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terça-feira, 14 de outubro de 2014

Caso “Sexo e as Nêgas” – Após carta de repúdio, coordenadora é afastada de faculdade

Dois dias após publicar texto repudiando convite feito pela reitoria a Miguel Falabella para um debate, Ellen de Lima Souza foi afastada do cargo e impedida de concluir suas aulas do semestre no curso de Pedagogia

publicado: Revista Fórum
Por Jarid Arraes
A controvérsia da nova série de Miguel Falabella, “Sexo e as Nêgas”, e o posterior convite ao diretor para participar de um debate sobre o programa feito pela Faculdade Zumbi dos Palmares (FAZP), em São Paulo, têm novo desfecho polêmico: dois dias após lançar em seu perfil pessoal no Facebook uma carta de repúdio ao convite feito pela reitoria, a professora e coordenadora do curso de Pedagogia da faculdade, Ellen de Lima Souza, foi afastada do cargo e impedida de concluir suas aulas do semestre.

Em entrevista concedida ao portal Afropress, ao justificar o afastamento da coordenadora, o reitor José Vicente afirmou que as críticas feitas à série global seriam “fundamentalistas”. Ellen de Lima Souza afirma que o curso de Pedagogia é formado em sua maioria por mulheres negras, que se sentiram em justo direito de manifestar insatisfação diante do convite feito a Falabella. Além disso, Souza questiona o fato de que nenhuma ativista negra ou pesquisadora da área foi chamada para participar do debate.

Souza afirma que a nota de repúdio, também assinada pela coordenação e corpos docente e dicente da faculdade, foi lida durante uma assembleia na instituição e explica que procurou o reitor para tratar da questão. “Apontei que a entrada do Miguel Falabella em um espaço como a FAZP era incoerente com os valores da instituição, especialmente neste momento em que o seriado apresenta mulheres negras unicamente como objetos sexuais.” No entanto, o reitor José Vicente reprovou a reivindicação, o que levou a coordenadora a pedir afastamento do cargo, mas solicitar que pudesse concluir todas as aulas restantes no período letivo – solicitação que não foi atendida pela reitoria.

“Me estranha o fato de ver um homem negro bradando reivindicações de espaço para assegurar o direito de fala e defesa do produtor de um seriado calcado em uma ideologia machista e racista em um espaço negro como a Faculdade Zumbi dos Palmares e este mesmo gestor negro, ao ouvir as manifestações de mulheres negras pertencentes ao seu espaço, parceiras em seu projeto, tratar as nossas reivindicações de forma banalizada, descaracterizada, e ainda entender que as manifestações dessas parceiras são dignas de punição, conforme ele mesmo declarou”, explica Souza. “Então, me pergunto: como uma nota de repúdio pode ser fundamentalista? Querem nos tratar como objetos e fazer uso dos nossos corpos para legitimar algo que nos prejudica e discordamos veementemente e esperam que façamos silêncio?”, indaga.

A professora avalia a repercussão contra o seriado como forte e positiva, mas pede que os protestos não parem e solicita ainda mais união das ativistas negras – também com o objetivo de inserir as alunas de Pedagogia da FAZP em espaços onde possam elaborar metodologias para uma educação igualitária. “Eu penso que neste momento é importante mostrar para aqueles que ainda não compreenderam que esse repúdio contra o seriado “Sexo e as Nêgas” não é da professora Ellen ou do grupo de Pedagogia, mas é um movimento nacional contrário à ideologia machista, racista e classista que sustenta o referido seriado”, conclui.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Autuada, Globo diz que há um equívoco na interpretação de "Sexo e as Negas"

publicado:Uol
No final da tarde desta segunda-feira (15), a TV Globo confirmou ter recebido uma autuação da Secretaria Especial da Promoção da Igualdade Racial (Seppir) por conta da série "Sexo e as Negas", de Miguel Falabella, que estreia nesta terça-feira.

"A Globo recebeu um ofício e vai avaliar a solicitação. Certamente há algum equívoco de interpretação do conteúdo do seriado. Temos certeza de que essas dúvidas serão dirimidas ao se conhecer o programa. Cabe ressaltar que o nosso documento de Princípios e Valores prevê o respeito à diversidade e a repulsa ao preconceito, o que é praticado em toda a nossa programação", informou em nota a Comunicação da Globo.

Até o final da tarde de sexta-feira (12), a Seppir confirmou ter recebido 17 acusações de racismo por conta da série "Sexo e as Negas", de Miguel Falabella. A assessoria de imprensa do Ministério Público Federal no Rio de Janeiro (MPF-RJ) também recebeu uma queixa contra o programa.

Seriado é acusado de racismo

Inspirada na série americana de sucesso em todo mundo "Sex and The City", "Sexo e as Negas" tem sofrido com uma campanha na internet de boicote ao programa antes mesmo da estreia. Nos últimos dias, diversas organizações do movimento negro e de mulheres se manifestaram contra o seriado. Na quarta-feira (10), o órgão federal autuou a Rede Globo e solicitou mais informações sobre o conteúdo da trama por causa de várias acusações de racismo recebidas contra o programa. 

O autor da série, Miguel Falabella rebateu as críticas sobre preconceito e se mostrou indignado. "Como é que se tem a pachorra de falar de preconceito, quando pré-julgam e formam imediatamente um conceito rancoroso sobre algo que sequer viram? 'Sexo e as Negas' não tem nada de preconceito. Fala da luta de quatro mulheres que sonham, que buscam um amor ideal. Elas podiam ser médicas e morar em Ipanema, mas não é esse meu universo na essência, como autor", escreveu ele em sua página pessoal do Facebook.

"Qual é o problema, afinal? É o sexo? São as 'negas'? As negas, volto a explicar, é uma questão de prosódia. Os baianos arrastam a língua e dizem 'meu nego', os cariocas arrastam a língua e devoram os S. Se é o sexo, por que as americanas brancas têm direito ao sexo e as negras não? Que caretice é essa? O problema é por que elas são de comunidade?", completou o autor.

Claudia Jimenez volta à TV como protagonista de série Sexo e as Nêgas

Claudia Jimenez conta detalhes da sua recuperação para Renata Vasconcelos
publicado:uol
Protagonista da série "Sexo e as Nêgas", de Miguel Falabella. Esse é o próximo desafio de Claudia Jimenez afastada da TV desde o final do ano passado por causa de problemas de saúde.
A atriz conta detalhes da difícil recuperação por que passou e como está sendo sua volta ao trabalho em uma entrevista exclusiva a Renata Vasconcelos no "Fantástico", da Rede Globo. Claudia precisou colocar cinco pontes no coração, passou por uma reconstrução da válvula aórtica e implantou um marcapasso.
Ela também falou sobre amor, carreira, humor, como superar dificuldades e a tentativa de ser feliz a cada dia. A atriz, de 55 anos, se emocionou ao relembrar sua infância e confessou que já viveu o grande amor de sua vida. 
 O 'Fantástico' acompanhou uma gravação da atriz no Projac e seu reencontro com colegas de elenco. Na trama, ela se chama Jesuína, dona do bar que é o ponto de encontro onde as quatro negas-título se encontram para trocar confidências. Narradora da história, ela tem um programa na rádio comunitária, onde comenta e levanta as questões que são abordadas no programa.