, à época, se impressionou com a facilidade que o professor tinha em elogiar o nacional socialismo alemão: “E então um dia, ao fundo da sala, numa roda, eu perguntei se ele realmente acreditava naquilo, se ele era adepto [ao nazismo], e ele respondeu que sim”.

O ex-aluno conta que, ao final do ano, ele e um colega foram à diretoria para questionar a negação ao holocausto, mas então Pugliese apareceu logo em seguida. A diretora recomendou aos alunos que conversassem com o professor, que, por sua vez, usou o material didático – com fotos e tudo mais – para dizer que eram “montagens” e que não podiam ser acreditadas.

Questionado sobre o quanto enxergava que esse discurso poderia influenciar alunos adolescentes, Garcia afirma que ele pode ser impactante: “[O discurso] tem uma força incrível porque a retórica do professor era muito boa. Era realmente convincente porque, afinal, era algo que ele acreditava. Então, se você para e pensa numa turma com jovens naquela faixa etária – onde o que você mais quer é se revoltar contra alguma coisa, contra o sistema, por exemplo – esse discurso encaixa de uma maneira terrível porque propaga o ódio e te dá a falsa sensação de solucionar alguma coisa. E, então, muita gente que passou pelas aulas dele começou a acreditar que os problemas do mundo estavam ligados aos judeus, aos negros etc.”, argumenta.

Para Beppler, a fala de Pugliese era, de fato, perigosa. “Por mais sutil que seja – porque ele não sai falando: amem Hitler, matem negros, sejam racistas, nem nada disso –, ele apenas alivia a barra de Hitler. Hoje, eu entendo como apologia, sim, mas é algo bem sutil para um adolescente se dar conta. Especialmente vindo de um cara que todos adoram”, conta.

No entanto, Beppler, hoje empresária e com 29 anos, tem uma lembrança amarga sobre esse período: “Na noite da minha formatura, a turma inteira se levantou para saudá-lo com um gesto nazista. Sim, fizemos o Heil Hitler. Morro de vergonha só de lembrar. Mas não porque éramos nazistas e, sim, para homenageá-lo. Como ele relativizou muito a questão do nazismo e de Hitler, nós não percebíamos a gravidade daquele gesto. A ideia era se despedir com algo que o agradasse. Ele até chorou”.zia que a história do nazismo era mentirosa, pois Hitler “não era o monstro que pintavam e que ele fez muito pelo seu povo”.

Segundo Duwe, o professor citava constantemente essa vertente historiográfica que buscava “revisitar” o holocausto. “[O professor] negava veementemente que seis milhões de judeus tenham morrido na guerra, que as câmaras de gás possuíam outras finalidades e que, em casos extremamente raros, eram usadas para extermínio”, relembra Duwe. Ele cita ainda uma frase clássica de Pugliese: “A História é contada sempre pelos vencedores”, já que o professor atribuía a história da Segunda Guerra Mundial aos EUA e aos “judeus banqueiros”, sendo que a versão dos nazistas nunca havia sido privilegiada.


Matéria de 1995 da jornalista Clara Glock, pelo Zero Hora, do Rio Grande da Sul (Reprodução)

Beppler afirma que o professor era bastante querido por seus alunos, todos o adoravam, e como ela não chegou a encarar o discurso de Pugliese como apologia ao nazismo – nem mesmo quando ele próprio contou que seu filho se chamava Adolf, ou quando teve problemas com a justiça por conta dos objetos nazistas: “Na minha cabeça de 17 anos, o que ele fazia não era apologia. Tudo que ele dizia era muito bem argumentado, ele buscava fatos para justificar, sabe? Eu nem sonhava que ele poderia estar errado. Na minha cabeça da época, e minha colega tem hoje a mesma impressão, era uma coisa dele, um gosto pessoal. Não era apologia”.

Garcia conta que, à época, se impressionou com a facilidade que o professor tinha em elogiar o nacional socialismo alemão: “E então um dia, ao fundo da sala, numa roda, eu perguntei se ele realmente acreditava naquilo, se ele era adepto [ao nazismo], e ele respondeu que sim”.

O ex-aluno conta que, ao final do ano, ele e um colega foram à diretoria para questionar a negação ao holocausto, mas então Pugliese apareceu logo em seguida. A diretora recomendou aos alunos que conversassem com o professor, que, por sua vez, usou o material didático – com fotos e tudo mais – para dizer que eram “montagens” e que não podiam ser acreditadas.

Questionado sobre o quanto enxergava que esse discurso poderia influenciar alunos adolescentes, Garcia afirma que ele pode ser impactante: “[O discurso] tem uma força incrível porque a retórica do professor era muito boa. Era realmente convincente porque, afinal, era algo que ele acreditava. Então, se você para e pensa numa turma com jovens naquela faixa etária – onde o que você mais quer é se revoltar contra alguma coisa, contra o sistema, por exemplo – esse discurso encaixa de uma maneira terrível porque propaga o ódio e te dá a falsa sensação de solucionar alguma coisa. E, então, muita gente que passou pelas aulas dele começou a acreditar que os problemas do mundo estavam ligados aos judeus, aos negros etc.”, argumenta.

Para Beppler, a fala de Pugliese era, de fato, perigosa. “Por mais sutil que seja – porque ele não sai falando: amem Hitler, matem negros, sejam racistas, nem nada disso –, ele apenas alivia a barra de Hitler. Hoje, eu entendo como apologia, sim, mas é algo bem sutil para um adolescente se dar conta. Especialmente vindo de um cara que todos adoram”, conta.

No entanto, Beppler, hoje empresária e com 29 anos, tem uma lembrança amarga sobre esse período: “Na noite da minha formatura, a turma inteira se levantou para saudá-lo com um gesto nazista. Sim, fizemos o Heil Hitler. Morro de vergonha só de lembrar. Mas não porque éramos nazistas e, sim, para homenageá-lo. Como ele relativizou muito a questão do nazismo e de Hitler, nós não percebíamos a gravidade daquele gesto. A ideia era se despedir com algo que o agradasse. Ele até chorou”.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Fiéis se mobilizam contra transferência de padre vítima de racismo

Comunidade católica começou a recolher adesões para um abaixo-assinado, nesta terça-feira (2), na tentativa de manter o sacerdote na Paróquia de Santo Antônio, em Adamantina
publicado: ifronteira
A comunidade católica de Adamantina iniciou nesta terça-feira (2), no Centro da cidade, uma mobilização, por meio de um abaixo-assinado, para reivindicar a permanência do padre Wilson Ramos na Paróquia de Santo Antônio.
Segundo Franciele Spina, de 22 anos, participante do movimento, desde que chegou para assumir a paróquia, há aproximadamente um ano e cinco meses, o padre recebe ofensas racistas de algumas pessoas por ser negro e, por conta disso, o bispo da Diocese de Marília, Dom Luiz Antonio Cipolini, quer mudá-lo de cidade.
“Só hoje [2], já recolhemos três mil assinaturas. A mobilização ‘Fica, Padre Wilson’ continuará até a quarta-feira que vem [10], sempre no Centro, das 9h às 16h. Além do ponto fixo, há pessoas passando com livros pelos bairros também. Pretendemos recolher aproximadamente 20 mil assinaturas até a semana que vem”, ressaltou Franciele ao iFronteira.