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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Roda de capoeira recebe título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade

Ana Cristina Campos - Repórter da Agência Brasil Edição: Denise Griesinger
publicado: agência Brasil 
Crianças e jovens participam de oficinas de capoeira e dança oferecidas pela organização não governamental Viva Rio Haiti (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
Jovens  participam  de  oficinas  de  capoeira oferecidas  pela ONG  Viva Rio HaitiMarcello Casal Jr/Agência Brasil
Dança, luta, símbolo de resistência e uma das manifestações culturais mais conhecidas no Brasil, a roda de capoeira recebeu hoje (26) o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
Após votação durante a 9ª Sessão do Comitê Intergovernamental para a Salvaguarda do Patrimônio Imaterial, em Paris, a roda de capoeira ganhou oficialmente o título.
A presidenta do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Jurema Machado, presente na sessão do comitê, explicou que as políticas de patrimônio imaterial não existem apenas para conferir títulos, mas para que os governos assumam compromissos de preservação de seus bens culturais, materiais e imateriais.
“O reconhecimento representa um tributo à capoeira como manifestação cultural importante, que durante séculos foi criminalizada, além de dar visibilidade internacional. Além disso, reconhece que o Brasil tem políticas públicas para cuidar do seu patrimônio cultural”, disse Jurema, em entrevista à Agência Brasil.
Segundo ela, um bem registrado como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade garante mais respaldo ao governo para apoiar, com recursos públicos, iniciativas de preservação do bem cultural, com o incentivo à transmissão do conhecimento e a formas de organização dos capoeiristas. A roda de capoeira é reconhecida como patrimônio cultural pelo Iphan desde 2008.
No dossiê de candidatura, o Iphan enumerou uma série de ações para difundir a modalidade e propôs medidas de salvaguarda orçadas em mais de R$ 2 milhões, como a produção de catálogos e encontros. O documento destaca que o registro vai favorecer a consciência sobre o legado da cultura africana no Brasil e o papel da capoeira no combate ao racismo e à discriminação. Lembra, além disso, que a prática chegou a ser considerada crime e foi proibida durante um período da história. Hoje, a capoeira é praticada em muitos países.
“O reconhecimento da roda de capoeira pela Unesco é uma conquista muito importante para a cultura brasileira. A capoeira tem raízes africanas que devem ser cada vez mais valorizadas por nós. Agora, é um patrimônio a ser mais conhecido e praticado em todo o mundo”, destacou, em nota, a ministra interina da Cultura, Ana Cristina Wanzeler.
Além da presidenta do Iphan, a diretora do Departamento de Patrimônio Imaterial (DPI-Iphan), Célia Corsino, diplomatas da Delegação do Brasil junto à Unesco e capoeiristas brasileiros também acompanharam a votação, entre eles os mestres Cobra Mansa, Pirta, Peter, Paulão Kikongo, Sabiá e Mestra Janja.
Segundo o Ministério da Cultura, o Iphan deu apoio aos capoeiristas para fazer amplo inventário dos grandes grupos de capoeira e mestres no Brasil e ajudou-os a instalar comitês estaduais distribuídos pelo país. Neles, capoeiristas podem formular reivindicações e compromissos relacionados à salvaguarda e à promoção dessa manifestação cultural.
Com o título, a prática cultural afro-brasileira reúne-se agora ao Samba de Roda do Recôncavo Baiano, à Arte Kusiwa-Pintura Corporal, do Amapá, ao frevo, de Permanbuco, e ao Círio de Nazaré, do Pará, também reconhecidos como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

 

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Carimbó é reconhecido como patrimônio cultural imaterial do Brasil

Yara Aquino - Repórter da Agência Brasil Edição: Stênio Ribeiro

Carimbó é reconhecido como patrimônio cultura imaterial do paísGustavo Serrate/Ministério da Cultura

Manifestação cultural típica do estado do Pará e da Região Amazônica, o carimbó (dança de origem indígena) foi reconhecido hoje (11) como patrimônio cultural imaterial do Brasil, em votação unânime do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural. A dança, executada ao som de instrumentos artesanais, por mulheres com saias rodadas e floridas e homens com camisas coloridas, passa a ter maior apoio do Estado para preservar a tradição.O pedido de inscrição do carimbó no Livro de Registro das Formas de Expressão foi feito por diferentes grupos, e entre 2008 e 2013 o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) conduziu o processo e acompanhou as pesquisas para identificação do carimbó em diversas regiões do Pará.

Com décadas de dedicação, de modo a manter vivo o carimbó, o Mestre Manoel, do Grupo Uirapuru, de Marapanim (PA), avaliou que o reconhecimento vai assegurar mais apoio à manifestação cultural, e abre a possibilidade de elaboração de políticas públicas. “Foi uma luta de nove anos; uma luta sólida. Esta cultura vem de muitos anos, de nossos antepassados, de nossos irmãos índios. Herdamos a terra e temos que levar à frente essa manifestação, repassando para nossos filhos e netos, e para isso temos que trabalhar com políticas públicas”, disse ele.

