quarta-feira, 4 de setembro de 2013

KAROL Conká Negra Curitibana Prêmio Multishow Representando


André Bittencourt/Divulgação / A rapper curitibana surpreendeu ao desbancar as famosas concorrentes e levar a medalha de artista revelação

Curitibana Karol Conka é artista revelação no Prêmio MultishowA rapper superou Anitta e Clarice Falcão e levou para casa um dos principais prêmios da noite

Publicado: gazeta do povo

A capital paranaense esteve bem representada na 20ª edição do Prêmio Multishow, que aconteceu na noite desta terça-feira (3), no Rio de Janeiro. A rapper curitibana Karol Conka foi destaque ao vencer o prêmio de artista revelação, uma das categorias mais esperadas da noite.

A artista de 25 anos desbancou ninguém menos que Clarice Falcão, fenômeno na internet, a “poderosa” Anitta e o duo Strobo. “Eu estou muito feliz, eu estou tremendo e eu vou beber muito depois que eu sair daqui”, brincou Karol ao receber o prêmio. A categoria foi votada pelo chamado superjúri, composto por 11 personalidades da indústria da música e do entretenimento.

Com seu primeiro e único disco, “Batuk Freak”, a cantora também foi indicada à categoria música compartilhada, na qual os jurados selecionam o melhor álbum disponibilizado para download gratuito na internet. Na semana de lançamento, o álbum teve mais de 20 mil downloads.

Karol, que começou sua carreira em um concurso escolar, ganhou destaque com seu primeiro single, “Boa Noite”, gravado em 2011. No mesmo ano, foi indicada ao Vídeo Music Brazil, premiação da MTV nacional, na categoria aposta.

Premiados
Ivete Sangalo levou a medalha de melhor cantora. Além de apresentar o prêmio, concorreu em duas categorias e fez o show de encerramento da noite. O sertanejo Luan Santana foi eleito melhor cantor pelo público.
Anitta foi o grande destaque da noite. Com o hit “Show das Poderosas”, a favorita levou para casa o título de melhor clipe e música-chiclete. Além dos fãs, a cantora agradeceu à invejosa mencionada em sua música, “hoje em dia eu estou ganhando um prêmio por sua causa, beijoo”, disse, bem-humorada.
Ainda eleitos pelo júri popular, foram premiados Thiaguinho, na categoria melhor música, com “Buquê de Flores”, Sorriso Maroto, eleito o melhor grupo, e Paula Fernandes, como melhor show. Michel Teló, pelo segundo ano consecutivo vencedor na categoria mais mais, enviou um vídeo de agradecimento do Japão, onde está em turnê.

Confira a lista completa de vencedores da noite

Anfitriões
A dupla Ivete Sangalo e Paulo Gustavo repetiu a dose da última edição, apresentando mais uma vez o evento. Apesar de algumas piadas forçadas no roteiro, o que é comum em apresentações do gênero, a dupla manteve o dinamismo, com destaque para o divertido humorista.
As atrizes Samantha Schmutz e Cacau Protásio, fantasiadas de baianas e Beyoncé, invadiram a cena em diversos momentos como as divertidas personagens Jéssica e Terezinha, do programa “Vai que Cola”.
A plateia, pelo contrário, não parecia muito animada. Diante da monotonia, os apresentadores pediram aplausos repetidas vezes, enquanto os vencedores subiam ao palco.

Shows
Os shows da noite foram marcados por parcerias. Marcelo D2 e o grupo Conecrew Diretoria dominaram o palco em sua performance conjunta. Mascarados, levantavam a máscara do grupo Anonymous, símbolo dos protestos recentes no país, e cartazes com dizeres como “nada pode me parar” e “proibido proibir”. Ao final da apresentação, fizeram menção ao cantor Chorão, morto recentemente, que também ganhou homenagem em cartaz.

Caetano Veloso e Emicida também se apresentaram juntos e foram de “A Bossa Nova é foda” a “Hip Hop é foda”.

Uma das apresentações mais aguardadas, o reencontro dos ex-colegas de Exaltasamba Thiaguinho e Péricles animou a plateia. Já Zezé Di Camargo & Luciano e Paula Fernandes, pela falta de sintonia, pareciam não ter ensaiado muito e, não bastassem as falhas nos microfones, Zezé mais chamava o público do que cantava.

