Mostrando postagens com marcador poeta. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poeta. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Aspiração (Agostinho Neto)*





Ainda o meu canto dolente e a minha tristeza no Congo, na Geórgia, no Amazonas Ainda o meu sonho de batuque em noites de luar ainda os meus braços ainda os meus olhos ainda os meus gritos Ainda o dorso vergastado o coração abandonado a alma entregue à fé ainda a dúvida E sobre os meus cantos os meus sonhos os meus olhos os meus gritos sobre o meu mundo isolado o tempo parado Ainda o meu espírito ainda o quissange a marimba a viola o saxofone ainda os meus ritmos de ritual orgíaco Ainda a minha vida oferecida à Vida ainda o meu desejo Ainda o meu sonho o meu grito o meu braço a sustentar o meu Querer E nas sanzalas nas casas no subúrbios das cidades para lá das linhas nos recantos escuros das casas ricas onde os negros murmuram: ainda O meu desejo transformado em força inspirando as consciências desesperadas. (Sagrada esperança)

Poesia Africana
*António Agostinho Neto (Ícolo e Bengo, 17 de Setembro de 1922Moscovo, 10 de Setembrode 1979) foi um médico angolano, formado nas Universidades de Coimbra e de Lisboa, que em 1975se tornou o primeiro presidente de Angola até 1979. Em 1975-1976 foi-lhe atribuído o "Prémio Lenine da Paz".

terça-feira, 29 de julho de 2014

RESTO

por: Denis Denilto
Do céu as lágrimas caem e aqui 
embaixo, bem embaixo o coração dói.
Não resta muita coisa para o agora. 
Em um mundo "gris" esperar é a última esperança!
Não há nada novo neste instante.
Nesta manhã experimente o mesmo de antes.
As Lágrimas choram neste tempo cinza.
Tenho azia ao mesmo de sempre...
As folhas caem lentamente e lentamente
deixo adormecer minha mente.
Não adianta resistir!
As lágrimas caem e o coração dói
em um mundo cinza. 
Só me resta a azia depois de ver cair
lentamente as folhas dormidas na mente.