A presidenta do Iphan, Jurema Machado, explicou que o registro do carimbó como patrimônio cultural do Brasil amplia a visibilidade pública sobre este bem imaterial. “Significa o reconhecimento de uma tradição e prática cultural", segundo ela, e "o Estado, junto com os detetores desta prática, é agora um parceiro na manutenção, na salvaguarda e na vitalidade deste bem”.

O carimbó, com seus instrumentos, dança e música, é resultado da fusão de influências das culturas indígena e negra. Além da parte cultural, uma característica importante do carimbó é a forma de organização e reprodução social que reúne carimbozeiros nas atividades do dia a dia e celebrações religiosas.

A ministra da Cultura, Marta Suplicy, encontrava-se em Belém, e de lá acompanhou, por meio de videoconferência, a votação do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural. Na presença de dançarinas e grupos de carimbó, a ministra destacou que, com o reconhecimento, o carimbó passa a ser patrimônio perene. “Quando se tem uma expressão cultural deste porte, e não há chancela do Estado, ela tende a desaparecer ao longo dos anos”, explicou.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Fandango Caiçara vai receber certificado de Patrimônio Cultural

publicado: blog do Esmael


O Fandango Caiçara, tradicional expressão musical do litoral do Paraná, vai receber o certificado de Patrimônio Cultural durante a 5° Festa do Fandango Caiçara de Paranaguá, que será nos dias 15, 16 e 17 de agosto. O Fandango é uma expressão musical-coreográfica-poética e festiva que possui uma estrutura bastante complexa que abrange o trabalho, o divertimento, a religiosidade, a música e a dança, prestígios e rivalidades, saberes e fazeres.

A expressão musical Fandango Caiçara vai receber o certificado de Patrimônio Cultural durante a 5° Festa do Fandango Caiçara de Paranaguá, que vai acontecer entre os dias 15 e 17 de agosto. O evento é uma realização do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e da Fundação Municipal de Cultura de Paranaguá (FUMCUL).

Durante os três dias de evento, os participantes vão poder participar da entrega do certificado, de mesas-redondas e da formação do Grupo de Trabalho para a Salvaguarda do Fandango e Comitê Gestor do Fandango. O encontro também vai mostrar Roda de Viola, Causos, Feira de Artesanato e Gastronomia Caiçara.

Programação

• 15/08 - 20h – Entrega do Certificado de Registro de Bem de Natureza Imaterial do Fandango Caiçara aos Mestres Fandangueiros. Local: Câmara Municipal de Paranaguá. Rua João Estevão, 361. Centro Histórico.

• 16/08 - 09h30min – Mesa Redonda “Desafios e Perspectivas para a Salvaguarda do Fandango” (Fundação Municipal de Cultura – FUMCUL -, IPHAN, IFPR, UFPR, grupos de fandango de Paranaguá: Ilha dos Valadares, Pés de Ouro, Mandicuera, Mestre Romão)

10h30min – Conferência “A Importância do Fandango para a Sustentabilidade do Território Cultural Caiçara” (Prof. Antonio Carlos Diegues – NUPAUB/USP)

14h – Formação do Grupo de Trabalho para a salvaguarda do Fandango e Comitê Gestor do Fandango. Local: Casa Cecy. Rua XV de Novembro, 499. Centro Histórico.

20h – Baile de Fandango com os grupos: Ilha dos Valadares – Mestre Brasílio, Pés de Ouro – Mestre Nemésio, Mandicuera – Mestre Aorélio, Mestre Romão. Local: Mercado do Café. Haverá feira de artesanato e gastronomia no entorno do Mercado.

• 17/08 – 15h – Café com banana e fandango + Roda de Viola com os Mestres + Causos com Rogério Soares e Pilda Costa + Feira de Artesanato e Gastronomia Caiçara no entorno do Mercado.

Fandango Caiçara

O Fandango Caiçara é uma expressão musical-coreográfica-poética e festiva, cuja área de ocorrência abrange o litoral sul do estado de São Paulo e o litoral norte do estado do Paraná. Essa forma de expressão possui uma estrutura bastante complexa e se define em um conjunto de práticas que abrange o trabalho, o divertimento, a religiosidade, a música e a dança, prestígios e rivalidades, saberes e fazeres.

O Fandango Caiçara se classifica em batido e bailado ou valsado, cujas diferenças se definem pelos instrumentos utilizados, pela estrutura musical, pelos versos e toques. Nos bailes, como são conhecidos os encontros onde há Fandango, se estabelecem redes de trocas e diálogos entre gerações, intercâmbio de instrumentos, afinações, modas e passos viabilizando a manutenção da memória e da prática das diferentes músicas e danças.

O Fandango Caiçara é uma forma de expressão profundamente enraizada no cotidiano das comunidades caiçaras, um espaço de reiteração de sua identidade e determinante dos padrões sociais.
via IPHAN