Bombou nas redes
Os fãs de Luan Santana e Anitta eram os mais fervorosos com postagens e menções elogiosas no Twitter. Por outro lado, as falhas no som e o desânimo da plateia ficaram entre as críticas mais frequentes.

Confira a lista completa de vencedores do Prêmio Multishow:
Categorias Júri Popular

» Melhor Cantor: Luan Santana
» Melhor Cantora: Ivete Sangalo
» Melhor Grupo: Sorriso Maroto
» Melhor Música: Thiaguinho - "Buquê de Flores"
» Melhor Show: Paula Fernandes
» Experimente: Oba Oba Samba House
» Música-chiclete: Anitta - "Show das Poderosas"

Categorias Júri Especializado

» Novo hit: "Calor do Amor" - Mahmundi
» Versão do ano: Bárbara Eugênia - "Por Que Brigamos" (versão original: Diana)
» Melhor Clipe: Anitta - "Show das Poderosas"
» Música Compartilhada: Metá Metá – " MetaL MetaL"

Categorias Superjúri

» Artista Revelação: Karol Conka
» Melhor disco: Guilherme Arantes - "Condição Humana"
» Melhores shows:
Caetano Veloso - "Abraçaço"
Gang do Eletro - "Gang do Eletro"

Veja:Programa"Hoje em Dia" queimou cabelo de modelo negra e terá que pagar indenização

Por ter os cabelos queimados com um babyliss durante exibição do programa “Hoje em Dia”, há algum tempo, uma modelo terá direito a receber uma indenização da TV Record no valor de R$ 10 mil, de acordo com a decisão da 39ª Vara Cível do Foro Central da Comarca de São Paulo.
"É necessário que a autora, por trabalhar como modelo, tenha sua imagem preservada, sendo esta um dos principais requisitos da sua profissão", disse o juiz responsável pelo caso, Gustavo Coube de Carvalho.
"Logo, o pedido de reparação por dano moral deve ser atendido, e para tanto fixo o valor de R$ 10 mil, que reputo adequado às circunstâncias subjetivas e objetivas do caso, considerando, de um lado, a reprovabilidade da conduta da ré, e de outro as graves consequências do fato para a autora, que depende de sua imagem para trabalhar", finalizou.
A Record ainda não se pronunciou sobre a decisão judicial.
publicado: uol.com.br

domingo, 1 de setembro de 2013

O Globo admite erro ao apoiar a Ditadura; jornal pede desculpas em editorial 49 ANOS DEPOIS



Reconhecimento do erro coincide com protestos contra a TV Globo

Os recentes protestos a favor da democratização da mídia e contra o monopólio da comunicação acuaram as Organizações Globo ao ponto de o principal veículo impresso do Grupo, o jornal O Globo, vir a público neste sábado, 31, admitir que o apoio à Ditadura foi um erro. O jornal da família Marinho, a mais poderosa e rica do Brasil, pediu desculpas ao povo brasileiro num editorial.

O fato, inimaginável anos atrás, coincide com as recentes manifestações contra a TV Globo, que esta semana foi vítima de uma série de protestos dos grupos Black Bloc e Anonymous. A sede da emissora em São Paulo foi alvo de pichações e “bombas” de esterco, conforme imagem a seguir.


Manifestantes protestaram em frente ao prédio da Globo em São Paulo

Na internet, o pedido de desculpas vem sendo tratado como um dos “Erramos” (seção de um jornal dedicada a corrigir erros do mesmo) mais demorados da história do jornalismo brasileiro, afinal, lá se vão exatos 49 anos desde o Golpe que culminou com a queda do presidente João Goulart.

Embora O Globo tenha levado o editorial às bancas apenas na edição deste sábado, o siteMemória Globo, hospedado na Globo.com, já disponibilizava, desde o seu lançamento, em 2008, textos falando sobre outros erros e boatos acerca de sua história, como as “Diretas Já”, “Proconsult”, “Caso Time-Life”, entre outros. Os aquivos encontram-se nas seções “Erros” e “Acusações Falsas”. Clique aqui para conferir.

Confira o Editorial:

“Desde as manifestações de junho, um coro voltou às ruas: “A verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura”. De fato, trata-se de uma verdade, e, também de fato, de uma verdade dura.

Já há muitos anos, em discussões internas, as Organizações Globo reconhecem que, à luz da História, esse apoio foi um erro.

