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terça-feira, 9 de setembro de 2014

TRT condena empresa por coagir funcionário a cortar cabelo ‘black power’

O empregado pediu demissão por não suportar piadas sobre sua cor e seu estilo de cabelo 

publicado: Revista Fórum
Por Redação*


A Voetur Turismo e Representações foi condenada a pagar indenização por ter coagido um funcionário a cortar o cabelo black power. O autor da reclamação trabalhista conta que foi contratado para o cargo de revisor e que constantemente ouvia comentários maldosos sobre seu cabelo, sua cor e seu excesso de peso.

O fato mais grave ocorreu, segundo ele, em um evento promovido pela empresa, com show de humor, música e gincanas. Na ocasião, o chefe insistiu para que cortasse o cabelo e ele acabou se submetendo ao corte, tendo várias pessoas ao redor filmando, fotografando, rindo e fazendo brincadeiras. Incomodado, ele pediu demissão no dia seguinte, afirmando ter se sentido “uma atração de circo”.

A indenização havia sido imposta pelo juiz Gilberto Augusto Leitão Martins, da 11ª Vara do Trabalho de Brasília (DF). Em sua sentença, o magistrado afirmou que o uso deste tipo de cabelo “nem de longe pode ser considerado comportamento inadequado, de modo que o estilo black power, usado pelas pessoas da raça negra, não se apresenta como algo inusual, provocante ou que revele descuido no asseio pessoal”.

A restrição ao uso do black power pode, inclusive, resvalar para o preconceito de raça, extrapolando a própria invasão à privacidade, vedada pelo artigo 5º (inciso X) da Constituição Federal. Após julgamento do recurso apresentado pela empresa, a Terceira Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10) manteve a mesma postura. Porém, ajustou o valor da indenização de R$ 10 mil para R$ 4,8 mil.

* Com informações da Agência de Notícias da Justiça do Trabalho

sábado, 9 de agosto de 2014

PF volta a rejeitar "black power" em foto de passaporte


publicado: A Tarde

Veja comparação do passaporte oficial de Lília com cabelo preso e simulação feita por programa de TV

Após mais um caso de pessoa com cabelo "black power" enfrentando dificuldade para tirar passaporte, a jornalista baiana Lília de Souza, que enfrentou o mesmo problema em Salvador, divulgou, na madrugada deste sábado, 9, a foto do seu documento com o cabelo preso para se adequar ao sistema da Polícia Federal.

Lília denunciou o constrangimento no Facebook depois que não conseguiu renovar o passaporte com o seu visual "black power".
Ela contou que foi informada por policiais federais que o sistema de emissão de passaporte não aceitava o seu "tipo" de cabelo. Após várias tentativas frustadas, Lília precisou prender o cabelo com borrachas de dinheiro para conseguir tirar o documento.
A história foi noticiada por A TARDE e ganhou repercussão nacional. Logo depois, a Polícia Federal argumentou que utiliza um padrão da Organização da Aviação Civil Internacional para emitir o documento. O órgão alegou também que a foto precisa ser refeita em diversas situações, como cabelo na frente dos olhos, volumosos, olhos fechados, presença de adornos e ombros ou orelhas que não estejam visíveis.

Um mês após a denúncia da baiana, a atriz e promoter Mônica Assis, conhecida como Nêga, enfrentou o mesmo problema. Ela, que também tem cabelo "black power", repetiu a foto três vezes para tentar tirar o documento no posto da PF do Shopping Leblon, no Rio de Janeiro. Para se adequar ao sistema da PF, Nêga também foi obrigada a prender o cabelo.