Há alguns meses, quando o Memória estava sendo estruturado, decidiu-se que ele seria uma excelente oportunidade para tornar pública essa avaliação interna. E um texto com o reconhecimento desse erro foi escrito para ser publicado quando o site ficasse pronto.

Não lamentamos que essa publicação não tenha vindo antes da onda de manifestações, como teria sido possível. Porque as ruas nos deram ainda mais certeza de que a avaliação que se fazia internamente era correta e que o reconhecimento do erro, necessário.

Governos e instituições têm, de alguma forma, que responder ao clamor das ruas.

De nossa parte, é o que fazemos agora, reafirmando nosso incondicional e perene apego aos valores democráticos, ao reproduzir nesta página a íntegra do texto sobre o tema que está no Memória, a partir de hoje no ar (clique aqui e leia).”

DOSES DE “HUMILDADE”

Nos últimos anos, as Organizações Globo têm voltado a temas espinhosos. Em 2012, em entrevista à Globo News, canal de notícias do Grupo, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, ex-todo poderoso da Globo, admitiu que a emissora resolveu dar uma “ajuda” ao então candidato à Presidência Fernando Collor de Mello. Boni se referia ao fatídico debate entreLuís Inácio Lula da Silva e Collor, realizado em 1989, que teve a sua edição manipulada para beneficiar o alagoano, eleito Presidente da República naquele ano.

Lei Rouanet banca igreja, ponte, Oktoberfest e festa da Mancha Verde

publicado: folha de São Paulo
Por meio da Lei Rouanet, agora questionada por incluir incentivos a desfiles de moda, dinheiro público já é destinado a projetos de reforma de igrejas, pontes, sedes de governo, uma Oktoberfest e até torcida organizada.
É algo comum na tributação: em todo lugar, leis que facultam ao Estado aprovar projetos de desoneração fiscal criam fila de interessados, e a porteira vai se abrindo.
Ao todo, a Rouanet já reduz a arrecadação pública em R$ 1,2 bilhão ao ano. Em comparação, em 2012 todas as universidades federais, juntas, receberam R$ 2 bilhões.
Se o objetivo da lei, de 1991, era mobilizar a iniciativa privada, reduzindo a dependência da cultura às canetadas de Brasília, houve certo fracasso. Veja as quatro empresas que mais a utilizam: Petrobras, Vale, Banco do Brasil e BNDES.
O mercado aparece mais na ponta da captação. As campeãs são fundações vinculadas a grandes empresas -Itaú Cultural e Fundação Roberto Marinho, ligada às Organizações Globo. O terceiro lugar é da Time for Fun. Em 2012, teve autorização para captar R$ 28 milhões para espetáculos como "O Rei Leão" e "A Família Addams", cujos ingressos chegam a R$ 280.
Daí surge uma das maiores críticas à lei: ela seria um "Robin Hood às avessas", tirando dos serviços públicos para bancar eventos caros.
O próprio secretário de Fomento do Ministério da Cultura, Henilton Menezes, em apresentação a empresários gaúchos em maio, criticou isso: "O acesso das classes C, D e E é baixo, [a lei] não estimula o investimento de recursos privados no setor, e a prestação de contas é inadequada".
Pela lei, em geral não há contrapartida das empresas -o incentivo é totalmente deduzido do Imposto de Renda.
Mesmo eventos mais baratos, de nicho, podem ser vistos como elitizados -em 2012, a lei apoiou nada menos que 29 eventos de jazz. E há forte concentração no Sudeste: 81% dos gastos.
CULTURA
Há muito mais, porém, sob o guarda-chuva da Lei Rouanet do que musicais e jazz.
No relatório dos incentivos de 2012, consta que a Fundação Catarinense de Cultura, ligada ao governo do Estado, conseguiu autorização para captar R$ 64 milhões para reformar a ponte Hercílio Luz, em Florianópolis, com recursos de desoneração fiscal.
Pernambuco e Rio de Janeiro, por sua vez, aprovaram a captação de R$ 20 milhões e R$ 12 milhões para reformar os palácios do Campo das Princesas e das Laranjeiras.
A arquidiocese de Campinas aprovou R$ 7 milhões para reformar sua catedral. Para a de Brasília, foram R$ 25 milhões. Em São Paulo, as igrejas da Santa Ifigênia e de Santo Amaro tiveram juntas aprovação de R$ 9 milhões.
Houve ainda projetos aprovados de obras em igrejas em Curitiba, Goiana (PE), Pelotas (RS) e Porto Alegre, entre outras, em mais de R$ 26 milhões. A Oktoberfest de Igrejinha, no Rio Grande do Sul, pôde captar R$ 653 mil.
Até a Mancha Verde, torcida organizada do Palmeiras, teve R$ 1,2 milhão aprovado para organizar seu Carnaval.
Editoria de Arte/Folhapress

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Vítima de racismo Rafaela Silva conquista primeira medalha de ouro feminina do judô brasileiro

Mesmo após as críticas, a judoca fez questão de comemorar o título mundial junto com a torcida brasileira
Vítima de racismo após a eliminação na Olimpíada de Londres, a judoca Rafaela Silva conquistou a primeira medalha de ouro feminina do judô brasileiro em mundiais em uma data especial na luta por uma sociedade mais justa: o aniversário de 50 anos da Marcha sobre Washington, comandada por Martin Luther King.
Marcada pelo histórico discurso do líder negro americano conhecido pela expressão "I have a dream" ("Eu tenho um sonho"), a caminhada com mais cerca de 250 mil pessoas foi decisiva para o fim da segregação racial nos Estados Unidos. A conquista de um título inédito numa data tão especial foi exaltada por Rafaela.



"É um momento especial [o aniversário da Marcha sobre Washington]. O próprio judô mostra que o racismo não tem o menor motivo", disse Rafaela ao UOL Esporte. Emocionada, a mãe da judoca também condenou as ofensas sofridas no ano passado.
"A gente ficou muito triste na época. Até queriam que ela entrasse com um processo contra aqueles que a ofenderam, mas disse para a Rafaela para não levar isso adiante", lembrou.
A judoca citou o próprio judô como exemplo para a sociedade. Segundo ela, o esporte é democrático e não faz distinções em função da cor da pele.


"O esporte foi criado por japoneses e o maior ídolo é um francês negro [Teddy Riner]. É um esporte democrático, assim como a sociedade deve ser", exaltou Rafaela Silva, natural da Cidade de Deus, famosa favela do Rio de Janeiro.
Citado por Rafaela, o francês Teddy Riner é o maior nome do judô da atualidade. Ele é pentacampeão mundial e ouro olímpico, além de uma verdadeira estrela em sua terra natal. O europeu disputará a categoria peso pesado (acima de 100kg) no Rio de Janeiro no sábado.
Já a polêmica que causou insultos racistas a Rafaela após a sua participação na Olimpíada de Londres se deu por conta do uso pela judoca de um golpe proibido pelas novas regras do judô, a catada de perna. A carioca foi desclassificada da competição e, posteriormente, ofendida por usuários de redes sociais.
Fonte:uol.com.br

SBT mostra esquema de médicos fantasmas na rede pública



As reportagens exibidas nesta semana pelo SBT Brasil que mostra médicos saindo do Hospital Estadual Roberto Chabo, em Araruama (RJ), logo após baterem o ponto, provocou a exoneração do secretário de Saúde do município, José Gomes de Carvalho, nesta quarta-feira (28). Carvalho também fazia parte do esquema de "médicos fantasmas" e chegou a parar com o carro na calçada para assinar o ponto e ir embora.

Um médico que já trabalha no hospital há oito anos e não quis se identificar afirmou durante entrevista à emissora que o diretor do hospital também está envolvido no esquema. "Há médicos que recebem e repassam uma parte para o diretor, há médicos que recebem porque são apadrinhados políticos", afirmou.

Procurado pela reportagem do noticiário, o diretor do hospital, Carlos Alberto Peixoto Figueiredo Júnior, não quis comentar o assunto. Segundo o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde, ele tem cinco empregos, além do cargo de diretor, e trabalha 90 horas por semana.

A médica Valéria Cristina Ferreira também aparece na reportagem pensando em como sair do hospital e escapar do repórter após bater o ponto. "Eles estão nos dois portões. Sabem quem está vindo só para marcar o dedo. Ela tem dois empregos na unidade e é coordenadora da UPA (Unidade de Pronto-Atendimento) de Araruama. De acordo com o SBT Brasil, ela foi afastada do cargo.

Outros "médicos fantasmas" citaram que algumas especialidades tinham esquema de sobreaviso e
confirmaram que o diretor sabia de tudo. Um deles foi Benevuto de Mesquita Soares, que apareceu na primeira reportagem exibida pelo canal. "Foi a forma que eu fui contratado. Seria estranho ficar aqui três neurocirurgiões, tres cirugiões e três anestesitas esperando os pacientes chegarem", declarou.

A Secretaria de Estado da Saúde do Rio de Janeiro, após a exibição da primeira parte da reportagem, na segunda-feira (26), já havia afirmado que foi aberta uma sindicância por parte da Subsecretaria e Corregedoria da Saúde para investigar o caso.

De acordo com a secretaria, os nomes dos médicos envolvidos na fraude serão enviados ao Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) para que a entidade investigue a conduta médica desses profissionais.

Caso seja comprovada a fraude, os médicos poderão ser demitidos e a Secretaria solicitará que a Procuradoria Geral do Estado entre com medidas judiciais cabíveis para que haja o ressarcimento desse dinheiro pago aos profissionais que não trabalharam.

De acordo com a reportagem do SBT, o hospital é utilizado por moradores de 11 cidades da Região dos Lagos, que têm juntas 770 mil habitantes.

Em junho, o SBT Brasil denunciou que médicos da maternidade pública Leonor Mendes de Barros, na zona leste de São Paulo, agiam da mesma forma.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

O médico cubano negro e a intolerância da nossa elite branca

publicado: blog do Rovai


A foto que está circulando hoje pela internet de um médico negro de Cuba sendo vaiado por jovens brancas de jaleco branco em Fortaleza é ilustrativa do significado da insana luta a que se dispuseram muitos de nossos doutores. Eles não estão lutando pela saúde da população, mas pelos seus interesses mais mesquinhos. E por isso não aceitam que um negrão cubano, que se brasileiro fosse serviria pra catar suas latas de lixo num caminhão de coleta ou ainda carregar fardos de carga num armazém, venha para o Brasil ocupar um espaço que, inclusive, ele não deseja.
Boa parte da argumentação dos médicos que têm radicalizado no discurso xenófobo contra os que aceitaram trabalhar nos cantões do Brasil é a de que eles estudaram muito para conseguir passar num vestibular. E que os estrangeiros não. Que eles pagaram caro pelo curso. E que os estrangeiros não. Que eles investiram na carreira para ter retorno futuro. E que com a vinda dos estrangeiros isso está em risco. Este argumento final é o verdadeiro x da questão. Boa parte dos nossos médicos decidiram ser médicos para permanecer num patamar restrito da elite. Mas talvez não se deem conta de que esse corporativismo é a base da morte de milhares de brasileiros pobres e miseráveis.


Eles não são contra apenas os médicos estrangeiros ou de Cuba, mais especificamente. Eles também são contra a criação de novas faculdades de medicina. Os conselhos vivem desqualificando as iniciativas do governo pra criar novos cursos.


Ou seja, a foto que está ilustrando este post é significativa para pensar o país que queremos. Se queremos um Brasil da inclusão, onde seja algo normal ser atendido por médicos negros que não sejam cubanos. Se queremos um Brasil onde estrangeiros sejam recebidos com respeito. Se queremos um Brasil onde saúde seja um direito de todos. Ou se preferimos viver num país de brancos de jalecos brancos que exigem ser chamado de doutores exatamente porque se acham acima daqueles que deveriam tratar com respeito e dignidade.
O interesse de uma corporação não pode estar acima dos interesses de toda a sociedade. E os médicos que estão nas ruas vaiando os seus colegas cubanos nunca estiveram nas ruas lutando por melhorias na área da saúde. Os que estiveram e estão nesta luta por um sistema único de qualidade, por exemplo, não se dignam a participar de um papelão desses.
Essa foto fica pra história, como a daquelas dos navios negreiros. Mas neste caso, pelo seu inverso. Porque negros de Cuba aceitaram vir pra cá contribuir pra melhorar a vida de outros negros e brancos pobres. E foram açoitados pelas vaias de brancos e brancas que se lixam pra vida dessa enorme parcela da população. Porque eles são da Casa Grande. E a Casa Grande sempre se locupletou com a péssima qualidade de vida da senzala.




cubanos, Mais Médicos